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Risco Contínuo

Estrada dos bravos, blog dos livres

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Estrada dos bravos, blog dos livres

Governo chateado

João Eduardo Severino, 30.12.08

A imprensa divulgou que o consumo de cigarros em Portugal baixou entre 10 e 15 por cento. E acrescentou, já em jeito de propaganda, que o facto se deveu ao "forte impacto da nova lei". Há mais papistas que o Papa. A diminuição no consumo de tabaco, dizem os comerciantes, deve-se essencialmente ao pouco dinheiro que os portugueses passaram a ter para gastos. O resto é treta, porque o Governo até ficou chateado com a anunciada redução de fumarada. Quanto menos cigarros se venderem, menos dinheiro de impostos entra nos cofres. E não esquecendo que os aviões fizeram-se para fumar...

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João Távora, 29.12.08

 Monarquico sem vergonha - Um ideal em três pontos, por João Gomes:

 

(...) Defendo uma monarquia moderna para Portugal, uma chefia de estado de cariz hereditário e europeísta, herdeira do legado deixado pelos nosso últimos reis. Pegando neste ponto, a primeira razão para me dizer monárquico é uma motivação histórica e identitária de um jovem do século XXI que olha para Portugal. Estamos perto de comemorar o centenário da república e a esta distância podemos começar a reflectir sobre as verdadeiras motivações do regicídio e também da revolução republicana do 5 de Outubro. Não me quero alongar neste ponto, até porque muito já foi dito e escrito neste último ano, mas basta compararmos as personalidades dos nossos dois últimos reis com a dos nossos vários presidentes do século XX português. Cem anos de república, foram em parte 40 anos de ditadura fascista, de isolamento diplomático e de um retroceder cultural. Tudo aquilo contra o qual o Rei D. Carlos e o Rei D. Manuel II lutaram. Um rei é um garante da soberania, da cultura e da história de um povo – o rei é livre, o país também.
 
A segunda razão é óbvia para quem observa esta questão sem filtros, sem palas e sem preconceitos. Portugal é hoje um país de compadrios, onde impera a corrupção, os escândalos que envolvem políticos e gestores das grandes empresas, onde os ricos são cada vez mais ricos e conseguem com facilidade manipular os políticos, nascidos e criados nos aparelhos partidários. Tem alguma lógica que um chefe de estado venha do próprio sistema? Sendo o chefe de estado o arbitro e moderador das relações políticas do país, deverá ele vir dos próprios aparelhos partidários? Esta promiscuidade não existe quando o chefe de estado já o nasce sendo, sem precisar de vender a sua alma ao capital, aos interesses e aos lobbys. É este o principal paradigma da república, que a faz ser cada vez mais questionada.
 
A terceira e última razão é de ordem prática. Um rei, ao contrário de um presidente da república, tem por parte do povo e da comunidade internacional uma legitimidade que um presidente da república não tem. Por parte do povo, porque o rei é rei de todos os portugueses, ao contrário do presidente da república que é eleito apenas por uma parte dos eleitores, que posteriormente não se reflectem na sua figura – Cavaco Silva é um exemplo por demais evidente. Por parte da comunidade internacional, por razões históricas, familiares e mais importante do que as outras duas, por ser independente face a pressões políticas de grupos partidários de cariz internacional.
(...) 
 

A ler tudo aqui

 

Uma ideia genial

Ana Vidal, 29.12.08

De todos os acontecimentos que se deram na música nos últimos tempos, o mais importante, na minha opinião, foi a miscigenação entre a música habitualmente classificada como "erudita" e os géneros musicais mais populares.

 

E essa arrojada, brilhante e generosa ideia deve-se, em grande parte, ao grande Luciano Pavarotti. Os excelentes concertos "Pavarotti & Friends" duraram quase uma década, juntando em palco os mais variados ritmos, timbres e talentos de todo o mundo, e fizeram muito mais pela divulgação da ópera e da música clássica junto de novos públicos do que muitos anos de programas culturais. Ficarão célebres os curiosíssimos duetos de Pavarotti com as mais inesperadas vozes e figuras, cujo resultado foi um saudável divertimento que pôs meio mundo  (de várias gerações) a cantarolar árias de ópera que, provavelmente, nunca ouviria de outra maneira. Se acrescentarmos o facto de esses concertos terem sido todos pro bono, sem excepção para nenhum artista convidado, e de todas as receitas obtidas (concertos, gravações, publicidade) terem sido oferecidas a causas humanitárias mundiais, teremos a noção do espantoso alcance desta ideia.

 

Aqui fica um dos mais felizes exemplos dessa cumplicidade: Pavarotti e Zucchero (outra das minhas vozes de eleição) numa espantosa interpretação de uma das mais belas composições musicais de todos os tempos - Va Pensiero, do Nabucco de Verdi. Escolhi-a também pela mensagem de esperança e de liberdade, tão necessária a estes tempos turvos em que as nossas prisões são menos visíveis, mas nem por isso menos reais.

 

(Va pensiero - Zucchero / Pavarotti)

A Tribo do Leão Verde

José Abrantes, 28.12.08

 

 

As tribos dos Porting, das Antas e os Aguiar costumam rivalizar para merecer as melhores atenções, do deus comum, o Grande Sport! Bola, a encarregada de cumprir umas heroicas etapas pelos Porting recorre ao auxílio de Enanenes que, por sua vez, pede ajuda a Homodonte e ao seu irmão, Táurio! Várias peripécias e gags recheiam esta narrativa, que já se encontra a meio, tanto da escrita como do desenho;

 

Trata-se do terceiro livro das Aventuras de Homodonte, série que assino há já muitos anos, mas que desde há uns 3 anos apenas comecei a editar me álbum. Como é costume nesta série específica, costumo partir para o desenho com um parco punhado de ideias soltas, trabalhando num improviso quase completo. É sempre como que um jogo, um desafio, ver como ou quando as pontas começam a juntar-se, a ter uma ordem lógica! Neste caso, esta aventura será a primeira que ocupará inteiramente um álbum, ao contrário dos anteriores que tinham várias histórias, cada um!

 

Os manos Homodonte e Táurio são dois jovens cavernícolas de uma época remota mas totalmente imprecisa, havendo uma quase total falta de documentação, à parte umas noções reconhecidamente limitadas sobre a pré-história! Qualquer animal, planta ou artefacto utilizados nesta série são vagamente aparentadas com algo que se conheça, quer em museus, livros ou documentários televisivos! A aventura que, como referi, já se encontra a meio da sua elaboração, ainda não tem editora.

 

Ilustração - Excerto da imagem da capa do livro.

 

O resgate da Esmeralda

João Távora, 28.12.08

Há um determinado tipo de notícias às quais reajo instintivamente com uma epidérmica rejeição: impelem-me a mudar de canal, saltar de página ou desligar o rádio. Aqui enumero algumas - que por mais que reflicta não lhes reconheço um claro traço comum, a não ser o seu cariz folhetinesco e um amargo sentimento de impotência a que me submetem: os incêndios de verão, alimentos sob suspeita, alarme de epidemias e... “o caso Esmeralda”.
Sobre este assunto – uma trágica e irresolúvel telenovela -  num autêntico acto sacrificial, hoje li um episódio do drama aqui. Sem querer ser desmancha prazeres, assumo que não tenho partido nesta questão, e como Pinto Monteiro suspeito que na ausência de uma salomónica resolução, a contenda só se resolverá quando a miúda fizer dezoito anos. Entretanto, parece-me do mais basilar bom senso que as partes envolvidas, pais biológicos e afectivos, saibam colocar os seus interesses para segundo plano, desintoxicando o mais que for possível a vida afectiva da miúda, atitude difícil que lhes exige um alto grau da mais pura generosidade. Só assim se poderá evitar a multiplicação dos danos colaterais originados pela intricada série de equívocos de que nenhuma das partes sai inocente.
Como sempre, em todas as questões sociais e humanas, a solução mais fecunda encontra-se na atitude e na força vontade das pessoas intervenientes.
Remato este modesto texto com uma frase fulcral retirada da mensagem de Natal do Papa Bento XVI: Se cada um pensar só nos próprios interesses, o mundo não poderá senão caminhar para a ruína.

De parabéns

João Eduardo Severino, 28.12.08

O meu grande aplauso para o nosso riscador Tiago Salazar pela excelente entrevista que efectuou a Joana Amaral Dias. O trabalho de primeira água do promissor Tiago foi publicado hoje na revista 'Notícias Magazine', suplemento dos domingos do 'Diário de Notícias'. Registe-se, que um entrevistado só brilha quando o entrevistador tem a noção exacta de que o seu profissionalismo está em causa. Das muitas afirmações interessantes que o Tiago soube subtrair à Joana, realço esta: "Não diria que tenho fascínio pela política. Mas acho que vale mais a pena estar a lutar do lado dos que são derrotados do que daqueles que são derrotados sem lutar".

Domingo (Festa da Sagrada Família)

João Távora, 28.12.08

 

Evangelho segundo S. Lucas 22.39-40


Ao chegarem os dias da purificação, segundo a Lei de Moisés, Maria e José levaram Jesus a Jerusalém, para O apresentarem ao Senhor. Cumpridas todas as prescrições da Lei do Senhor, voltaram para a Galileia, para a sua cidade de Nazaré. Entretanto, o Menino crescia, tornava-se robusto e enchia-Se de sabedoria. E a graça de Deus estava com Ele.

 

Da Bíblia Sagrada

Parece mentira

João Eduardo Severino, 27.12.08

Esta manhã tive a sensação de que alguma coisa me atraía para a Câmara Municipal de Lisboa. Ora, eu apenas conheço na municipalidade lisboeta um engenheiro que é um corrupto até dizer chega e não tenho qualquer interesse em visitar as instalações camarárias, só se fosse para desancar no presidente António Costa pelo estado miserável em que continua a capital. Aconteceu que dei por mim a conversar no café com um amigo sobre vários temas e acabámos a falar sobre as futuras eleições autárquicas para a Câmara de Lisboa a partir de uma notícia fabricada que o 'Expresso' publicava. Diz o semanário que se as eleições fossem hoje, António Costa ganharia com 40,4% contra 25% de Pedro Santana Lopes. Aldrabice melhor é difícil propagandear. Se Costa vencer por uma margem de dois a cinco por cento já se pode dar por muito feliz e a vitória socialista apenas se ficará a dever ao facto de Santana Lopes ter mais inimigos no PSD que os pombos existentes no Rossio.

A conversa derivou para as hipóteses que o 'menino-guerreiro' ainda pode ter em vencer António Costa, para as promessas que Costa fez e não cumpriu e para a forte possibilidade de Costa ir para primeiro-ministro quando Sócrates confirmar que nunca mais vai ter uma maioria absoluta. Santana Lopes para a direita, Santana Lopes para a esquerda e mordemos a língua para sublinhar que, afinal, o homem sempre põe as tertúlias a falar dele. Ou seja, como anda por aí, ainda mexe e sabe-se lá o que ainda nos espera deste gato com sete vidas. Despedi-me do meu amigo e qual não foi o espanto quando na rua deparei-me com o Pedro Santana Lopes. Ele mesmo, ali ao meu lado. Cordialmente cumprimentámo-nos. Continuo pela rua abaixo, vou ainda a pensar na conversa sobre a Câmara Municipal, no Santana, no Costa, no cais de contentores, nos cambalachos e nas eleições malucas que da última vez colocaram frente-a-frente Carmona e Negrão, quando, de repente, olho para o lado e vejo um casal a ver a montra de uma galeria de arte. E sabem quem estava ali mesmo ao meu lado? Nada menos que o primeiro presidente da Câmara de Lisboa, eleito após o 25 de Abril: o engenheiro Aquilino Ribeiro Machado, filho do grande escritor Aquilino Ribeiro. Então, isto não parece mentira? Mas não é. Aconteceu há pouco nesta Lisboa. Eu disse Lisboa? Bolas, deixa-me acabar o post antes que apareça por aí o João Soares ou o Jorge Sampaio...

O Governo que merecemos

Duarte Calvão, 27.12.08

Vamos supor que, numa qualquer entrevista, Manuela Ferreira Leite caísse na asneira de prometer que um Governo liderado por ela iria fazer com que os juros baixassem. Estou mesmo a ver a chuva de notícias, comentários, reacções (sempre pedidas a adversários internos ou a socialistas, evidentemente) e tudo o que mais se seguiria sobre a "gaffe". O primeiro-ministro, a pessoa que tem a responsabilidade de nos governar, num discurso preparado, diz que o seu Governo baixou os juros e, fora umas reacções frouxas, fica tudo indiferente. É este o País em que vivemos e onde, ao que parece, muita gente não se importa de continuar a viver desta maneira.