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Risco Contínuo

Estrada dos bravos, blog dos livres

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28
Jan09

Ficou decidido ontem o plano de reanimação económica da Alemanha, o maior da Europa. São 50 mil milhões de euros a aplicar durante 2009 e 2010. Do total, 12 mil milhões correspondem a estímulos fiscais a particulares: será aumentado em 4% o patamar abaixo do qual as pessoas estão isentas de impostos, além de que o escalão mais baixo ainda será aliviado. As medidas fiscais conjugadas visam deixar nas mãos de cada pessoa mais 8000 euros por ano (na Alemanha, não se atiram ideias vagas para o ar, quantifica-se, que é como combate o pessimismo quem o sabe combater).

Porque é que o plano da senhora Merkel é tão mais animador do que o do governo que temos?

Primeiro, porque a senhora Merkel tem o dinheiro. O défice alemão é zero e, mesmo com este estímulo, ficará dentro dos limites do Pacto de Estabillidade, abaixo dos 3%, portanto; a taxa de poupança dos alemães é a maior do Mundo, com 12% do rendimento disponível, e o endividamento é mal visto.

Segundo, a senhor Merkel nunca tergiversou sobre números, nem troçou das previsões de organismos prestigiados só por serem desfavoráveis, como também não acusou os media por as notícias serem más. Prestou atenção e preparou-se. À grande determinação não se sabe ao certo em quê, à vontade de fazer qualquer coisa seja o que for, ao esbanjamento de dinheiros públicos em manobras de propaganda, a chanceler alemã preferiu a sobriedade e a prudência, ou, nas suas próprias palavras, «medida e moderação», ma& und mittel.

Terceiro, faz sentido que o Estado alemão subsidie, invista e conceda regalias para ajudar particulares e empresas a sobreviverem o melhor possível aos próximos 2 anos. É que aquilo que gasta agora, mesmo endividando-se (com juros mais baixos, porque é um Estado fiável), tem meios para recuperar depressa. É que o Estado não asfixia a economia, nem estar nas suas boas graças se tornou requisito dos negócios. E a Alemanha vinha tendo superavit na balança de transacções correntes; e a Alemanha é o maior exportador  mundial, como indicam algumas de centenas de palavrinhas mágicas que ocorrem sem esforço a qualquer um ... Bosch, Mercedes, AEG, Krups, Faber, Osram, VW, e por aí.

Em resumo, da próxima vez que ouvir o Primeiro Ministro dizer que o investimento público é a solução (tem sido nos últimos 15 anos?) lembre-se que para a Alemanha e para nós o ponto de partida e as consequências são coisas inteiramente diferentes; e pergunte-se se não seria melhor, em vez disso, escolher a dura realidade em vez da aparência enganosa, e mudarmos todos de vida. De governo, para começar.

 

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