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Risco Contínuo

Estrada dos bravos, blog dos livres

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Estrada dos bravos, blog dos livres

02
Jun09

 

Sempre que as eleições se aproximam, lá vem a mesma conversa, geralmente da boca de comentadores de ar grave, como se o futuro da democracia dependesse das suas análises: “não admira que as pessoas se desinteressem da política e se abstenham”. Pois a mim admira-me imenso que alguém se abstenha e sobretudo que veja nisso uma atitude a ser seguida. Eu próprio, em tempos que já lá vão e por circunstâncias próprias da minha opção profissional pelo jornalismo, fui abstencionista, mas nunca andei a maçar ninguém com isso. Nunca recomendei a alguém que fizesse o mesmo e, acima de tudo, nunca achei que a culpa fosse dos políticos, como aquelas crianças malcriadas que fazem birra só porque os adultos não conseguem inventar nada que lhes possa agradar.
Nestas eleições europeias, os cinco principais partidos portugueses têm candidatos conhecedores e dignos (como gosto desta generalização, vou esquecer o inacreditável discurso de Vital Moreira sobre a “roubalheira”, provavelmente sugerido por algum assessor mais excitado…), que defendem pontos de vista muito diversos, que incluem prós e contras tratado de Lisboa, referendos ou punição para quem os prometeu e depois não os fez, federalismo e anti-federalismo e muitas outras questões, sem falar daquelas que dizem mais respeito ao âmbito nacional. E também para já não falar dos pequenos partidos, onde há várias propostas à disposição dos eleitores.
O problema não será assim de falta de opções, mas antes de um certo “bom tom” que faz com que muita gente mostre repugnância pela “política”, pelos “partidos”, como se vivessem entre tratados de filosofia política e ensaios sobre a Europa e lhe custasse descer ao nível dos políticos, votando neles. Ora o que eu mais vejo entre os abstencionistas, com alguma excepções evidentemente, são preguiçosos e hedonistas de terceira categoria, que não se interessem por nada a não ser o seu pequeno mundo, que se recusam a pensar em algo que fuja ao seu interesse directo, que não abdicam nem que seja por uma hora (para irem votar) da praia, das compras ou da comezaina com os amigos.
É claro que eles têm todo o direito de se absterem, mas porque é que alguém os deve respeitar politicamente? Porque é que os políticos têm que fazer um esforço para lhes agradar? Isso quer dizer que a abstenção vai ser muito elevada? Pois que seja. Já no passado assim foi e isso não tirou legitimidade ao Parlamento Europeu. Se as pessoas podem votar e não querem, o que mais faltava é que nós, os que nos damos ao trabalho de participar na vida política da nossa sociedade e vamos votar, fossemos afectados por quem prefere ficar de fora a dizer mal de tudo, incapaz de mexer uma palha para que as coisas melhorem. E que ainda por cima quer ser “reconhecida” por isso.

 

Também no Papa Myzena

 

01
Jun09

À conta da latente depressão de um exército de inadaptados e excluídos sociais patrocinados pelo inefável regime do sucesso, das aparências e do consumo, vive uma incomensurável trupe de profissionais da psiquiatria e psicologia clínica. No topo da pirâmide social, nesta nova classe de obscuros feiticeiros tribais, há-os para todos os gostos e maleitas, sejam da telha, da pila ou da falta dela. Com a árdua tarefa de justificar o inexplicável, normalizar a excepção, declaram-se cientistas especializados num variado menu  de complexos e manias. Eles ncontram facilmente um manancial de freguesia, as vítimas do materialismo predatorial, do socialismo niilista vigente: um regime promotor do mais forte, do mais hábil, do chico mais esperto e da legalíssima ausência de valores.

Com mais ou menos resultados, com mais ou menos psicanálise, com mais ou menos químicos e drogas legais, com mais ou menos internamentos, suicídios e demais efeitos secundários, esta pseudo-fidalguia regimental pulula nos mais inúteis institutos e organismos estatais. São os novos inquisidores da nação, moralistas e carniceiros das almas, oráculos pós-modernos, que se dedicam esmeradamente a debitar as regras da nova moralidade nos órgãos oficiais de comunicação. Encontramo-los a verberar vulgaridades e redundantes lugares comuns sempre politicamente correctos na mais selecta revista feminina ou encarte de entretenimento dominical, ao lado da rubrica de astrologia, num qualquer jornal, rádio ou televisão. Sempre em benemérita promoção das mais radicais e estimáveis minorias. Estes novos e populares cientistas da existência, emitem despudoradamente um discurso sempre redundante e vazio, que não é mais do que a imperativa fórmula de segurar as suas mais suculentas franjas do mercado. Afinal somos todos “porreiros” desde que paguemos a conta da consulta, seja privada ou através da previdência social. Jamais mordas a mão que te dá de comer...
Tragicamente vi passar pelas mãos destes “feiticeiros da psique” gente boa que nunca mais foi gente, gradualmente enterrada em químicos ou relativismos alienantes, psicoterapias e demais placebos. Ironicamente tive a sorte de constatar o seu sucesso na intervenção terapêutica em gente que sempre me parecera saudável. E como tal resistiram úteis cidadãos. Apesar de tudo.
 

A reedição deste meu texto, publicado em tempos no Corta-fitas,  foi  inspirada pela incrível crónica da Marta Crawford no jornal i onde a senhora se insurge contra a possibilidade reorientação terapêutica da homossexualidade indesejada. De resto, o que me preocupa seriamente é o poder que esta gente tem hoje em dia.

 

01
Jun09

Não sei se alguém tem dado conta, mas o petróleo está outra vez a subir, e bastante! Hoje aproxima-se já dos 67 dólares numa subida constante nas últimas semanas.

Devo confessar que o petróleo é uma das minhas grandes preocupações há muito tempo e não apenas porque o meu carro anda a gasolina. Sobretudo porque toda a nossa actividade econónica está sustentada neste recurso finito e o seu preço influi decisivamente na nossa vida diária.

Ademais, se é verdade que há um ano o preço do petróleo estava quase no dobro, também não deixa de ser verdade que a crise económica internacional era ainda uma mera possibilidade. Ora, com despedimentos em massa e o subsequente aumento do desemprego a subida do petróleo - com as necessárias consequências a outros níveis - pode aumentar ainda mais as graves circunstâncias em que vivem muitos indivíduos.

Urge, cada vez mais, encontrar soluções viáveis para esta nossa dependência. Devo dizer que em Portugal, ainda assim, alguma coisa tem sido feita. Não são só as barragens e a aposta nas energias renováveis, mas sobretudo a consciencialização nacional da existência do problema.

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