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Risco Contínuo

Estrada dos bravos, blog dos livres

Risco Contínuo

Estrada dos bravos, blog dos livres

19
Ago19

Crónicas da Nau Catrineta


Sónia Ferreira

Parte 6

Valham-nos as mitocôndrias

 

Portugal dos pequeninos sempre me fascinou enquanto criança. Viver num mundo à minha escala parecia fascinante… As casinhas, as janelas tudo feito ao meu tamanho. Era perfeito. Sonhava viver assim.

Mas à medida que fui crescendo percebi que crescia também a minha visão e a minha compreensão do que me rodeava. E o Portugal dos Pequeninos deixou de me servir enquanto cenário idílico de aventuras.

Ao contrário de mim, há pessoas que ainda vivem o Portugal dos Pequeninos e que me trazem à memória aquela imagem da Alice no País das Maravilhas, quando come o biscoito e lhe saem as pernas pelas portas, os braços pelas janelas e a cabeça pela chaminé: recusam-se a acreditar na grandeza de um povo e de uma nação. Serve-lhes o pouco que têm, por muito desconfortável que seja. E se não têm mais, a culpa é dos outros.

Alguém me disse, e bem, que a culpa foi de D. Sebastião (coitado, tem as costas largas).

“Sabe Sónia…” diziam-me “D. Sebastião levou com ele os melhores homens. Os que ficaram foram aqueles que ou eram velhos e doentes, aqueles que para fugir à guerra, se fizeram de coxos, de cegos, de zarolhos ou tiveram a esperteza de se esconder na adega. Com D. Sebastião morreram os bons-homens, entende? A gana de Portugal morreu com eles…”

Atónita, fiquei alguns momentos embriagada em perplexidade.

Então não é que é verdade?! Foi tudo embora?!!

Mas o meu espírito crítico, científico emergiu da evidência primária e lembrei-me: Mas as mulheres não! As mulheres não foram. As mulheres não se perderam no nevoeiro! Espera lá!

É que existe um tipo de ADN que só herdamos das mães. O ADN Mitocôndrial. O espermatozoide usa as mitocôndrias para produzir energia e liberta-se delas, juntamente com a cauda, aquando da fecundação.

Uff!

Podemos ser descendentes de coxos, manetas, covardes mentirosos e preguiçosos, daqueles que se atiram para o chão a gritar penalti.  Mas somos também todos filhos da nossa mãe, essa mulher de cabelos escuros de arrecadas nas orelhas, que nas noites em que o vento assobiava e o mar rugia, nos ensinou a vencer Adamastores à pazada (e uns quantos espanhóis). Das mulheres que ainda amassam filhós, refogam no azeite e teimam em fazer-nos comer a última colher de sopa. Que são as primeiras a acordar e as últimas a dormir. Que nunca deixam nada por dizer nem por fazer. As nossas mães não nos criaram para isto! Para olharmos para o lado e fingirmos que não vemos! Para ignorarmos 1000 anos de história de tantas outras mulheres anónimas, que pariram Reis mas também camponeses, cientistas, pensadores e artesãos!

Valham-nos as mitocôndrias e o colo das nossas mães e deixemo-nos de desculpas para justificar a nossa inércia.

Arregacem as mangas, amarem o cabelo, desapertem a gravata ou calcem um salto de 15cm, o nosso país está à beira de uma crise bem pior que a económica: uma crise de valores, de carácter e de princípios.

Valham-nos as mães de Portugal.

Valham-nos as mitocôndrias.

06
Jul19

Crónicas da Nau Catrineta


Sónia Ferreira

Parte 5

A Balança de Anúbis e o valor da vida humana

 

Quanto vale a vida Humana?

Aparentemente 2 milhões de euros.

Só um momento!

2 milhões de euros se for uma vida singela, inocente, sem maldade e que nada entende do mundo, cuja única prioridade é respirar e sentir o aconchego da mãe…

Porque há vidas e vidas…

Por exemplo, quanto vale a vida de um banqueiro?

- Ah! Calma, calma não misturemos as coisas é que um banqueiro é um banqueiro!

Então… quanto vale a vida de um jogador de futebol?

- Eh lá! Com o futebol não se brinca!

Tudo bem. Deixemo-nos de brincadeiras então.

Podemos medir o preço da vida humana em helicópteros ou podemos continuar a falar em euros?

É que na Balança de Anúbis helicópteros, euros, medicamentos ou almas têm pesos diferentes…

Passo a explicar.

Anúbis, um dos deuses da mitologia Egípcia responsável pelo julgamento dos mortos, enquanto ouvia a declaração do finado, colocava o coração deste num dos pratos da sua balança. No outro prato colocava uma pena, símbolo de Maat deusa da verdade.

Ao ser pesado, o coração puro e verdadeiro deveria pesar o mesmo que a pena e seria dada a hipótese do defunto transitar para a vida após a morte e viver a eternidade do além.

Acontece que a “balança” dos Portugueses está avariada, o Anúbis português recebe por fora e a pena foi substituída por um calhau da calçada.

É preciso acordar para a vida e, de uma vez por todas dar valor ao que tem valor. Deixemo-nos de conversa fiada.

É que parece que tudo passa neste novo crivo social!

Não há nada suficientemente grave que abane as gentes?

Olho com perplexidade o que me rodeia e questiono: Mas os Portugueses andam anestesiados? O que é que andam a pôr na água?

Nada supera o valor da vida humana! Deixemo-nos de hipocrisias!

O momento da verdade está lá para todos. Todos.

Seja na balança de um ser sobrenatural seja na nossa própria consciência.

Deixemo-nos de coisas!

O manifesto faz-se nas urnas de voto. Não nas redes sociais ou na praça pública.

É tempo de mudar o rumo. Sem medos!

Porque o medo não tem peso na balança.

Só a verdade.

 

 

05
Jun19

Adivinha-se um verão quente


João Paulo Saramago

Adivinha-se um verão quente, não como o verão quente de 1975 com relatos como os que ouvi há dias contados na primeira pessoa por quem sofreu com atentados bombistas, incêndios, despedimentos políticos… mas, em todo o caso, um preocupante verão quente.

Adivinha-se um verão quente porque as temperaturas tendem a subir com as alterações climáticas constantes, porque sabemos com elas vêm a baixa de humidade e porque se aliarmos um pouco de vento… teremos fogos florestais que serão devastadores como já estamos habituados.

Adivinha-se um verão quente porque, uma vez ocorridos os incêndios florestais, teremos de contar com os nossos Bombeiros Voluntários que continuam mal equipados, com EPIs (Equipamento de Protecção Individual) obsoletos e que os colocam em perigo, com veículos desadequados para as deslocações que são forçados a fazer pelo País fora para reforçar os meios nos teatros de operação e com poucos meios aéreos que o governo teima em contratar em cima do acontecimento através de ajustes directos após deixar cair os concursos públicos.

Adivinha-se um verão quente porque será o verão dos meses que antecedem as eleições legislativas e o aproveitamento político dos partidos da frente esquerda será mais do que obvio, aliás, aposto como não veremos líder do governo de férias aquando dos incêndios à imagem do que ocorreu no verão passado.

Adivinha-se um verão quente também no plano judicial já que uma vez iniciados processos que envolvem autarcas ligados ao partido do governo esperamos atentamente que elações e responsabilidades serão apuradas, quantos mais estarão na teia e que proporções atingirão os ditos processos. Ai se fosse um governo de direita…

Adivinha-se um verão quente na segurança interna porque a agenda da esquerda teima em tentar colocar a população contra as forças de segurança e “diabolizar” os elementos que as compõem. Com a ajuda desvergonhada da comunicação social ficam os elementos que têm como missão zelar pela nossa segurança com o ónus da violência não lhes bastando as faltas de condições laborais, os poucos meios técnicos para agir, os vencimentos baixos e a precariedade habitacional aquando das suas colocações.

E com tudo isto… estamos quase no verão, para os mais distraídos é já dia 21 de Junho.

 

05
Jun19

Crónicas da Nau Catrineta


Sónia Ferreira

Parte 4

Lição de História

Isto de ter de educar pequenos seres humanos tem um revés. Às vezes são as crianças que nos ensinam qualquer coisa ou que nos mostram uma forma simples de olhar para questões complexas.
O meu filho pediu ajuda para estudar História. “Os Descobrimentos Portugueses são uma seca mamã.” Respirei fundo e pensei que tinha de dar a volta àquilo. Na geração do meu filho “tudo é uma seca” a menos que envolva botões, danças alienígenas e estímulo audiovisual. É, de facto, um problema ou simplesmente algo para o qual nos temos de preparar e adaptar.
Fechei-lhe os livros, desliguei-lhe o Ipad. Sentei-me com ele e expliquei-lhe de forma quase teatral o que foi para os homens daquele tempo meterem-se ao mar. Tentei fazer do discurso um relato de aventura com um ou outro toque Marvel, sem colar personagens históricas a um universo DC. Muito embora para uma criança de 11 anos heróis de capa e collants sejam bastante mais apelativos que marinheiros com escorbuto, temos de concordar.
Foi aí que me lembrei do “Mostrengo”. Sempre gostei do “Mostrengo”. É um poema que exalta as qualidades daqueles que tinham uma missão e que a cumpriram a custo próprio. É daqueles poemas que ainda hoje me arrepia sempre que o leio.
Arrisquei. Li lhe o Mostrengo e sem lhe dar hipóteses de entrar em modo “seca” passei à explicação.
- …E o capitão do barco olhou para a tempestade e pensou “Eu vou conseguir”. Pegou numa corda e amarrou-se ao leme. Alguns marinheiros cheios de medo esconderam-se no porão, mas outros fizeram o mesmo que o seu capitão e prepararam-se para passar o Cabo ou morrer ali.
- E não tinham medo, mamã?
- Tinham. Tinham muito medo. Mas naquela altura era assim. As pessoas tinham medo mas também tinham vontade. Tinham curiosidade de descobrir coisas novas, de levar histórias de locais diferentes para casa. Descobrir o mundo misterioso. Os portugueses eram assim, curiosos, destemidos e determinados. Descobriram muitas coisas e eram muito persistentes. Não desistiam de nada até lá chegar.
Os olhos do meu filho seguiam as palavras. Acreditei que tinha despertado a sua mente. Agora estava focado para estudar e olhar para os livros de outra forma. Missão cumprida, pensei. Mas ainda não tinha saído do quarto quando me voltou a chamar:
- Mamã…
- Sim filho.
- Onde estão estas pessoas? – questionou olhando para a imagem do livro que acabara de abrir. Eu percebi o que quis dizer. Afinal, é meu filho.
Suspirei profundamente. Depois uma ideia surgiu.
- Estão na Aliança. – Sorri e pisquei-lhe o olho.
Enfrentemos então, o Mostrengo.

 

15
Mar19

O ciclo PVA


João Paulo Saramago

Vivemos em Portugal nas ultimas décadas uma conjuntura que nos levou a uma descrença e um
afastamento da vida política, a um alheamento do que se passa, uma pouca participação cívica e uma
enorme abstenção aquando dos momentos eleitorais, sem que exista uma causa ou facto único que o
justifique. O que existe é, como na teoria do acidente, uma serie de causas que, em conjugação, levam a
este resultado.
Mas de nada nos adianta fazermos a autopsia a este fenómeno, importa sim olhar para o presente e
projetar o futuro, criar método e apontar soluções e sonharmos com uma sociedade mais esclarecida,
participativa e capacitada para a critica construtiva.
O desafio que aqui apresento é o de adotarmos o ciclo PVA, Pensar, Votar, Avaliar.
Pensar pode ser de igual forma deveras estimulante e extremamente doloroso. Somos invadidos
diariamente por pseudonotícias, informações avulsas, opiniões que manipulam e posicionamentos
politicamente (in)corretos ou moralmente enganadores que não nos deixam espaço para pensar de forma
lucida e independente. É necessário e imprescindível usar de um posicionamento critico que nos confira o
discernimento do que realmente acreditamos e queremos defender. Falta-nos igualmente colocarmo-nos
numa posição de desconforto ao expormos as nossas ideias e crenças àqueles que pensam diferente de
nós, sem medo do confronto da palavra, da argumentação e da contraposição para que consolidemos as
nossas posições sem receios de aprender ou deixarmos-mos influenciar positivamente por outras.
Agora que temos a nossa opinião, fruto de toda a informação que recebemos, validámos e tornámos como
certas, é chegada a hora de exercermos o nosso direito de voto. Eleger alguém para nos representar é uma
das mais nobres formas de exercer democracia, demonstra confiança e confere responsabilidade, mas não
devemos ficar por aqui, é necessário estarmos atentos, vigilantes e ativos de forma exigente. Se a
informação do que está a ser feito e da forma como o mandato está a ser conduzido não nos chegarem
podemos e devemos exigir explicações. Exigir que seja cumprido na eleição o que nos é prometido na
campanha, velar para que quem nos representa seja um espelho do que a nossa sociedade precisa e merece
e, implicitamente, que se pautem por comportamentos éticos e verdadeiros todos aqueles que por nós são
eleitos. Tudo isto num claro processo de avaliação que pretende, para além de chamar à responsabilidade
aquando do desvio de rumo ou do não cumprimento do que é pretendido, dotar-nos de capacidade para
voltar a entrar no ciclo e voltar a pensar, Votar e Avaliar.
Façamos agora um exercício de transposição do ciclo para a atualidade. Estamos perante um governo que
nos faz crer que existe crescimento económico, que nos diz que aumentou o poder de compra dos
portugueses, que nos tenta iludir com investimentos que ainda não fez, não sabemos se realmente os vai
fazer e onde vai buscar capacidade financeira para tal. Verificamos uma máquina bem oleada de produção
de notícias fictícias que pretendem substituir a nossa capacidade de pensar pela indução de informação.
Deparamo-nos com um espectro político parlamentar que, quando não está do lado do governo, está a
sorrir ao entendimento com este não exercendo oposição.
Urge portanto pensar por nós, pelas nossas ideias, pelos nossos valores e costumes, sem que nos deixemos
inquinar por opiniões tendenciosas e populistas, urge votar no Partido que pretende construir a mudança,
que se está a alimentar com pessoas comuns, grande parte delas sem passado politico, mas com grande

valor acrescentado e depois de avaliar iremos verificar que apostámos na mudança de paradigma que
Portugal precisa e merece.
Defender os interesses de Portugal, dos Portugueses e dos que aqui vivem, trabalham e produzem. Criar
oportunidade de crescimento para as empresas, valorizar o mérito e impulsionar a solidariedade. Há muito
a fazer, a missão não é fácil, mas a Aliança tem a motivação certa por Portugal.
Não nos esqueçamos: Pensar, votar e avaliar.
Viva o Aliança,
Viva Portugal.

05
Mar19

Crónicas da Nau Catrineta


Sónia Ferreira

Parte 3

Ministério da Doença que nos dá conta da Saúde

 

A Saúde é um bem estar completo. Físico, psicológico, emocional, espiritual e social.

No fim da trilha a que chamamos vida, apenas seguramos duas coisas: com a mão direita prendemos o tempo  e com a esquerda as memórias. Tudo o resto é fútil, tudo o resto é vago.

Acompanhei várias pessoas no seu último momento na Terra. Todas pediam mais tempo, todas pediam mais saúde para reterem as memórias do que foram e dos que lhes foram queridos.

Infelizmente não possuimos nenhum Ministério do Tempo. Secretário Geral dos Relógios ou Adjunto da Ampulheta seriam cadeiras interessantes de se ocupar.

Mas possuímos um Ministério da Saúde… ou melhor… um Ministério da Doença… já que tudo o que faz é focado não em preservar a Saúde (esse bem precioso) mas sim em minimizar os efeitos das pestilências e miasmas que alimentam umas quantas indústrias, entre elas a dos caixões.

Nada contra o negócio das funerárias, nem sei a quanto está o metro quadrado do caixão, mas talvez me deva começar a preocupar com isso. Por este andar será uma área de investimento.

Isto se deixarmos que a nossa saúde seja gerida pelo Ministério da Doença.

Eu gostava de ofertar um instrumento ao Ministério da Doença, muito útil por sinal. Já usado na antiguidade e que deu provas do seu valor. Essa coisa extraordinária a que se chama calendário.

Com alguma atenção e a ajuda deste objecto inovador conseguimos (pasme-se!) perceber que a saúde tem ciclos…

Por exemplo quando está frio vem a época da gripe (péssima para os idosos e crianças)

Quando está muito calor vem a desidratação e as queimaduras solares (péssima para os idosos e crianças).

 Um verdadeiro Ministério da saúde deveria focar-se em três áreas:

Prevenção: daquilo que pensamos que pode vir a suceder .

Profilaxia: daquilo que temos a certeza que vai acontecer.

Educação para a Saúde: para que nenhuma das anteriores volte a acontecer (ou que pelo menos não aconteça tanto ou de forma tão grave).

Em vez disso tomamos antibióticos sempre que nos dói a cabeça, destruímos a microbiota, potenciamos as bactérias multi-resistentes e tornamos viva a realidade alternativa dos filmes apocalípticos de Hollywood dessa malta anti-vacinas, que come placentas e que acredita que o Sol alimenta.

Será que estão todos envolvidos no negócio dos caixões?

Vai na volta o próximo funeral é o do SNS.

A ver se ponho na agenda…

 

27
Fev19

Cansado de tanto do mesmo


João Paulo Saramago

No dia 04 de outubro de 2015 votei nas eleições legislativas, as últimas que se realizaram. Não votei no partido que obteve 36% dos votos, nem no que obteve 10% ou 8% dos votos. Votei, como a maioria dos portugueses acreditando que poderíamos ter um País de contas certas, de crescimento económico, de melhoria de condições de vida…

Passados 3 anos e uns meses aqueles em que eu não votei são governo, os que dizem ser opção e oposição desiludem e alinham pela esquerda, vejo várias classes profissionais sem resposta para dialogar e para chegar a entendimentos e verifico que o governo teima em agir de forma eleitoralista apresentando medidas avulso sem qualquer nexo ou consequência.

A legislatura deste XXI Governo Constitucional começou com anúncios de fim da austeridade, aliás, já anteriormente em campanha eleitoral se tinha prometido e anunciado o fim da dita austeridade. Deu-se, portanto aos portugueses a entender que havia capacidade financeira para repor tudo o que foi anteriormente congelado por consequência da gestão desastrosa do governo daquele engenheiro que afinal o que tem é muitos amigos…

Temos os professores a reclamar 9 anos, 4 meses e 2 dias e um governo que não consegue cumprir o que prometeu, não tem competências de diálogo e entendimento e nem com a pressão do Presidente da República chega a um plano de pagamento do que é justo para estes profissionais.

Temos os enfermeiros a quem foi dado um presente envenenado, as 35 horas de serviço, sem que se tivesse discernimento para calcular as consequências e as necessidades que viriam a seguir. Fazem-se malabarismos e exigências legais para contrariar as greves dos enfermeiros e manipulam-se fatos e números para colocar a opinião pública contra esta classe profissional.

Temos o ministério público em luta contra as intenções de alteração da legislação com uma clara tentativa de ingerência naquela classe que se pretende independente e livre de pressões políticas.

Temos policias sem capacidade financeira para arrendar uma casa que vivem em situações deploráveis, esquadras da PSP e postos da GNR sem condições, falta de efetivos, escassez de meios, com carros que não têm condições para circular na via pública e uma taxa de suicido que teima em subir.

Mas temos um governo feliz com a sua coligação pós eleitoral, uma oposição que teima em lhe piscar o olho com fim a um entendimento futuro e ministros e mais ministros a serem lançados na vida politica com brilharetes enganadores anunciando medidas que não sabem se conseguem cumprir, e que não cumpriram nos últimos 3 anos por motivos que ninguém conhece, e com anúncios de intenções sem ações concretas como é o exemplo a apresentação de um dia de luto nacional pela violência doméstica quando não existem ações concretas para mitigar este flagelo da nossa sociedade.

Por tudo isto estou cansado…

Cansado mas não derrotado, cansado mas não convencido e muito menos vencido.

Por tudo isto é que aderi ao Partido Aliança, o Partido que fará a diferença, que fará melhor, que cumprirá o que prometer e não prometerá o que não for possível cumprir.

25
Fev19

Crónicas da Nau Catrineta


Sónia Ferreira

Parte 2

Uma questão de pobreza (e não é de espírito).

Sinto empatia por aqueles que nada têm. Sou enfermeira de formação e para mim a empatia é para o carácter, o que o citoplasma é para a célula.

Como qualquer outra mortal feita de carne, de sentimentos e alma perturba-me aqueles que dormem na rua e a quem a sociedade segregou. Questiono-me o que terá levado um ser humano ao fundo do fundo do poço, ao limite da pobreza.

 Que escolhas  terá feito, que decisões erróneas tomou, que passos o terão levado ali,  áquele átrio de escada ou áquele cartão fétido onde dorme…

Choca-me.

Quero estender a mão, libertar-me do ruído da cidade e escutar a história por de trás do indivíduo e perceber para tentar resolver.

E sim, a sociedade tem de ter estratégias e estrutura para actuar. É grave, não pode ser!

Mas há outras coisas que me chocam ainda mais. (será possivel, perguntais vós,  o que é mais chocante que a miséria… o fim da linha?)

O meu citoplasma agita-se e sim, há outros pobres que me deixam ainda mais incomodada.

Aqueles que se levantam da sua cama ás 5:30 da manhã para deglutir um café mal amanhado e apanhar o autocarro e depois o barco e o metro para chegar de forma pontual ao seu emprego, trabalham 10 horas e repetem a procissão há mais de dez anos e ainda assim… são pobres.

Aquelas que ás 6:00 conseguem tirar os dois filhos da cama depois de terem preparado os seus lanches e almoços repletos de hidratos de carbono, glúten e açucares saturados. Deixá-los na escola, ir trabalhar e voltar para os vir buscar com o melhor sorriso de mãe, perto das 20:00, a cheirar a lixivia ou a choco frito, fartas de trabalhar e ainda assim… são pobres.

Aqueles que investem numa profissão, têm uma carreira, orgulham-se de ser “formados” mas devem dois recibos da luz, sobra espaço no frigorífico e não se podem dar ao luxo de faltar quando vem a gripe A porque afinal até têm um canudo e… são pobres.

Preocupa-me aquela grávida que vem à consulta e diz que a partir do dia 10 de cada mês já não pode comprar fruta e vegetais frescos porque… é pobre.

Chocam-me aqueles que, trabalhando afincadamente são pobres.

Mantém a máquina a rodar, pilares da nossa sociedade, alicerces da nossa vida, classe média emagrecida que é: pobre.

Rotina diária, sem expectativa, trabalhar por trabalhar porque esta é a nossa vida.

Produzir mais e melhor para quê se vou ser pobre, sempre fui, sempre serei, mesmo que sue o sangue porque as lágrimas já se foram e ainda assim o despertador toca e não posso chegar atrasado..

E agora vem o Natal e o que é que vou dar às crianças…

E lá vem o senhorio, vou olhar para o lado…

E conta aí as moedas a ver se dá para o fiambre e diz que te esqueceste do cartão em casa…

E que é que vou inventar para dar de jantar hoje?

Choca-me.

 

A vida é dura para quem (não) é mole.

 

16
Fev19

Este é o novo Risco Contínuo


Pedro Quartin Graça

 

2019 é um desafio para todos. Para este blog também. Foi a pensar nos Portugueses e em Portugal e no seu futuro que formámos uma nova e renovada equipa que publicará este blog. Um conjunto de personalidades de enorme relevo na vida nacional, nos seus diversos domínios de actuação, escolhidas a dedo pelo seu mérito, e que aqui estarão, da forma mais regular possível, para dar a sua opinião e trazer soluções ou pistas para o futuro do País e do mundo. Sejam bem-vindos! 

Pedro Quartin Graça

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