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Risco Contínuo

Estrada dos bravos, blog dos livres

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Estrada dos bravos, blog dos livres

10
Fev09

 

Não, não vou bater mais no ceguinho. A série sobre a vida amorosa de Salazar já foi sobejamente comentada, dissecada, criticada, ridicularizada. Não ouvi ou li uma única crítica favorável, e acho que sei porquê: não lembra a ninguém transmutar a figura austera e sisuda de que me lembro ainda muito bem, num Don Juan capaz de inspirar paixões dilacerantes em todas as mulheres com quem se cruzava. Descontado o reconhecido afrodisíaco que sempre foi o poder, descontada a inteligência óbvia e - admito, embora relutante - alguma graça (teoria defendida por pessoas que lhe foram próximas), o meu estrogénio não consegue vislumbrar a carga de sedução que querem atribuir agora a um homem que a minha memória fixou sempre triste e de uma rigidez quase post mortem.

 

Sobre o absurdo da série, portanto, estamos conversados. Já nem falo dos erros de casting e da falta de conexão e ritmo das cenas, patentes nos dez minutos que aguentei.

 

Mas há uma conclusão que tiro desta história e que me alegra, seja a série boa ou má: é a de que já se pode, ao fim de quase quarenta anos, falar de Salazar neste país. Falar - quero eu dizer - sem ódios ou paixões irracionais, sem medos ou reverências, sem defesas cegas ou ataques alucinados. Ao fim de quase tantos anos de ostracismo quantos os que esteve no poder, Salazar transformou-se, finalmente, numa figura histórica que desperta curiosidade suficiente para ser o centro de uma série de entertenimento. Que merece ser estudada e analisada publicamente, como outra qualquer. E isso parece-me um claro sinal de amadurecimento do povo português.

 

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