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Risco Contínuo

Estrada dos bravos, blog dos livres

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Estrada dos bravos, blog dos livres

Aviso à navegação III

José Mendonça da Cruz, 24.11.08

Como é que se sabe que sou minimamente imparcial? Por esta minha declaração de que tenho uma única paixão estranha a toda a razoabilidade, uma menoridade, a Ferrari, são manias, eu sei, mil desculpas. Tudo o que é Ferrari é bom, tudo o que é bom para a Ferrari é bom, e é mau tudo o contrário. É só dentro do meu ferrarismo maníaco (desgraçadamente desacompanhado de um Ferrari) que compreendo outras manias, como a de benfiquistas, sportinguistas ou portistas que, perante a agressão mais bárbara e o mais ululante penalti cometidos pelo seu clube, juram que não foi nada, ora essa, fui testemunha - e são pessoas activas, inteligentes, respeitáveis. É só como ferrarista parcialíssimo que compreendo o número asfixiante de protagonistas que apoiam e aclamam todos os actos do governo socialista, nunca vêem erro ou senão nas acções do governo socialista, omitem todo o facto, memória ou escrutínio quando a omissão serve para poupar o governo socialista, e se desvelam em conselhos e críticas contra os erros nefastos da oposição - e quem o faz são militantes activos (interrogue-se sempre de quê), pessoas por vezes inteligentes. Podem até ser respeitáveis se for cristalinamente claro em que qualidade se apresentam e falam.

Aviso à navegação II

José Mendonça da Cruz, 24.11.08

Como é que se sabe que eu sou jornalista? Por pequenas revelações sobre o ramo, como esta: cada vez que ouvirem um comentador ou um jornalista afirmar que «há a sensação de que ...», estejam seguros de que se seguirá a esta frase a formulação de uma crença absolutamente pessoal sobre uma intenção ou um comportamento alheios, para os quais não há, tristemente, nem o menor indício nem provas.

O circo na nossa terra I

João Eduardo Severino, 24.11.08

- Ó Zé, estamos fartos! Basta! O nosso apoio à tua pessoa nunca foi equacionado para andares a empilhar contentores...

- Calma, Chico! Qual é a tua, meu? Eu apenas pretendia evitar que os contentores caíssem ao mar e provocassem uma inundação em toda a zona de Alcântara!

- Qual inundação, qual carapuça que nos querias enfiar! Pensas que não topámos logo a tua aliança com o Obama da quadratura? Estás arrumado! Agora só tens um caminho...

- Atiro-me à água?

- Não, pá!... Coitado dos peixes... Como está toda a malta a desconfiar que entraste em cambalacho com os tipos dos contentores e antes que eu venha a comer por tabela, tu tens de demitir-te, já!

- Ó Chico... essa agora... bem... pode ser! Mas acho melhor que tu, antes de mais, emitas um comunicado a firmar bem que não tens nada a ver comigo e com os contentores...

Aviso à navegação I

José Mendonça da Cruz, 24.11.08

Será «carta de intenções», será «declaração de interesses»? Os meus avisos sobre mim mesmo fá-los-ei devagarinho. Primeiro passo: como é que se sabe que estou velho? Por exemplo, constatando a minha estranheza perante os alertas meteorológicos amarelos e vermelhos contra ventos e chuvas (ontem o Instituto de Meteorologia só considerava «verdes» Santarém e Castelo Branco). É que eu tenho as intempéries na conta de coisas vulgares do Inverno e da vida. Estes medos miúdos de tudo, estes adamastorzinhos patéticos, tornaram-se um traço de carácter dos Portugueses - que até, famosamente, fogem de ilusões de maremoto numa praia do Algarve -, fazem-nos abominar o risco, predispõem-nos ao assistencialismo. Distraem-se com a ilusão de que cautos, imóveis, desapercebidos, deixarão de morrer como morre toda a gente.

Novo diário

João Eduardo Severino, 24.11.08

Nos primeiros meses de 2009 o grupo Lena coloca nas bancas um novo diário generalista, sob a direcção de Martin Avillez Figueiredo. O lançamento será feito pela subholding Sojormedia. Avillez está a contactar vários jornalistas para a equipa e a proceder à contratação de 15 estagiários. A redacção do jornal ficará situada no Tagus Park, em Oeiras.

 


Afinal havia outra conspiração

José Mendonça da Cruz, 24.11.08

Havia, portanto, confirmadamente, uma campanha política contra o Presidente da República, Cavaco Silva. Mais do que os termos do comunicado da Presidência, sabemo-lo agora pelas reacções zelosas de alguns comentadores políticos na SIC e na RTPn. Os mesmos que consideraram «deslocado», «tremendista», «surpreendente» um anterior documento sobre o estatuto dos Açores - o qual advertia com clareza e a tempo contra essa minudência de querer-se limitar os poderes presidenciais através de lei ordinária - criticam agora Cavaco por ser «surpreendente», «exaustivo», «inoportuno» ao defender com veemência esse pormenor da sua honestidade pessoal e política. E contra-atacam (a palavra é contra-atacam) afirmando que Cavaco só não se pronuncia sobre o que - dizem eles - é importante, ou seja, se Dias Loureiro deve continuar conselheiro de Estado.

Mas, ao contrário, o comunicado é claro, plenamente justificado, oportuno, e - como se vê - preemptivo. Pronuncia-se sobre o que deve pronunciar-se, e não deixa dúvidas sobre a situação económica e patrimonial do Presidente e da Primeira Dama, remetendo mesmo quem queira para a declaração de rendimentos. Não se pronuncia sobre o que não deve - e os comentadores que quisessem pensar um pouco, coisa que por vezes custa, poderiam perguntar-se que poderia dizer com propriedade Cavaco Silva sobre Dias Loureiro, sobre quem não pesam agora mais que alegações e suspeitas. Mas se, em vez de lerem o comunicado, escolhem irritar-se com ele, e se, em vez de considerarem o que lá está cristalinamente, preferem fantasiar lacunas, então devemos concluir que tinham outra agenda. E que este comunicado perturbou-a.

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