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Risco Contínuo

Estrada dos bravos, blog dos livres

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05
Jun19

Adivinha-se um verão quente


João Paulo Saramago

Adivinha-se um verão quente, não como o verão quente de 1975 com relatos como os que ouvi há dias contados na primeira pessoa por quem sofreu com atentados bombistas, incêndios, despedimentos políticos… mas, em todo o caso, um preocupante verão quente.

Adivinha-se um verão quente porque as temperaturas tendem a subir com as alterações climáticas constantes, porque sabemos com elas vêm a baixa de humidade e porque se aliarmos um pouco de vento… teremos fogos florestais que serão devastadores como já estamos habituados.

Adivinha-se um verão quente porque, uma vez ocorridos os incêndios florestais, teremos de contar com os nossos Bombeiros Voluntários que continuam mal equipados, com EPIs (Equipamento de Protecção Individual) obsoletos e que os colocam em perigo, com veículos desadequados para as deslocações que são forçados a fazer pelo País fora para reforçar os meios nos teatros de operação e com poucos meios aéreos que o governo teima em contratar em cima do acontecimento através de ajustes directos após deixar cair os concursos públicos.

Adivinha-se um verão quente porque será o verão dos meses que antecedem as eleições legislativas e o aproveitamento político dos partidos da frente esquerda será mais do que obvio, aliás, aposto como não veremos líder do governo de férias aquando dos incêndios à imagem do que ocorreu no verão passado.

Adivinha-se um verão quente também no plano judicial já que uma vez iniciados processos que envolvem autarcas ligados ao partido do governo esperamos atentamente que elações e responsabilidades serão apuradas, quantos mais estarão na teia e que proporções atingirão os ditos processos. Ai se fosse um governo de direita…

Adivinha-se um verão quente na segurança interna porque a agenda da esquerda teima em tentar colocar a população contra as forças de segurança e “diabolizar” os elementos que as compõem. Com a ajuda desvergonhada da comunicação social ficam os elementos que têm como missão zelar pela nossa segurança com o ónus da violência não lhes bastando as faltas de condições laborais, os poucos meios técnicos para agir, os vencimentos baixos e a precariedade habitacional aquando das suas colocações.

E com tudo isto… estamos quase no verão, para os mais distraídos é já dia 21 de Junho.

 

05
Jun19

Crónicas da Nau Catrineta


Sónia Ferreira

Parte 4

Lição de História

Isto de ter de educar pequenos seres humanos tem um revés. Às vezes são as crianças que nos ensinam qualquer coisa ou que nos mostram uma forma simples de olhar para questões complexas.
O meu filho pediu ajuda para estudar História. “Os Descobrimentos Portugueses são uma seca mamã.” Respirei fundo e pensei que tinha de dar a volta àquilo. Na geração do meu filho “tudo é uma seca” a menos que envolva botões, danças alienígenas e estímulo audiovisual. É, de facto, um problema ou simplesmente algo para o qual nos temos de preparar e adaptar.
Fechei-lhe os livros, desliguei-lhe o Ipad. Sentei-me com ele e expliquei-lhe de forma quase teatral o que foi para os homens daquele tempo meterem-se ao mar. Tentei fazer do discurso um relato de aventura com um ou outro toque Marvel, sem colar personagens históricas a um universo DC. Muito embora para uma criança de 11 anos heróis de capa e collants sejam bastante mais apelativos que marinheiros com escorbuto, temos de concordar.
Foi aí que me lembrei do “Mostrengo”. Sempre gostei do “Mostrengo”. É um poema que exalta as qualidades daqueles que tinham uma missão e que a cumpriram a custo próprio. É daqueles poemas que ainda hoje me arrepia sempre que o leio.
Arrisquei. Li lhe o Mostrengo e sem lhe dar hipóteses de entrar em modo “seca” passei à explicação.
- …E o capitão do barco olhou para a tempestade e pensou “Eu vou conseguir”. Pegou numa corda e amarrou-se ao leme. Alguns marinheiros cheios de medo esconderam-se no porão, mas outros fizeram o mesmo que o seu capitão e prepararam-se para passar o Cabo ou morrer ali.
- E não tinham medo, mamã?
- Tinham. Tinham muito medo. Mas naquela altura era assim. As pessoas tinham medo mas também tinham vontade. Tinham curiosidade de descobrir coisas novas, de levar histórias de locais diferentes para casa. Descobrir o mundo misterioso. Os portugueses eram assim, curiosos, destemidos e determinados. Descobriram muitas coisas e eram muito persistentes. Não desistiam de nada até lá chegar.
Os olhos do meu filho seguiam as palavras. Acreditei que tinha despertado a sua mente. Agora estava focado para estudar e olhar para os livros de outra forma. Missão cumprida, pensei. Mas ainda não tinha saído do quarto quando me voltou a chamar:
- Mamã…
- Sim filho.
- Onde estão estas pessoas? – questionou olhando para a imagem do livro que acabara de abrir. Eu percebi o que quis dizer. Afinal, é meu filho.
Suspirei profundamente. Depois uma ideia surgiu.
- Estão na Aliança. – Sorri e pisquei-lhe o olho.
Enfrentemos então, o Mostrengo.

 

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