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Risco Contínuo

Estrada dos bravos, blog dos livres

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27
Nov08
O risco e os custos de ficar para trás

27.11.2008, Teresa de Sousa, in Público

 

1. O pacote de medidas para estimular a economia europeia que Durão Barroso apresentou ontem em Bruxelas foi precedido de um debate intenso entre os governos europeus e entre os próprios comissários. Havia várias "receitas" alternativas. Basicamente, houve quem defendesse a via do corte geral dos impostos (sobretudo do IVA, que facilitaria a coordenação europeia); quem preferisse cortes mais selectivos, privilegiando sectores e grupos sociais; e houve, finalmente, quem considerasse que a situação exigia um conjunto mais vasto e diversificado de instrumentos, incluindo os incentivos fiscais mas também o recurso à despesa e ao investimento públicos. Foi esta última via, mais ambiciosa, que acabou por prevalecer.

De algum modo, a mensagem da Comissão é consentânea com os tempos. O seu presidente sabe que testa nesta crise e neste pacote de incentivos económicos o seu prestígio à frente do executivo de Bruxelas e sabe que a crise não está para meias--medidas. Já o disse por várias vezes. O problema é que o plano, que ainda terá de ser aprovado pelos líderes na cimeira de 11 e 12 de Dezembro, por mais ambicioso e bem pensado que seja, perde credibilidade e pode perder eficácia a partir do momento em que não consegue disfarçar o bruaá e as divergências que precederam a sua apresentação.

O mal não parece estar desta vez na Comissão Europeia. Barroso percebeu a amplitude e a novidade da crise. A intuição de Nicolas Sarkozy parecia apontar na mesma direcção. Gordon Brown já provou que tenciona ser radical nas medidas destinadas a contrariar uma recessão que se afigura negra no seu país. O problema, como diz muita gente em Bruxelas e como tem escrito a imprensa alemã, mesmo a conservadora, é que a Alemanha parece ainda não ter percebido a gravidade da situação e que Angela Merkel continua a arrastar os pés. Ora, a liderança económica e política de Berlim seria sempre decisiva.

 

2. Numa síntese rápida, Maria João Rodrigues, antiga ministra e consultora da Comissão, aponta os riscos de uma resposta tímida e dos desentendimentos europeus. "Esta recessão vai ser profunda e vai demorar. Estamos apenas no seu início. Pela primeira vez, é globalizada. A China já tem um plano de recuperação muito ambicioso. Da nova Administração Obama espera-se o mesmo. Se a Europa não reagir ao mesmo nível e com a mesma ambição, pagará um custo alto quer ao nível financeiro, quer a nível social."

Jean-Paul Fitoussi, o economista francês, antecipava o mesmo problema num chat recente do Monde: "O país que está na linha de mira de toda a gente é a Alemanha, que não está muito virada para o relançamento, mas que tem um orçamento equilibrado e que tem, ainda por cima, um excedente externo." Ou seja, "tal como o Japão e a China, que estão a pôr de pé programas em grande escala", tinha as condições para o fazer.

O problema é recorrente. Também em Setembro, quando foi preciso reagir à crise financeira, os líderes europeus começaram por dar alguns passos em falso. Começaram por encolher os ombros e dizer que o problema era da América. Levaram algum tempo a perceber que também era com eles, que era de grandes dimensões e que era global. E mais algum a responder de forma concertada. Acabaram por se entender e reagir de forma eficaz.

Desta vez o desafio é ainda maior. Mas também parece maior a falta coesão e de liderança europeia.

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