Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Risco Contínuo

Estrada dos bravos, blog dos livres

Risco Contínuo

Estrada dos bravos, blog dos livres

Um marco histórico da Segurança Rodoviária em Portugal

Duarte d´Araújo Mata, 30.04.13

Quem viu as campanhas de sensibilização rodoviária em Portugal e quem as vê.

Pela primeira vez, introduz-se a bicicleta como veículo de pleno direito da estrada. A bicicleta a ocupar a estrada, de forma ser vista pelos outros utilizadores, e não afastada para uma qualquer berma.

É fundamental esta mudança de paradigma a que estamos a assistir e estão de parabéns todos quantos contribuiram para passar esta mensagem.

A Máscara caiu

José Aníbal Marinho Gomes, 27.04.13

Se dúvidas ainda existissem, agora foram dissipadas - a “isenção e neutralidade” do chefe de estado que os defensores da república tanto apregoam como sendo um dos valores do decrépito regime, pendeu para um dos lados.

No discurso proferido nas comemorações oficiais do 25 de Abril, o Presidente da República apoiou directamente o Governo, afirmando que estava ao lado dos partidos da maioria e que não queria eleições antecipadas.

Com este discurso nitidamente partidário, e que ofende os princípios da pluralidade, o Presidente da República em nada contribuiu para o consenso nacional, antes pelo contrário agravou as divisões existentes no país e comprometeu, definitivamente, a sua pretensa neutralidade.

Mas porquê tanta indignação por parte da oposição?

É ou não verdade que um Presidente pelo simples facto de ser eleito, representará sempre a facção que o elegeu, uma vez que a isso está vinculado? Como pode um Presidente eleito por uma parte da população simbolizar e exprimir a unidade nacional?

Quem representa os cidadãos que não votaram no actual PR e que foram a maioria da população portuguesa, somando os votos noutros candidatos, nulos, brancos e as abstenções? É que como a escolha da chefia do estado resulta da via eleitoral, os vencidos nunca são representados...

Assim só um chefe de estado imparcial, extra-partidário e agregador das vontades nacionais, pode representar na plenitude todos os portugueses. E esse Chefe de Estado só pode ser um Rei, que desde cedo é preparado para servir o país, que possui uma “especialização em conhecimentos gerais” e não um qualquer dirigente partidário, ex-primeiro ministro, ex-presidente da Câmara de Lisboa, ex-professor universitário, etc.

O PR tem necessariamente uma cor política e partidária. Logo a sua acção não pode ser independe e imparcial, uma vez que está dependente dos compromissos que o ligam ao seu partido e fica refém das forças que o apoiaram. Os apoios financeiros não são prestados gratuitamente e como tal terão de ser recompensados...

Embora os candidatos presidenciais se afirmem independentes, chegando ao cúmulo de se desfiliarem dos partidos que militaram ou dos quais foram dirigentes, enquanto dura o mandato presidencial, após o que pedem de novo a sua readmissão, têm realmente independência se quem os indicou para tal cargo foram esses partidos?

Com o discurso oficial do 25 de Abril de 2013 a máscara caiu a Cavaco e Silva.

Obrigado senhor Presidente da República por ter deixado a nu o regime republicano.

Quem diria, um 25 de Abril especial

Duarte d´Araújo Mata, 24.04.13

Não esperava que neste 25 de Abril pudesse ter grandes razões para alegrias.
A vida está difícil e os caminhos que estão a trilhar não auguram nada de bom.

Mas a esta hora em que escrevo este texto, faltam 10 minutos para ser dia 25, verifico que um corrupto, provado em tribunal, foi finalmente preso. Só vendo, mas num País em que a corrupção corroi e destroi, frequentemente "quase provada", mas quase sempre só... quase, em que os recursos se sucedem em cascata perante a perplexidade da opinião pública e das próprias instituições, sinto que esta prisão, a confirmar-se, representa um exemplo para o futuro e um sinal de esperança num futuro melhor.

A corrupção ataca os negócios, corroi as instituições, degrada a qualidade do serviço, retira o que é de todos para dar a alguns.

O 25 de Abril tem que ter contribuido para combater essas injustiças. É esta a esperança que hoje, apesar de tudo, sinto.

Foto AQUI

a tempo e horas

Sofia de Landerset, 22.04.13

 

As aulas, na escola primária onde anda o meu filho mais novo, começam às 9h00. 

Supostamente.

Porque às 9h10, a sala de professores ainda está bem composta, com professores a tomar café em amena cavaqueira.

São quase 9h15 quando começam a sair da sala e se dirigem às respectivas salas de aula. Sem pressa.

Nessa altura, ainda há alunos a chegar, ninguém corre para a aula. A descontracção é geral.

Sou só eu?

Sou mesmo só eu que acho isto anormal?

Sou a mãe do soldado que marchava ao contrário, e que achava que o filho era o único a marchar bem?

 

Sempre fiz questão de chegar a horas a todo o lado.

Como podem imaginar, passei também uma vida à espera de toda a gente, porque ninguém senão eu faz questão de chegar a horas seja onde for.

Tentei incutir nos meus filhos esta pontualidade, com algum sucesso.

Receio bem que os tenha sobrecarregado com um fardo injusto. Serão, para o resto da vida, os únicos a chegar a horas.

Terão de esperar por toda a gente, num exercício perfeitamente estúpido, porque ninguém quer saber da pontualidade deles para nada.

 

Ensinaram-me, a mim, que a pontualidade é uma questão de respeito, de organização e de boa educação.

Isto estaria tudo muito certo, se eu vivesse num país do Norte da Europa.

Em Portugal, nem sequer dava para fundar a Associação dos Pontuais Anónimos.

Era só eu. 

 

Esta demonstração de respeito, organização e boa educação é das piores coisas que se podem fazer. Não só porque se faz figura de urso, horas à espera dos outros, mas também porque não se pode falar no assunto.

Assim que uma pessoa aflora vagamente a questão da pontualidade, fica com a sensação de estar a fazer um número de stand up comedy mais bem sucedido do que o Ricardo Araújo Pereira.

E quem não se desmancha a rir, é porque se está a sentir ofendidíssimo.

O resultado é o mesmo: nem uns nem outros nos voltam a convidar para seja o que for.

 

A pontualidade é um sítio muito solitário.

 

 

 

E mais uma vez a culpa do País é o seu "Estado Social"

Duarte d´Araújo Mata, 19.04.13


Noticia o "Público" que  o "Presidente do Barclays Portugal e mais três administradores suspensos".

Não quero culpar ninguém mas vejo que, com a maior facilidade, o culpado tem sido sempre o Estado Social, apesar de continuarmos a assistir à exposição de casos concretos de "buracos" na finança, PPPs, relação privilegiada com grupos empresariais e por aí fora.

IMAGEM AQUI

A Piolheira II - Termómetro da Politica Portuguesa

José Aníbal Marinho Gomes, 19.04.13
Está a chegar o Verão e como tal é nesta altura que a propagação da piolheira pode ser maior. Não espere pela comichão, que pode aparecer até 15 dias após a presença na TV. Por isso é fundamental vigiar.

Recorde-se que a piolheira surge mais frequentemente nas mulheres devido aos cabelos normalmente mais longos.

Para detectar não é fácil, sobretudo para quem tem cabelo claro, oxigenado ou não, Robbialac ou Cin. Por isso recomenda-se a colocação de uma toalha branca sobre os ombros, e que se penteie e verifique a existência de piolheira na toalha. Deve utilizar um pente de dentes finos, específico para este efeito, e uma lupa. A lupa além de permitir verificar a existência dos parasitas, permite uma leitura mais atenta aos livros de História de Portugal, cuja matéria é praticamente invisível a olho nu para alguns pseudo-comentadores políticos da nossa praça.

Examine sobretudo as zonas acima da nuca e atrás das orelhas, onde a piolheira preferencialmente se aloja, por serem locais quentes e húmidos, e outros locais de semelhante amplitude térmica, não se esqueça ainda, dos livros, principalmente daqueles por onde se estudou história de Portugal, sobretudo do séc. XIX e XX.

Cuidado com a reinfestação pois é mais frequente do que se pode pensar!

Assim, aconselha-se a quem subitamente for acometido de um ataque de piolheira, que pode revestir também a forma de piolheira “mental”, a aplicação de um produto para o seu tratamento.

E esse produto é nem mais nem menos o “famoso” Quitoso. 

Só Quitoso mata Piolhos e Lêndeas, enfim a piolheira em geral!

Após a sua aplicação recomenda-se a lavagem dos objectos, livros escolares e roupas a mais de 60ºC e no caso dos livros escolares, após a sua lavagem, deve-se optar pela sua substituição, recorrendo a autores devidamente credenciados e sem tiques próprios de criaturas primárias.

Não se deve também esquecer de aspirar os estofos do carro, sofás e tapetes, inclusive os dos estúdios televisivos.

Depois do tratamento e como protecção é aconselhável a utilização de um champô com capacidade de ajudar a evitar a reinfestação, que facilite a remoção da piolheira morta e que para além de ter um efeito calmante sobre o couro cabeludo, tenha também um efeito indutor de um verdadeiro raciocínio e uma crítica histórico-política rigorosa.

Evite a pediculose!

coisas de nada

Sofia de Landerset, 18.04.13

 

Duas coisinhas a propósito disto:

 

1. Não sou um "hoteleiro algarvio", e se fosse, tinha vergonha. Os "hoteleiros algarvios" são os principais culpados do estado da hotelaria no Algarve.

Vivo no Algarve há 10 anos. Em Julho do ano passado, abri uma pequena guest house na Praia da Rocha. O que aprendi, nestes 9 meses e meio, dava para escrever um livro.

Aprendi, sobretudo, que ficar à espera que "os funcionários públicos e os pensionistas tivessem este ano dinheiro para fazer férias", é prática corrente por estas bandas.

Abre-se uma unidade hoteleira, e fica-se à espera que as pessoas venham. Fica-se, sobretudo, pendurado num mês de Agosto feito à conta das férias dos portugueses.

E quando os portugueses não têm dinheiro, está tudo estragado.

(vimos o mesmo filme com os turistas ingleses e irlandeses, há uns anos atrás)

Há honrosas excepções entre os "hoteleiros algarvios". Heróis que não fecham no inverno, que não ficam à espera que os clientes venham só porque sim, que adicionam valor à estadia dos seus hóspedes. 

Estes são os hoteleiros que, ano após ano, vêem os seus clientes regressar; clientes que conhecem os funcionários do hotel pelo nome; clientes que recomendam o Algarve aos amigos.

O Algarve que aprendi a amar.

 

2. Sou contra o acordo ortográfico.

Sou ainda mais contra a falta de coerência e o trabalho mal feito.

Um texto em que se escreve as palavras ora em conformidade com o AO, ora da forma normal, não sei se me dá vontade de rir, se de chorar.

É realmente decepcionante.

 

a random act of kindness*

Sofia de Landerset, 17.04.13

 

Há muitos anos atrás, quando ainda morava em Lisboa, cheguei um dia a casa, de táxi.

O motorista parou em segunda fila à porta do meu prédio, e eu paguei e saí do carro. 

Levava vestido um casaco encarnado, que ficou preso na porta do táxi quando a fechei.

Não me apercebi disso até que o carro arrancou, e eu caí no chão e comecei a ser arrastada entre o táxi e os carros que estavam estacionados ao longo da rua.

Lembro-me de pouca coisa. Lembro-me, no entanto, de pensar que aquela era uma maneira estúpida de morrer. E que ia doer. Ia doer muito.

 

Obviamente, não cheguei a morrer.

 

Um rapaz que estava no passeio tinha-me observado a sair do táxi, e depois viu-me desaparecer de repente. Foi ele que correu para parar o táxi, salvando-me a vida, no fim do quarteirão.

 

Nunca me esqueci daquele momento, nem daquele rapaz. Sei que nunca lhe agradeci como devia. Em estado de choque, não quis outra coisa senão correr para casa. E foi isso que fiz, sem olhar para trás. Levei horas a dar-me conta do que tinha ali acontecido; levei horas até que conseguisse sequer sentir as dores nas mãos e nas pernas, cheias de cortes e arranhões.

 

Ainda hoje lamento não ter dito "Obrigada". Era o mínimo.

 

Esta manhã, na estação de metro do Marquês de Pombal, linha amarela, sentido Odivelas, entre as 8h35 e as 8h40, a minha filha Francisca deixou cair o telemóvel na linha.

Um rapaz desconhecido apanhou o telemóvel e entregou-lho.

Ela, de cabeça perdida, pensando que tinha ficado sem o telemóvel, não lhe conseguiu agradecer como gostaria.

Encontrar este rapaz para lhe agradecer devidamente é missão impossível? Provavelmente é.

Mas fica aqui dito que a gratidão que lhe é devida está guardada para um dia que se voltem a cruzar na estação do Marquês. 

 

E como eu acredito que somos um, todos nós e o universo, e amor com amor se paga, literalmente, enquanto não encontramos o rapaz do metro, vou praticar um random act of kindness*.

Pequenos gestos, expressões de amor pelo próximo.

 

Seja ele quem for.

 

 

 

 

 

* um acto aleatório de bondade

Graça Franco e a "Piolheira"

José Aníbal Marinho Gomes, 15.04.13

 

Acabei de ouvir na RTP informação no programa "Termómetro da política portuguesa" apresentado por Carlos Daniel, a "jornalista" Graça Franco tecer algumas considerações sobre El-Rei D. Carlos que me deixaram algo perplexo.

Afirmar-se a propósito do título da entrevista do Dr. Mário Soares ao Jornal i "O Presidente Cavaco Silva devia lembrar-se da história do século xx. Por muito menos que isto foi morto D. Carlos", que a situação do actual PR não era comparável à do Rei D. Carlos, uma vez que este monarca para além de viver alheado da realidade era odiado pelo povo, a quem tratava como “piolheira”, é no mínimo leviana e demonstra total desconhecimento da história de Portugal, pelo que sugiro à Dr.ª Graça Franco que se fique pela sua área académica (economia) ou mesmo pelas Ciências da Informação área onde é pós graduada, deixando de lado este tipo de comentários que em nada dignificam a classe a que pertence...

Assim, aconselho vivamente a Dr. Graça Franco a ler a biografia de D. Carlos I da autoria do Prof. Dr. Rui Ramos, mas se os seus tiques de republicanismo primário a impedirem de realizar tal tarefa, recomendo pelo menos a leitura do artigo “Breve história da «Piolheira»” da autoria de Nuno Resende.  

Alguns meses antes do atentado D. Carlos sabia perfeitamente a situação do país e os riscos que corria, mesmo assim não se escondia como fazem hoje em dia os nossos políticos. Atente-se no desabafo ao seu ajudante de campo, tenente-coronel José Lobo de Vasconcelos: «Tu julgas que eu ignoro o perigo em que ando? No estado de excitação em que se acham os ânimos, qualquer dia matam-me à esquina de uma rua. Mas, que queres tu que eu faça? Se me metesse em casa, se não saísse, provocaria um grande descalabro. Seria a bancarrota. E que ideia fariam de mim os estrangeiros, se vissem o rei impedido de sair? Seria o descrédito. Eu, fazendo o que faço, mostro que há sossego no País e que têm respeito pela minha pessoa. Cumpro o meu dever. Os outros que cumpram o seu.».

Que Palavras sábias proferidas por um grande estadista!

 

Pág. 1/3