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Risco Contínuo

Estrada dos bravos, blog dos livres

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Estrada dos bravos, blog dos livres

12
Fev09

- Era uma vez um país tão grande que não cabia no mapa. Certo dia, o presidente quis certificar-se da sua grandeza e mandou dois homens de fita métrica no encalço das fronteiras. Quando partiram teriam os seus trinta anos, mas nunca mais voltaram, até um caçador descobrir dois anciãos de metro e meio nas profundezas de uma floresta negra. Noé interrompeu aqui, com alguma falta de fairplay, para mostrar os seus dotes oratórios.

- Se fosse ao caçador, bang... Fuzilava-os por incompetência!

O baú devolveu, áspero.

- Ouça a estória até ao fim. E continuou:

- Entretanto, tinham passado sessenta anos e o país continuava por medir. O sucessor do sucessor do presidente, um homem de bom coração e com algum golpe de vista, entendeu que apesar do fracasso os anciãos mereciam a reforma. Com a pompa devida, juntou o povo, chamou os jornalistas e entregou-lhes um dominó, dois garrafões de tinto e uma bola de futebol coberta de autógrafos e enlaçada na assinatura de um jornal desportivo. Nesse mesmo dia, depois de dar voltas à cabeça, recrutou um militar, um consultor e um político, dos mais experimentados, para que os três prestassem o importante serviço ao país. Na manhã seguinte, voltou a juntar o povo e do alto da sua varanda florida anunciou a ditosa medida. Perguntais-vos o que teria levado o Presidente a encomendar os serviços de um militar, de um consultor e de um político? A mandá-los, de régua na mão, palmilhar o país, cuja grandeza se desconhecia? Por que desígnios patrióticos os incentivou a abdicar das famílias, dos prazeres mundanos, dos serões televisivos, para entregarem assim o seu futuro de mão beijada? Pois estes homens, cada um no seu ofício, já haviam extravasado as suas utilidades públicas e civis (refira-se aqui que o militar movia-se à paisana). E nada mais havendo para obrar, o mesmo será dizer que tinham todos obra feita, entendeu sua excelência, o presidente, recompensá-los, à uma, com uma missão ao nível das suas utilíssimas capacidades. Convém frisar que no final da palestra a multidão aplaudiu de pé, embora pelo semblante ninguém parecesse ralado com a notícia.

 

O rapaz bocejou, quase a bater uma soneca, como vira a certos elementos da oposição no hemiciclo.

- Conta outra – disse.

- Essa está muito chata. Conta uma de príncipes. O baú concordou. O interesse da estória parecia-lhe relativamente relativo. Assim, para desencrespar o clima, experimentou uma mais risível. Pelo menos em teoria.

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