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Risco Contínuo

Estrada dos bravos, blog dos livres

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23
Fev09

2500 línguas em risco

 

O patuá é um dialecto falado em Macau. Actualmente apenas 50 pessoas o sabem falar. A UNESCO alertou para a sua extinção. No entanto, não é caso isolado. Há, em todo o mundo, 2500 línguas que estão em risco de desaparecer. O fenómeno é transversal e independente de factores económicos e políticos. Mas há dialectos que voltaram a ser falados assim que os governos locais arregaçaram mangas

A nova edição do “Atlas Mundial das Línguas em Risco de Extinção”, disponível no sítio da UNESCO, foi publicada na quinta-feira passada, dois dias antes do Dia Mundial da Língua Materna. O documento digital disponibiliza informações actualizadas sobre as cerca de 2500 línguas que o mundo está prestes a deixar de ouvir falar e funciona de forma semelhante ao conhecido programa Google Earth. Basta escrever “patuá” no motor de busca que a internet faz o resto: sobre Macau aparece uma luz vermelha que dá conta de 50 falantes e coloca o dialecto em estado crítico, a um patamar da extinção.
O mapa tem a vantagem de ser uma ferramenta de pesquisa interactiva. Os cibernautas podem deixar comentários e acrescentar, de forma contínua, novos dados e até corrigir os que já existem - o Departamento de Português da Universidade de Macau manifesta já interesse em participar na construção da base de dados.
As línguas e dialectos são listadas e agrupadas em cinco diferentes níveis de vitalidade que, por sua vez, são aferidos com base em nove critérios – a transmissão de geração em geração é o factor principal. O que se passa dentro de casa é essencial para fazer a catalogação.
Do melhor para o pior: uma língua é considerada “desprotegida” quando é falada pela maioria das crianças de uma comunidade, mas em certos nichos sociais (em casa, por exemplo); passa para “definitivamente em perigo” quando os mais novos deixam de a aprender como língua materna; ganha estatuto de “seriamente em perigo” a partir do momento em que é apenas falada pelos avós e os pais compreendem, mas não a ensinam aos filhos. Fica em “estado crítico” – e este é o caso da língua maquista – quando quem a conhece já está na terceira idade, esqueceu-se de muita coisa e fala com pouca frequência; é, por fim, dada como extinta assim que desapareça o último dos falantes.
A escalada para o fim é global e preocupante. Das seis mil línguas que ainda se falam em todo o mundo desapareceram duzentas, 537 ficaram em “estado crítico”, 502 são tidas como “seriamente em perigo”, mais de seiscentas estão “definitivamente em perigo” e outras tantas são dadas como “desprotegidas” – e tudo isto num espaço de três gerações.
Há 199 línguas cuja sobrevivência está dependente de dez falantes. Em causa fica a diversidade do homem, aponta o director geral da UNESCO. “A morte de uma língua conduz ao desaparecimento de muitas formas de património cultural intangível, especialmente as tradições e expressões orais da comunidade que a fala – desde poemas, lendas, provérbios a anedotas. A perda de línguas é também prejudicial à compreensão da biodiversidade humana, já que transmitem muitos conhecimentos sobre a natureza e o universo”, observa Koïchiro Matsuura, na página electrónica da organização.

Fenómeno é transversal
A investigação foi conduzida por mais de trinta linguistas e revela que o fenómeno é transversal: em qualquer região, em qualquer contexto político ou económico, há línguas que estão a desaparecer. Cerca de um terço de todos os idiomas que existem no mundo são ouvidos na África subsariana e, de acordo com a UNESCO, é bastante provável que destas venham a extinguir-se dez por cento, só nos próximos cem anos.
Os países que têm maior diversidade linguística são também os que mais alertas têm para dialectos em risco de definharem. A saber: Índia, Estados Unidos, Brasil, Indonésia e México. Mas nem tudo é linear. Papua Nova Guiné, o país que regista os maiores índices de diversidade linguística (serão mais de 800 as línguas que aqui se falam), terá apenas 88 dialectos em perigo. Há também ressurreições: línguas que foram dadas como extintas e que foram revitalizadas. É o caso do córneo (Cornualha).
Há também um aumento significativo da comunidade de falantes de vários dialectos indígenas (no Paraguai e Nova Zelândia, por exemplo) e mais gente a falar mais línguas no Canadá, nos Estados Unidos e no México.
A geoestratégia no mapa da UNESCO está dependente das políticas linguísticas assumidas por cada governo. A Convenção para a Salvaguarda do Património Cultural Intangível, promulgada pelo Governo de Macau em 2006, reconhece que a língua é a essência de qualquer legado imaterial e o veículo vital para transmissão de conhecimento.

 

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