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Risco Contínuo

Estrada dos bravos, blog dos livres

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Estrada dos bravos, blog dos livres

17
Abr09

 

   A mais genuína crónica sobre a célebre excursão dos blogers a Bruxelas em 2009
 
 

Se não sabem onde está a Primavera, digo-vos eu que está em Bruxelas. Além disso, há muito tempo que este vosso humilde escriba não era tão bem tratado: honra seja feita ao deputado Carlos Coelho e ao Duarte Marques que acolheram este grupo de blogers como autênticos monarcas. Tratou-se de uma bem engendrada acção de Relações Públicas para com alguns dos blogers mais influentes (claro que eu que não influencio ninguém e a Bárbara Baldaia que foi como jornalista, éramos verdadeiros outsiders).

Hospedados num simpático hotel no centro da cidade, em que o magnífico pequeno-almoço colmatava qualquer falha de serviço, intervalámos um intenso programa de colóquios e entrevistas (bem testemunhadas aqui pelo Leonel Vicente) com deliciosas incursões gastronómicas, algumas das quais impressionariam certamente o nosso Duarte Calvão. O Rui Castro, proeminente jurista e “garfo” também, cuidou de abordar a visita sob esse prisma aqui. Por mim, já hoje estive no ginásio a penar pelos milhares de calorias extra a que fui incapaz de resistir durante a jornada.

A par das comezainas, o grupo não menosprezou o convívio. Depois de, desconfiados, nos beliscarmos uns aos outros, rapidamente nos caíram as peneiras e o ambiente tornou-se são e fraternal. Sim: escrevi fraternal – a Isabel Goulão e a Carla Quevedo, distintíssimas senhoras estão aí e não me deixam mentir. Por exemplo, foi uma bela oportunidade para privar com um Blasfemo que não blasfema, o Gabriel Silva; conversar com um simpático republicano e ateu da cidade dos Arcebispos, o Pedro Morgado e de trocar uns cromos do Tintim com o André Abrantes do Amaral nos intervalos.

De tal forma as coisas correram bem que está em congeminação o "Clube de Bruxelas", um grupo de pressão (que é o que está a dar) e excursionista (que é a melhor parte). Eu próprio que sofro do dilema de Grouxo Marx (a quem não agradavam Clubes que o aceitassem como membro) estou entusiasmadíssimo. A minha Maria é que não vai achar piada nenhuma – certamente não gostará que eu me envolva demais na política. Mas como muito bem escreveu o Pedro Lomba, Os políticos são iguaizinhos a nós. Os políticos, em rigor, não existem. Existe o sr. João e o sr. Avelino. Políticos esforçados e relapsos, aconselháveis e desaconselháveis. Não os julguem em grupo mas sim um a um.


Depois houve os encontros com os eurodeputados, dos quais destaco um divertido almoço com João de Deus Pinheiro, que, de forma cativante e entusiástica, abordou a inócua estratégia geopolítica europeia. E o simpático deputado grego do Partido Socialista Europeu Stavros Lambrinidis (vice-presidente da Comissão de Liberdades Públicas), que versando sobre os limites da vigilância anti-terrorismo em confronto com as liberdades e garantias individuais, afirmou que quem argumenta que "não tem nada a esconder" (no que respeita à vídeovigilância e registo de dados de telecomunicações) deverá arranjar uma vida… “Get a life!”. Ainda agora ando a matutar quão fascinante e aventurosa será a vida dele: ser de esquerda deve ter as suas vantagens...


De resto, aquilo da Comissão Europeia e do Parlamento Europeu em Bruxelas é absolutamente fabuloso - a minha inveja: um mundo que faz vários centros comerciais Colombos e estádios do Benfica em betão, políticos e eurocratas que comem, dormem e consomem. Que bom que seria para a economia portuguesa uma coisa daquelas em Coimbra ou assim: num país de "eventos" como o nosso, só em caterings e alojamentos resolvíamos o desemprego e o nosso deficit externo duma vez para sempre. Mas a vida é injusta: a ideia da Europa não foi nossa, vivemos na periferia e chegámos atrasados como sempre.


Uma confissão final: fui a Bruxelas e não visitei o Manneken Pis. Em vez disso, fui a uma loja do Tintim ao pé da Grand-Place, onde não resisti a comprar um fabuloso submarino em forma de tubarão do Segredo de Licorne, que repousa agora altivo numa estante lá em casa. Valeu a pena.
 
Ah, é verdade: não vos preciso de explicar que sem a União Europeia há muito que estávamos bem tramados, certo? Tratem mas é de votar no próximo dia 07 de Junho e não sejam ingratos.

 

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