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Risco Contínuo

Estrada dos bravos, blog dos livres

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24
Nov16

Ainda a propósito da tão propalada Ética Republicana

José Aníbal Marinho Gomes

Hoje na RTP3 o eurodeputado Paulo Rangel falou da confusão de interesses e da falta de ética repúblicana, referindo-se à participação de António Domingues em reuniões com responsáveis europeus sobre o banco público quando ainda estava no BPI.

Penso que o Dr. Paulo Rangel, ou Sr. Paulo Rangel como gosta de ser tratado, confundiu o conceito de ética acrescentanto o vocábulo "republicana".

Sobre a ética republicana aconselho-o a ler um artigo que recentemente publiquei a páginas 11 e 12 da Real Gazeta do Alto Minho, n.º 9 - Setembro, que se transcreve.

 

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etica 11.png

A esquerda não tem legitimidade para falar em ética e a direita também não!

 

Nos últimos anos surgiu como uma bandeira, no discurso político português, a expressão "ética republicana", importada pelos socialistas portugueses do jacobinismo do PS francês e secundada por partidos à esquerda e à direita do Partido Socialista Português.

Não existem duas éticas, uma republicana e outra monárquica. Ética há só uma e não é propriedade de ninguém.

Não raras vezes observamos os defensores do regime republicano saírem à liça com este chavão, sobretudo quando se apercebem que o regime está em crise. Só um regime moribundo, onde abunda a corrupção, tem tanta preocupação em dar ênfase a esta propalada ética, que deve ser comum a todos os regimes.

Mas afinal o que é a ética?

O vocábulo “ética”, deriva do grego ethos e, grosso modo, poder-se-á entender como um conjunto de valores morais e princípios que orientam a conduta humana na sociedade, contribuindo para que esta funcione correctamente e relaciona-se com o sentimento de justiça social, embora não se deva confundir com o Direito.

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Pessoalmente, sou daqueles que ainda acredita que é possível a coexistência entre ética e a actividade política. Mas na política não é apenas o interesse individual que está em jogo, mas sobretudo os interesses de toda a comunidade, que se manifestam pelas acções dos indivíduos: quando alguém é eleito para um cargo público é porque os eleitores nele depositam plena confiança e esperam que o mandato seja exercido de acordo com um determinado padrão ético e moral, isto é, que o eleito, enquanto representante de quem o elegeu tenha uma conduta ética compatível com o exercício do cargo público para o qual foi escolhido. Porém, situações há, em que aquilo que aparece como algo imprescindível ao bem comum, oculta, muitas vezes, o interesse pessoal do profissional da política…

Porque será que me recordo de ministros do Estado (ou da res publica) que, quando saem do Governo vão ocupar altos cargos em empresas privadas ou no Banco estatal ou de deputados que exercem profissões liberais e estão em part-time no Parlamento?

Estou cansado de ouvir falar de tantos escândalos na política e começo a compreender a apatia e até mesmo a rejeição de muitos cidadãos pelos políticos em geral, consequência direta da forma como a actividade política e a governação são conduzidos pelos nossos governantes.

Tal como eu, os cidadãos estão cada vez mais, dispostos a mobilizar-se pela “moralidade pública”. BASTA! BASTA de escândalos de corrupção envolvendo algumas das mais importantes empresas e políticos do país: Operação Furacão, Face Oculta, Freeport, Operação Marquês, Submarinos, caso BES, etc. BASTA de promiscuidade entre os políticos e o poder económico: Maria Luís Albuquerque e Arrow Global; Durão Barroso e Goldman Sachs; Fernando Rocha Andrade, João Vasconcelos e Jorge Costa Oliveira, Secretários de Estado com viagens pagas ao Europeu de Futebol por uma grande empresa privada. 

A crise política que Portugal atravessa, leva-nos a reflectir sobre o problema da ética na política. Nenhuma profissão devia ser mais nobre do que a política, pela influência que qualquer político tem sobre a vida dos cidadãos.

Só se justifica a actividade política se o político tiver o espírito da «res pública», ou seja, se suas acções se dirigirem para o bem público. 

A ética da responsabilidade deveria prevalecer no panorama político português. Todavia constantemente nos deparamos com injustiças e imoralidades, exemplos diários de oportunismo, tráfico de influências, suborno e corrupção.

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Infelizmente o único objectivo da classe política portuguesa continua a ser o da sua permanência no poder. E em democracia temos uma forte arma para modificar este estado de coisas - o voto.

Está na altura de acabar com a alternância democrática entre os dois maiores partidos políticos portugueses – ou, como antigamente se chamava, a rotatividade (o agora sou eu, depois és tu e a seguir sou eu outra vez...), que ocupam o poder há mais de 30 anos e se esqueceram da verdadeira missão de governar.

Porém, enquanto os portugueses votarem por tradição ou em troca de favores, procurando satisfazer o bem próprio, não teremos grandes avanços… Se os portugueses deixarem de estar reféns do chamado “voto útil” e se não votarem nos partidos que fazem compromissos em várias direcções para alcançar maiorias, ainda que depois tenham que ceder para os parceiros, nas questões fracturantes da sociedade portuguesa (como por exemplo casamento entre pessoas do mesmo sexo, a eutanásia, etc.) ou que escondem as grandes divisões internas até alcançarem o poder, mas votarem naqueles que defendem ideias credíveis, que apresentam projectos sérios que levem a uma evolução nas mentalidades, podemos iniciar o bom caminho.

Voltemos à ética republicana e veja-se afinal o que na realidade, pretendem os seus defensores, como escrevi em 2010 no Jornal “O Povo do Lima”.

«O coordenador das comissões universitária e autárquica de Coimbra para as comemorações do Centenário da República, Carvalho Homem, professor da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, afirmou ao jornal “Diário de Coimbra” do dia 6 de Outubro de 2010 que os monárquicos devem saber “manifestar-se dentro da legalidade”, e prosseguiu: “Nós republicanos e democratas não queremos que os monárquicos desapareçam. Achamos até muito bem que se manifestem, mas que saibam manifestar-se dentro da legalidade”. Afirmou ainda que a coexistência entre monárquicos e republicanos “poderá continuar a fazer-se” desde que os apoiantes da monarquia “desfraldem as bandeiras nos seus centros monárquicos, mas não invadam espaços públicos republicanos”».

Lamentáveis as declarações deste prof. catedrático, e que representam o conceito de liberdade para os republicanos: Os monárquicos só se podem manifestar em centros monárquicos e não em espaços públicos republicanos. Então quem não for republicano não se pode manifestar em espaços públicos? E mais: o que são espaços públicos republicanos? Os espaços públicos não são de todos os portugueses? Defenderá ele que os sportinguistas só podem comemorar as vitórias do seu clube dentro do estádio de Alvalade?

E como podem os republicanos falar de legalidade? Pode aquele professor nomear manifestações monárquicas fora da lei? Ao invés, a república, em Portugal, está assente em dois homicídios - de quem era, de acordo com as normas constitucionais, o Chefe de Estado, e do seu filho - e no desrespeito pela lei fundamental – a Constituição – ao tempo em vigor e isto, sim, é que são ilegalidades!

Só os republicanos é que são democratas? Então a mais velha democracia do mundo – a Inglaterra – não é uma monarquia?

Para além destas infelizes declarações, Carvalho Homem deixou um aviso: “se os monárquicos forem para o trauliteirismo antigo terão de se medir com os republicanos, porque nós também não voltamos as costas à luta”. Faz lembrar aquela de que “quem se mete com o … leva”!

Por aqui se vê como a república está em crise. Os seus defensores já recorrem à ameaça e ao insulto.

Afinal para que serviu o 25 de Abril de 1974? É ou não verdade que esta revolução restituiu aos portugueses a democracia parlamentar, a liberdade de expressão e de reunião e o princípio da igualdade que estavam consagrados nas constituições monárquicas e que foram retiradas da constituição republicana de 1933?

A confusão e a necessidade da exaltação da palavra república foi e é tanta que o actual líder do Partido Democrático Republicano, Marinho e Pinto, durante o seu mandato como Bastonário da Ordem dos Advogados, na abertura de um ano judicial, numa passagem do seu discurso ao referir-se ao elevado valor das taxas de justiça, que se pratica em Portugal, afirmou que: «… É altura de pôr um fim a esta situação, tão escandalosa quanto é certo que em Espanha, aqui mesmo ao lado, a justiça é gratuita. A gratuitidade da justiça é hoje uma exigência da cidadania republicana…». Comentários para quê? É mais um exemplo do que é praticado num país monárquico pois Espanha não é uma república! E mantém-se uma monarquia, após referendo…

Torna-se imperioso incutir uma nova maneira de estar na política. E deve ser dada voz aos cidadãos permitindo que não só os partidos políticos mas também os movimentos de cidadania, possam eleger membros para o Parlamento.
Portugal pode mudar se tivermos a coragem de traduzir em acções os nossos princípios, e se possuirmos a vontade de ser Portugueses e de ser Livres.

etica.jpg

Não posso deixar de citar o brilhantíssimo Eça de Queiróz com um pensamento perfeitamente actual: “Portugal está a atravessar a pior crise “Que fazer? Que esperar? Portugal tem atravessado crises igualmente más: - mas nelas nunca nos faltaram nem homens de valor e carácter, nem dinheiro ou crédito. Hoje crédito não temos, dinheiro também não - pelo menos o Estado não tem: - e homens não os há, ou os raros que há são postos na sombra pela política. De sorte que esta crise me parece a pior - e sem cura.” (Eça de Queirós, in “Correspondência”, 1891, negrito e sublinhado nossos).

08
Set09

II Master de Verão do IDP

Pedro Quartin Graça

O II Master de Verão em Política do IDP - Instituto da Democracia Portuguesa -  vai  ter lugar em Lagos no fim de semana de 11, (jantar de abertura) 12 (dia todo) e 13 de Setembro (manhã) de 2009.

Existem 60 vagas. Valor de Inscrição: 120€. Valor p/Associados IDP: 60€ (50% Desconto) Inscrição inclui Alojamento (2 noites) + 2 Peq. Almoços + 2 Jantares no Suite Hotel Aqualuz Lagos **** (n/incluídos os almoços de sábado e de domingo, 15€ /cada)

O pagamento pode ser feito por transferência para o NIB 0035 0001 0003 1560 4303 6 CGD ou por cheque à ordem IDP enviado para a sede Av. Elias Garcia, nº10, 1º Esq. 1000-149 Lisboa

Informações sobre inscrições com o coordenador IDP do Algarve: Paulo Rosário 963914392.

 

Palestrantes e Conferencistas por ordem de intervenção: Fernando Nobre, Raquel Paradela Lopes, Adolfo Mesquita Nunes, Constança Martins da Cunha, Mendo Castro Henriques, Manuel Augusto de Almeida, Pedro Vaz, José Adelino Maltez, Rodrigo Moita de Deus, Rui Castro, Marta Rebelo, João Palmeiro, João Maria Condeixa, Gonçalo Ribeiro Teles, João Evangelista, Jack Soifer, Nuno Marques, Paulo Rosário, Frederico Brotas de Carvalho, Pedro Lomba, Henrique Raposo, Luísa Janeirinho, Ricardo Gomes da Silva, João Titta Maurício, Medina Carreira e D. Duarte de Bragança.

08
Set09

Inesperadamente...em Braga

Pedro Quartin Graça

Estive ontem em Braga numa acção de apresentação do candidato do MPT à Câmara local, o advogado Miguel Brito. Fui muito bem recebido e acção contou com uma arruada extremamente participada, animada por um grupo de entusiásticos músicos locais. No final, festa desfeita, deixei-me estar sentado na simpática esplanada do Café Viana, ex libris da cidade na boa companhia do meu colega António Arruda. Repentimente, aproximou-se um jovem entre os 18 e os 20 anos. Vem dar-me os parabéns pelo trabalho que desenvolvi enquanto deputado na AR na X Legislatura e desejar-me felicidades para o futuro. Confesso a minha surpresa por, não só ter sido reconhecido em Braga por um jovem (manifestamente atento e informado!) como pelo inesperado do elogio, coisa muito rara nos dias que correm e em que aqueles que estão na política são classificados todos pela mesma (baixíssima) bitola.

A verdade é que não fiz mais do que a minha obrigação já que foi para isso que fui eleito. Mas o reconhecimento tocou-me bem fundo. É nestes momentos que a política é bonita!  

27
Jul09

Obrigado, Miguel Vale de Almeida

Duarte Calvão

Tenho que admitir que nunca segui o percurso político de Miguel Vale de Almeida, nem aquilo que escrevia. Isso não signifca menosprezá-lo, é apenas a escolha natural de alguém que dispõe de pouco tempo e não se identifica com a esquerda. A recordação que tenho dele é a participação num "Prós e Contras" relativamente recente, sobre o casamento entre homossexuais, em que ele me parecia o elemento mais moderado e inteligente entre outros defensores da medida, que mostravam com muchochos de desprezo e incredulidade o seu desdém pelo "atraso" daqueles que a ela se opunham, exercício especialmente praticado por uma jurista, Isabel Moreira.

Pois bem, não tinha posição definida sobre a questão, mas, antes desse debate,  cada vez me inclinava mais para aceitar esse "casamento", achando que, pronto, se isso é tão importante para a vida de certas pessoas é deixá-las, por muito que a mim me espante ver que, no século XXI, tanta gente pense que o casamento é a única forma "digna" de um casal viver junto. Porém, no final desse "Prós e Contras", creio que em diálogo com o padre Vaz Pinto, Vale de Almeida teve uma frase que me fez mudar de posição em favor da tal forma de "união" que existe em Inglaterra. Posto perante essa possibilidade (cito de memória), Vale de Almeida recusou-a terminantemente, dizendo que queria "tudo ou nada". Ou seja, queria a tal "dignidade" que ele e outros activistas dos direitos dos homossexuais julgam que só existe no casamento, em vez de resolver na prática os problemas que esses casais do mesmo sexo enfrentam nas suas vidas. A partir daí, pareceu-me que as posições a favor do casamento entre homossexuais ficaram acantonadas à esquerda, àqueles que, em nome de um igualitarismo cego, usam estes temas apenas para atacar a "direita", a "tradição", a Igreja Católica e tudo aquilo que eles consideram "atrasado" segundo uma cartilha datada do século XIX. Não posso estar de acordo com essa visão e agradeço a Vale de Almeida ter-me ajudado a compreender qual é a minha posição.

Dito isto, parece-me que Vale de Almeida é uma pessoa civilizada e culta e que não vai trazer mais ódio para a política portuguesa. Espero que dê um bom deputado, por muito que eu não esteja de acordo com ele.

24
Jul09

E num instante tudo muda!

João Távora

Miguel Vale de Almeida candidato a deputado nas listas do Partido Socialista

 

Sem princípios, sem Política, Miguel Vale de Almeida escreveu em 25.07.2008:

Esta ausência de convicções - esta ausência de política com P grande - nota-se mais ainda quando Sócrates saca do argumento do pragmatismo e dos interesses de estado. Usa-o quando visita ditaduras e regimes quejandos, da China à Líbia, a Angola, ou quando recebe o presidente da Guiné Equatorial (acolhendo-o na CPLP). O pior é que nem se fica por aí: é comum elogiar os governos e líderes locais. Nada disto é “obrigatório” na diplomacia, nem em nome dos interesses económicos, e nem todos os líderes da sua área política o fazem. É assim, através desta curiosa pedagogia política, que um país inteiro vai tranquila e pragmaticamente encolhendo os ombros e repetindo os mesmos gestos de falta de princípios a todos os níveis do sistema, das autarquias às empresas e às famílias.  

 


O novo realismo socialista, por Miguel Vale de Almeida:
A cultura é um bocadinho a mesma: não interessa nada discutir e debater ou sequer saber o que se está a discutir e debater. O que interessa é avançar. Seja no “Tratado de Lisboa”, seja no Regime Jurídico das universidades. Se se levanta o dedo e se pede que haja debate e informação, já para não falar em referendos e democracia, a resposta é invariavelmente a acusação de “ideologia” e a defesa do “pragmatismo”. A cultura é um bocadinho a mesma porque o pessoal é um bocadinho o mesmo, o bolo também e dos apetites então nem se fala. São os novos pragmáticos anti-ideológicos, só que agora não são pundits de direita vendendo best-sellers. Agora são os socialistas. É o realismo socialista.


O novo realismo socialista, por Miguel Vale de Almeida:
A cultura é um bocadinho a mesma: não interessa nada discutir e debater ou sequer saber o que se está a discutir e debater. O que interessa é avançar. Seja no “Tratado de Lisboa”, seja no Regime Jurídico das universidades. Se se levanta o dedo e se pede que haja debate e informação, já para não falar em referendos e democracia, a resposta é invariavelmente a acusação de “ideologia” e a defesa do “pragmatismo”. A cultura é um bocadinho a mesma porque o pessoal é um bocadinho o mesmo, o bolo também e dos apetites então nem se fala. São os novos pragmáticos anti-ideológicos, só que agora não são pundits de direita vendendo best-sellers. Agora são os socialistas. É o realismo socialista.


Sobre os actuais deputados do PS, Miguel Vale de Almeida, em 7.10.2008:

Quais zombies políticos sem espinha, obedientes ao partido-empresa, perdidos num século XXI a que não pertencem, que descansem em paz. Se puderem. 

 

Ainda sobre os actuais deputados do PS, Miguel Vale de Almeida, em 10.10.2008:

Os acontecimentos de hoje confirmam outra velha suspeita: de que o verdadeiro problema do PS, enquanto partido-empresa-de-governação, é a maioria dos seus deputados serem pessoas sem qualquer pensamento político, sem ideologia, sem qualquer ligação “genética” à social-democracia.

 

 


 

 

 

Via Rui Castro no Sábado - Blog De Direita

16
Jul09

A Constituição da República Portuguesa não vale a ponta dum chavelho

João Távora

Alberto João jardim é sempre polémico. Mas não deixa de ser curioso como, do meio duma sua excêntrica proposta de revisão constitucional, seja o ponto mais coerente e pacifico, aquele que propõe que a Constituição interdite o comunismo a exemplo da explicita proibição do fascismo, aquele que embaraça o seu partido e choca os apaniguados da Inquisição Regimental.

Aliás é bom de ver que o único partido que votou contra a actual Constituição, uma lei pouco fundamental, completamente politizada e marcada pela conjuntura revolucionária da época, foi o CDS.
Simplificando: entre os regimes opressivos e sanguinários do século XX destacaram-se os Comunistas e os Fascistas. Porquê preterir um deles? O facto é que isso não interessa nada, nesta mascarada hipócrita em que vivemos.

 

24
Jun09

Isto é só aqui a gente a falar... *

João Távora

Vamos ser claros, Duarte: tendo em conta a matriz do eleitorado do PSD, um novo partido deveria chegar-se à Direita desimpedindo o espaço ocupado pelos socialistas. Como tenho repetido aqui, uma bipolirização do espectro partidário seria uma oportunidade para a regeneração da democracia: urge um espaço unitário de direita. Considero que ao fim de mais de trinta anos de “centro” a Direita merece uma oportunidade, como a que esteve para acontecer antes da demanda totalitária do 11 de Março de 1975 interromper uma formidável dinâmica de vitória patenteada pelos PDC e CDS que equacionavam uma aliança. Desde aí que a Direita foi amaldiçoada e erradicada do mapa da nossa peculiar democracia.

E depois caro Duarte, não deves temer a "questão liberal": no caso português, em que o estado pesa mais de metade do PIB essa é uma questão patriótica. Sabemos o que quase quarenta anos de planificação "socialista" tem causado, por exemplo, na administração do território e no património arquitectónico: sempre em benefício duns quantos apaniguados patos bravos. Suspeito que de uma coisa o povo se vem apercebendo: o “centrão” não regula bem.

 

* infelizmente...

19
Jun09

Refundar a Direita

João Távora

Como já conversámos ontem ao jantar, caro Duarte Calvão, eu também refundava a Direita. As soluções actuais em torno do “centrão” estão gastas e estafadas: se bem me lembro, na última experiência governamental à direita, e perante as intenções reformistas manifestadas, o roído de fundo das corporações, dos sindicatos e comunicação social tornou-se ensurdecedor meia legislatura antes do que veio a suceder com José Sócrates, que não aproveitou o espaço que lhe foi dado. Assim, e tendo em conta a ingovernabilidade do país e o abismo para o qual caminhamos alegremente, eu considero que tarda o tempo de regenerar o sistema e da direita assumir finalmente uma face em Portugal. Uma coisa que passaria por juntar a direita Social Democrata com o CDS e quem mais se lhes quisesse aliar, liberais inclusive, num bloco unitário para a reabilitação da política portuguesa: o “centrão” está descredibilizado. De resto, caro Duarte, quanto "ao de César ou de Deus", não me parece que proteger os valores de defesa da vida e da família sejam opções unicamente religiosas. Para mais desconfio que a maioria dos portugueses tolera mal a libertinagem no ensino, as revoluções nos costumes, os histerismos fracturantes, e, last but not the least, identifica-se ou no mínimo respeita a Igreja Católica e a sua obra. Acredito que este seria um bom desafio para abandonares o teu “espaço de afecto”, pois que um projecto deste calibre, teria que ter denominação própria e novas estruturas.

19
Jun09

Um partido desperdiçado

Duarte Calvão

Escrevi  aqui há uns tempos um post sobre o CDS que foi visto por várias pessoas, entre as quais o nosso João Távora, como um pedido para a extinção do partido. Como estávamos em campanha para as europeias, com os ânimos quentes, não quis voltar ao assunto para não ser mal interpretado. Mas agora, tanto mais que o CDS já festejou a sua sobrevivência perante as sondagens e confirmou a sua posição como quinto partido português e último entre os que têm presença no Parlamento, esclareço que acho que ninguém, a não ser os seus militantes, tem direito de pedir a extinção de um partido, seja ele qual for, e eu próprio reajo mal quando vejo alguém que não é do PSD andar a dar sentenças sobre a sua vida interna.

Porém, reafirmo que considero um desperdício ver os bons quadros que o CDS tem andarem a gastar tempo e energia a tentarem distinguir-se do PSD, em nome de uma pureza ideológica que não possuem. É verdade que o CDS está mais próximo das posições da ortodoxia católica e que o PSD é mais "a César o que é de César e a Deus o que é de Deus", mas não me parece que os sociais-democratas sejam propriamente anti-clericais...

Ou seja, acho que o CDS e o PSD deveriam formar um só partido. Aliás, pertencem já à mesma família ideológica europeia, o PPE. Acho até que, mesmo que o PSD ganhasse as próximas legislativas por maioria absoluta (numa hipótese que não se vislumbra), deveria chamar o CDS, ou pelo menos alguns dos seus quadros, para o Governo. Eu sei que há muita gente no PSD que considera vantajoso ter um partido mais à direita, deixando os eleitores do "centro" ou mesmo do "centro esquerda" mais propensos a votar laranja, ou que o CDS capta certos votos "marginais" ao sistema de gente que considera os sociais-democratas perigosos esquerdistas, etc. Mas eu troco todas essas teorias por ter mais gente de qualidade num partido com acesso ao poder.

Para mim, os partidos são instrumentais, não são "espaços de afecto". O que interessa é que haja gente competente e séria para exercer o poder. Ver que o grande objectivo do CDS para as próximas legislativas é atingir os dois dígitos e derrotar as sondagens mais uma vez, parece-me pouco. Mas se já resolveram a questão da equidistância em relação ao PS e querem voltar ao Governo numa coligação com o PSD, porque não assumir de uma vez por todas que há muito mais a unir do que a dividir?

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