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Risco Contínuo

Estrada dos bravos, blog dos livres

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Estrada dos bravos, blog dos livres

15
Fev09

 

O meu amigo Rodrigo Moita de Deus, com quem partilho algumas causas, veio dizer que "nenhum Estado, nenhuma comissão, que nenhum homem, tem o direito de tirar uma vida" - quase que concordo, por esse motivo sou contra a pena de morte. Quando este argumento foi utilizado na campanha contra a interrupção voluntária da gravidez, sinceramente, achei-o básico, desprovido de lógica - estávamos a falar de um embrião, de um ser vivo projecto de vida e não de uma "vida", no sentido filosófico do mesmo.

 

Mesmo a abordagem da questão da "vida" e do "aborto" por parte da Igreja Apostólica Romana, da qual eu e também o Rodrigo somos praticantes, nem sempre foi tão radical como é agora. Para comprovar esta tese basta observarmos o momento em que pela primeira vez na história, a Igreja condena o aborto. A primeira condenação dá-se em 1140 com o Decreto de Graciano que distinguia a morte voluntária do fecto antes da animação (incorporação da alma) e depois da animação, sendo a primeira considerada "quase homicidium" e a segunda "tendit ad homicidiun". Curiosamente este documento vem quase que legitimar o aborto até às dez semanas, pois segundo S. Tomás de Aquino e a sua Tese da Animação Retardada, a mesma ocorria na altura em que o feto adquiria forma humana.

 

De lembrar que esta teoria só foi formalmente modificada pela Igreja no século XX, através do Corpus Iuris Canonici de 1917, em que a concepção foi aceite como momento de animação. Logo, a visão da própria Igreja sobre o aborto nem sempre foi como é agora. Por um simples motivo, o significado da "vida", ou se preferirmos o momento da "animação".

 

O estimado leitor deste blogue deve estar a pensar: mas o que é que o aborto e a eutanásia têm em comum? Muito coisa acredite. De facto, quando falamos em "pôr termo a uma vida" temos que nos lembrar que estamos a "pôr termo a uma vida" inanimada, sem autonomia, no fundo, e temos que ter coragem do afirmar, uma não vida.

 

Um bom católico reconhece, antes de mais, o valor do conceito família - por esse motivo, tem que dar a esta instituição o poder de acabar com o sofrimento de uma pessoa que ama e que não se pode libertar desse sofrimento, nem através do próprio suicídio. Esta é uma visão católica a favor da legalização da eutanásia.

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