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Risco Contínuo

Estrada dos bravos, blog dos livres

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Vandalismo & Corrupção, Lda

Duarte d´Araújo Mata, 04.02.13

O vandalismo está por todo o lado. Seja um "tag", um "grafiti", um risco com uma chave, um borrão de tinta. Ao lado, ao alto, no tecto, no chão. O vandalismo não escolhe palco e é a imagem de uma Sociedade que não respeita o bem público. Porque também não o reconhece como tal.

A corrupção é, igualmente, o desrespeito absoluto pelo bem público. No fundo, um tipo diferente de vandalismo, praticado igualmente por vândalos. Só que, ao contrário deste, é o mais "limpo" possivel, procura não deixar rasto, não se vê escrito quando vamos no comboio.

O ideal era uma troca de papeis: a corrupção completamente à vista de todos e o vandalismo, esse, o mais possivel escondido.

Pelo menos ganhavamos o espaço público e folgavamos a vista.

 

EU, MONÁRQUICO, ME CONFESSO !

Fernando Sá Monteiro, 01.02.13

 

 

Um dia, bem distante e tão presente,

perguntei a meu pai porque sorria.

E ele, num ímpeto de carinho e desalento,

me respondeu: – Meu filho, por te conhecer

aceito a verdade da tua escolha.

Mas ao percorrer a vida passo a passo,

sofro pelo futuro que te espera.

Singelas palavras, sábia profecia!

Quisera eu que essa visão não fosse

nada mais do que um fantasma,

tentando ensombrar a claridade deste sonho!

 

Os dias e os anos foram desgastando,

vertiginosamente, deixando em mim presentes

as palavras sussurradas naquele momento

de discreto e sugerido lamento.

Apenas um instante, um instante apenas,

feito de mastros de navios, em marés acordadas.

Era uma canção escrita com cenas dum grito

de revolta, repulsa e desalento. E eu, em cada crise

em que me envolvo, transfiguro-me e vagueio por

todos os locais feitos de imagens, sozinho e nu.

 

Eu pecador me confesso! No meu grito de revolta,

alcanço ainda forças para um poema de esperança,

qual regato de águas serenas e cantantes, vibrando

pelo Rei ausente, mas de desejo bem constante.

E, de súbito, todo aquele poema de espadas e penas

se transforma num sonho pueril e distante.

Ser monárquico, é sonhar a inocência singular duma

fidelidade a ideais de cavaleiro andante,

a juramentos impregnados da candura do acreditar na beleza original.

Ser monárquico, é recriar a imagem da saudade paterna,

do aconchegante regaço maternal, da inocência de padrões

de conduta, que mergulham nas raizes mais distantes.

 

Por isso me confesso pecador! Por acreditar nessa simbiose

de saudade e futuro, de passado e presente, qual grito rebelde

de liberdade, voando por memórias renascidas.

Por isso me confesso pecador! Por ter presente dia a dia,

que o Rei da minha nostalgia desejada, transforma em poema

todas as vagas profundas e enfurecidas dum grito de igualdade,

suportado por recordações de injustiças e mãos vazias.

Por acreditar nesta bandeira azul e branca, símbolo dum dia

claro de sol vibrante e águas límpidas.

E se o sonho for poema acrescentado, rebelde como um grito

de criança, constante como marés acordadas, intenso como

paixão de secretas cores, onde me possa afogar absorvendo

a beleza nesse limiar do infinito, com vigor gritarei ainda:

Real, Real, pelo Rei de Portugal!

 

Deixai-me ainda acreditar no sonho!

Deixai embora que essa ofuscante claridade,

rasgue as vestes sombrias dos sentidos

e percorra todo o meu ser, até ao limiar do infinito.

Deixai que o símbolo da minha demência, seja a demência dos

símbolos da dignidade renascida, da portugalidade recriada,

do orgulho numa fraternidade de diferenciação entre iguais.

Deixai que eu seja um mero menestrel

duma sociedade de sentido renascido,

cantando a beleza da minha bandeira azul e branca,

gritando esse brado do Álcacer da nossa perdição,

qual Sebastião de Sá, que me honra o sangue, morrendo,

entre iguais sem desistir de lutar: – O meu cavalo não sabe voltar!

 

Fernando de Sá Monteiro (antigo Presidente do Directório e da Comissão Política Nacional do PPM)

Capital, até à última gota

JFD, 01.02.13

Dantes o capital não tinha rosto porque tinha algum pudor. Hoje a impunidade permite-lhe agir às claras, declarada e descaradamente. Hoje sabemos quem é a mão invisível, sabemos quem lucra com as dificuldades das famílias e com a austeridade. E sabemos, acima de tudo, que os esforços que nos são pedidos não são em nosso nome, em nome do bem comum dos cidadãos, mas antes em nome desse mesmo capital agora com rosto. É por isso mesmo que nos pedem que "aguentemos", as suas carteiras e carreiras dependem do quanto nos conseguem espremer... até à última gota.

O Regicídio - “Lisbon’s shame!”

José Aníbal Marinho Gomes, 01.02.13

Foi há 105 anos que no dia 1 de Fevereiro de 1908, teve lugar o assassinato do Rei D. Carlos e do Príncipe D. Luís Filipe. Este acto bárbaro, baptismo de sangue da República que em nada deve orgulhar os portugueses, precipitou o fim da monarquia constitucional no nosso país e anulou uma última tentativa séria de reformas em Portugal, impondo um regime que era apenas pretendido por uma minoria e que nunca foi referendado, resultando unicamente de um golpe de Estado que, pelas armas, substituiu um regime por outro e que trouxe uma nova escalada de violência na vida pública do País.

Em 1908 vigorava a Carta Constitucional e, para além de liberdade individual e colectiva, existia liberdade de associação e de expressão. A comunicação social de 1908, à semelhança do que acontece nossos dias, era hábil em crucificar pessoas na praça pública e sem culpa formada. A propaganda republicana não descansou enquanto não denegriu a imagem do Rei, contando para o efeito com a colaboração de alguns que se declaravam monárquicos e estavam melindrados com o monarca.

Os republicanos temiam as reformas em curso e sobretudo Dom Carlos, astuto diplomata e estadista de excelência. El-Rei era patriota e defensor da liberdade, tendo-se destacado nas artes como um pintor de grande qualidade e sensibilidade extrema e um cientista oceanográfico de reconhecidos méritos que ultrapassou fronteiras.

A 1 de Fevereiro de 1908, após uma estadia em Vila Viçosa, D. Carlos e o Príncipe D. Luís Filipe, regressam a Lisboa e, apesar do clima de enorme tensão que se vivia na capital, D. Carlos preferiu seguir numa carruagem aberta, praticamente sem escolta, apenas com os batedores protocolares e um oficial a cavalo, ao lado da carruagem do rei, que trajava o uniforme de Generalíssimo, pretendendo com esta atitude, mostrar ao povo alguma normalidade.

No trajecto el-Rei e D. Luís Filipe são bárbara e covardemente abatidos pelos assassinos a soldo da república (que ainda recentemente alguém os pretendia considerar heróis), o braço armado da Maçonaria – a Carbonária.

Não podemos contudo esquecer que existiram outros implicados na trama assassina os quais, pelo menos da fama, não se livram: são eles Alberto Costa, Virgílio de Sá, Domingos Fernandes, Aquilino Ribeiro e, quanto a este último está sepultado desde o dia 19 de Setembro de 2007 no panteão nacional (pasme-se...).

De igual modo não pode cair no olvido a tenebrosa personagem que foi José Maria Alpoim, que dizia que em Portugal só existiam duas pessoas com conhecimento total do que se passou no Regicídio, sendo ele uma delas, pois sabia em que casa teve lugar a reunião preparatória e onde se efectuou a troca ao Buíça do revólver pela carabina.

Pelos relatos históricos sabemos que a Rainha D. Amélia, de pé na carruagem fustigou com um ramo de flores que trazia na mão, um dos regicidas, gritando ao mesmo tempo “Infames! Infames!”. Aliás esta imagem correu mundo nos jornais da época.

No Arsenal, para onde foram levados os corpos, a Rainha D. Maria Pia, mãe de D. Carlos disse devastada a D. Amélia: “Mataram-me o meu filho” ao que D. Amélia respondeu: “E o meu também.”

A extrema violência deste acto deixa a Europa revoltada, não só pelo facto de D. Carlos ser uma figura estimada pelos restantes Chefes de Estado europeus, mas também pelo facto de se ter tratado de um acto orquestrado por uma associação secreta e assassina “a carbonária”.

A imprensa internacional publicou imagens do atentado, com base em narrações que iam chegando. Em Inglaterra escrevia-se “Lisbon’s shame!”.

O Juiz Alves Ferreira iniciou e presidiu ao 1.º inquérito ao regicídio, seguindo-se-lhe José da Silva Monteiro e o Dr. Almeida de Azevedo que, após dois anos de investigação, concluiu ter sido o atendado cometido por membros da Carbonária, que pretendia assim derrubar a Monarquia. O Julgamento estava marcado para o dia 25 de Outubro de 1910, mas acabou por não acontecer em virtude da implantação da república dias antes, pelo que não houve qualquer tipo de condenação para os implicados sobrevivos.

O processo acabou por ir para às mãos de Afonso Costa, na altura ministro da Justiça do Governo Provisório, após o que se lhe perdeu o rasto. Também D. Manuel II era detentor de uma cópia, que providencialmente desapareceu pouco antes da sua morte em 1932, na sequência de um roubo à sua residência em Inglaterra.

Este hediondo acto removeu da cena política portuguesa um grande estadista que se encontrava em posição de estimular e o refundar o regime, e com ele o seu auspicioso sucessor, Dom Luís Filipe, pessoa muito culta, e muitíssimo bem preparada para assumir os destinos do País. 

Através de eleições nunca a república seria implantada em Portugal, pelo menos nessa altura. Basta vermos os resultados eleitorais obtidos pelo Partido Republicano nas eleições do dia 5 de Abril de 1908, que num total de 157 deputados, conseguiu apenas eleger 7 deputados.

Assim, só eliminando o Rei é que os republicanos conseguiriam implantar a república mas como com a perpetração deste acto não conseguiram os seus intentos, de novo surgem com as suas intenções de derrubar o regime pela força – o que acabam por conseguir, em 1910.

O regicídio permitiu a implantação da república.

E à 1ª república, violenta e sanguinária, sobreveio a 2ª república, da ditadura salazarista e do Estado Novo. E à 2ª república sucedeu a actual 3ª república, falida e corrupta.

Em 1 de Fevereiro de 1908 assassinaram o Rei e o príncipe herdeiro.

Em 5 de Outubro de 1910 mataram Portugal. Desde então o nosso País deixou de ser Portugal e transformou-se na República Portuguesa (é assim que nos identificamos nos documentos oficiais e nas relações com os outros países).

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