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Risco Contínuo

Estrada dos bravos, blog dos livres

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Estrada dos bravos, blog dos livres

06
Fev09

Ao contrário da Ana Vidal, eu gosto muito de futebol, já aqui o disse várias vezes. O futebol para mim é um ritual de tribo, em que solto as minhas emoções básicas até à rouquidão. No estádio ainda salto como se tivesse 12 anos, porque "quem não salta é lampião”, canto, assobio e insulto a mãe do árbitro, a quem sinceramente não quero mal nenhum. Mais, tenho muita pena que “a bola” em Portugal não leve mais público aos estádios, gostava mesmo de os ver sempre cheios e vibrantes como acontece em Inglaterra e nalguns recintos espanhóis. Mas somos um país atrasado e pobre, cujo povo tem outras prioridades; o mais das vezes sobram-lhe só uns cêntimos para o jornal Record, e prá licença da TV Cabo, sabe Deus como.
Com o futebol vivem-se tão vertiginosas quanto efémeras alegrias e tristezas, euforias e desilusões que se curam depressa, com uma boa noite de sono e um pouco de juízo. Ontem num zapping pelos canais do cabo, encontrei o José Peseiro, antigo treinador do Sporting, a quem o entrevistador perguntava se o tinham marcado aqueles quatro dias loucos em 2005, em que a sua equipa perdeu a final da Taça UEFA e o título de Campeão Nacional para o arqui-rival Benfica. Foram dias alucinantes: ainda hoje me arrepio com o turbilhão de sentimentos então vividos. Mas o pior para mim ainda estava para vir: por baixo do meu quarto (moro num 1º andar) fica um pub onde habitualmente se juntam benfiquistas aos urros... e nesse Domingo a canalhada festejou a noite inteira... e eu não preguei olho – uma verdadeira tortura. O problema não foram as dores de cabeça, foram as dores de cotovelo.
Ainda assim, sempre que há jogo e a minha vida o permite, faço-me à estrada com o meu enteado e rumamos a Alvalade, de cachecol verde ao pescoço na esperança daquela fugaz alegria, dum momento mágico que nos leve aos píncaros numa mágica comunhão tribal. Onde é que já se viu alguém desanuviar das tensões nervosas a ler “Em Busca do Tempo Perdido” ou a ver o Canal Parlamento?
De resto, parece-me que o que faz mal aos portugueses não é futebol a mais ou a menos, mas antes um proverbial atraso cultural e uma congénita irresponsabilidade da qual nem a Europa nem o ensino obrigatório nos conseguiram ainda libertar. Mas isso já é outra história.
 

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