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Risco Contínuo

Estrada dos bravos, blog dos livres

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Estrada dos bravos, blog dos livres

03
Dez13

A Igreja de Francisco.

João Ferreira Dias

Exortação Apostólica do Papa Francisco tornou-se num curioso campo de debate, colocando a «esquerda» e a «direita» a repensarem a sua leitura papal. A descoberta da Doutrina Social da Igreja por parte da Esquerda Europeia – bem a propósito do contexto político-económico-social vigente, numa época em que o desassossego é tão premente quanto real, e tão urgente quanto instrumentalizável – e o abanão dos alicerces ideológicos-cristãos edificados pela Direita Europeia são, na mesma medida, fatores risíveis, ou seriam, se na verdade não revelassem, per se, a longa cortina erigida entre a doutrina fundacional da Igreja e o seu longo discurso histórico a propósito da vida em sociedade.

 

A  Doutrina Social da Igreja nasce com a encíclica Rerum Novarum, do Papa Leão XIII, a 15 de maio de 1891. Embora se constitua como uma data de  viragem das preocupação vaticanas a propósito do capital, do trabalho e da pobreza – em rigor sob as flores do maio de Das Kapital de Karl Marx  e como contrarresposta da Igreja, numa verdadeira lógica de «via alternativa» - ela apenas retoma –retenha-se – os primórdios doutrinários da Fé de Cristo.

 

Quer isto dizer, ipsis verbis, que doutrinariamente a Igreja sempre foi – reconhecendo o «realinhamento retrospetivo», recorrendo aos termos de Arthur Danto, e o respetivo cuidado necessário – de «Esquerda». Pelo menos naquilo de que a «Esquerda» é mais fundacional: a pobreza, a solidariedade, a igualdade, a liberdade, e a justiça equitativa. Não obstante, ao sabor dos contextos, e na promiscuidade entre a Santa Sé e o poder político, foi-se construindo a ideologia da Igreja. Portanto, enquanto dogmaticamente a Igreja é por definição de «Esquerda», o seu substrato social foi e é de «Direita». Os meandros da realeza e do clero são bem prova disso. Ademais, as oposições da Igreja aos métodos contraceptivos, às relações homossexuais, ao aborto, etc., não têm necessariamente a ver com a Doctrina Christiana mas antes com modelos de sociedade construídos nas margens do Advento Messiânico. 

 

[também ali]

09
Jan13

Bento XVI, Doutrina Social e Falsa Direita

João Ferreira Dias

No ano letivo anterior lecionei uma cadeira chamada Socioeconomologia Política do Mundo Contemporâneo, um palavrão para uma viagem pela Doutrina Social da Igreja. Isto a propósito da mensagem papal de Ano Novo, na qual Bento XVI fala em "capitalismo financeiro desregulado" e numa crescente tensão social em função das assimetrias entre ricos e pobres. A certas "esquerdas" o discurso papal pareceu novo e revolucionário, coincidindo com uma mensagem socialista universal, o que constituiria uma renovação ideológica da Igreja. A leitura está, contudo, incorreta. Simultaneamente, segmentos à "direita" entenderam a mensagem Papal como um atentado aos ideais conservadores da Igreja, como "esquerdalhos" e incitadora de ódio aos ricos. Leitura, também ela, errada.

A doutrina social da Igreja nasce com a encíclica de Leão XIII intitulada Rerum Novarum, datada de 15 de Maio de 1891. Trata-se de uma carta sobre a condição da classe operária no seio da Revolução Industrial, ao mesmo tempo que incentiva o patronato e a burguesia urbana à prática da caridade, melhorando as condições de vida dos desfavorecidos e seguindo o exemplo de Jesus. Naturalmente que estão presentes ideologias sociais, como a manutenção do status quo de uma sociedade bem demarcada hierarquicamente entre burguesia, clero e povo, herdeira da velha lógica de nobreza, clero e povo. Em todo o caso importa ter presente o seu contexto, marcado pelo avanço do socialismo utópico e de uma leitura específica da sociedade. Não obstante trata-se de um exercício político em função dos pobres levado a cabo pela Igreja Católica, que não termina com Leão XIII mas com ele se funda. As encíclicas Quadragesimo anno, de Pio XI, Mater et magistra, de João XXIII, Populorum Progressio, de Paulo VI, Sollicitudo rei socialis, de João Paulo II e Centesimus annus, de João Paulo II, são a continuação e a reatualização da doutrina social da Igreja em resposta aos novos tempos. Destaco ainda a encíclica Populorum Progressio de Paulo VI após o Concílio Vaticano II, e que trata da assimetria entre países ao nível do desenvolvimento, da cooperação pela paz e contra a pobreza, sendo uma mensagem política liberal e que responsabiliza as instituições internacionais pelo fosso entre ricos e pobres.

Portanto, neste capítulo, não poderia determinada "esquerda" estar mais desinformada e certa "direita" mais esquecida. É precisamente a direita que se assume como cristã que tem cimentado as assimetrias sociais, que tem dado com uma mão e tirado com a outra, que tem a caridadezinha como ação social, sem levar em linha de conta a renovação conceptual levada a cabo pela Igreja, como expliquei aqui a propósito de Isabel Jonet. Portanto, de nada serve bater com a mão no peito diante dos altares e praticar o inverso à mensagem papal em matéria de solidariedade.

Naturalmente que a Igreja Católica portuguesa tem, ela própria, um longo caminho a percorrer em matéria de opção ideológica, particularmente quando apela à serenidade e à pobreza humilde, condenando os levantamentos populares que se opõem a uma paz universal. A confusão entre reino dos céus, paz entre os Homens e braço-dado com poder as elites financiadores pesa significativamente.

Não obstante, a direita que se diz católica precisa revisitar a mensagem social da Igreja, a qual fez questão se esquecer. O neoliberalismo tem sido contrário à mensagem religiosa, apesar dos améns e assentos de cabeça em lugares de culto.

27
Jul09

É para a Rua Direita, pela avenida da Liberdade, se faz favor

João Távora

Como se já tivesse pouca lenha para me queimar, a partir de hoje ditarei também umas sentenças na Rua Direita, um blogue de combate eleitoral do CDS que já aí consta na barra lateral. Confesso que a decisão não foi simples de tomar, pois a linha populista e uma perigosa obsessão pelo “arco da governação” da actual direcção do partido afastam-me daquela que um dia me pareceu uma hospitaleira casa de conservadores personalistas e democratas cristãos. No entanto ainda acredito que vale a pena batalhar pelas minhas convicções no CDS, partido ao qual me ligam laços afectivos e onde se encontram alguns dos meus bons Amigos. Além disso, um inveterado conservador como eu não muda de partido assim do pé para a mão. Não sem antes nele esgotar toda a esperança. 

17
Jul09

Contra os tabus e os fantasmas do regime

João Távora

Ainda a respeito da polémica proposta de revisão constitucional de Alberto João Jardim, ontem à noite Lobo Xavier e José Pacheco Pereira surpreenderam-me pela sua coragem ao afirmarem a genética totalitária do Partido Comunista Português e o cariz ideológico da Constituição Portuguesa. Lobo Xavier foi até mais longe contestando a tese oficial da "nomenklatura", de sistemático branqueamento do papel da Extrema Esquerda e do Partido Comunista no combate pela implantação dum regime totalitário pró-soviético em Portugal no pós-25 de Abril. É preciso estar de fora do sistema para se poder dizer o que se pensa? 

O facto é que hoje vivemos em Liberdade porque os comunistas foram derrotados em 25 de Novembro, e apesar da hipócrita política de “acalmação” instaurada pelos vencedores: talvez por isso Melo Antunes e os socialistas afinal sejam os principais responsáveis pela poderosíssima extrema esquerda que subsiste hoje em dia em Portugal. 

De resto, a Direita portuguesa só terá futuro se for livre de complexos e tiver a coragem de afirmar a sua versão da história. A Direita em Portugal só terá futuro se for LIVRE. 

24
Jun09

Isto é só aqui a gente a falar... *

João Távora

Vamos ser claros, Duarte: tendo em conta a matriz do eleitorado do PSD, um novo partido deveria chegar-se à Direita desimpedindo o espaço ocupado pelos socialistas. Como tenho repetido aqui, uma bipolirização do espectro partidário seria uma oportunidade para a regeneração da democracia: urge um espaço unitário de direita. Considero que ao fim de mais de trinta anos de “centro” a Direita merece uma oportunidade, como a que esteve para acontecer antes da demanda totalitária do 11 de Março de 1975 interromper uma formidável dinâmica de vitória patenteada pelos PDC e CDS que equacionavam uma aliança. Desde aí que a Direita foi amaldiçoada e erradicada do mapa da nossa peculiar democracia.

E depois caro Duarte, não deves temer a "questão liberal": no caso português, em que o estado pesa mais de metade do PIB essa é uma questão patriótica. Sabemos o que quase quarenta anos de planificação "socialista" tem causado, por exemplo, na administração do território e no património arquitectónico: sempre em benefício duns quantos apaniguados patos bravos. Suspeito que de uma coisa o povo se vem apercebendo: o “centrão” não regula bem.

 

* infelizmente...

19
Jun09

Refundar a Direita

João Távora

Como já conversámos ontem ao jantar, caro Duarte Calvão, eu também refundava a Direita. As soluções actuais em torno do “centrão” estão gastas e estafadas: se bem me lembro, na última experiência governamental à direita, e perante as intenções reformistas manifestadas, o roído de fundo das corporações, dos sindicatos e comunicação social tornou-se ensurdecedor meia legislatura antes do que veio a suceder com José Sócrates, que não aproveitou o espaço que lhe foi dado. Assim, e tendo em conta a ingovernabilidade do país e o abismo para o qual caminhamos alegremente, eu considero que tarda o tempo de regenerar o sistema e da direita assumir finalmente uma face em Portugal. Uma coisa que passaria por juntar a direita Social Democrata com o CDS e quem mais se lhes quisesse aliar, liberais inclusive, num bloco unitário para a reabilitação da política portuguesa: o “centrão” está descredibilizado. De resto, caro Duarte, quanto "ao de César ou de Deus", não me parece que proteger os valores de defesa da vida e da família sejam opções unicamente religiosas. Para mais desconfio que a maioria dos portugueses tolera mal a libertinagem no ensino, as revoluções nos costumes, os histerismos fracturantes, e, last but not the least, identifica-se ou no mínimo respeita a Igreja Católica e a sua obra. Acredito que este seria um bom desafio para abandonares o teu “espaço de afecto”, pois que um projecto deste calibre, teria que ter denominação própria e novas estruturas.

24
Abr09

Como é que os jovens olham para o 25 de Abril?

João Gomes de Almeida

Esta é uma reportagem especial feita pelo Jornal Portal Lisboa, da responsabilidade da jornalista Joana Domingues. Pedro Marques Lopes, Rodrigo Moita de Deus, Sara Medina, Adolfo Mesquita Nunes, Paulo Rosário e Ana Raquel Paradela - nenhum deles tem uma memória política do 25 de Abril, nenhum deles é de esquerda e todos eles têm uma visão diferente sobre a revolução dos cravos.

 

Ficam algumas frases para abrir o apetite:

 

 

Para Rodrigo Moita de Deus -“A ideia de ter defraudado as expectativas de Otelo Saraiva de Carvalho ou de Mário Tomé é algo que esta geração se pode orgulhar sem qualquer pudor”, embora acrescente com humor quando questionado sobre o interesse dos jovens por esta data – “Penso que os jovens estão especialmente desiludidos com o 25 de Abril. Este ano o feriado calha num Sábado.”

 

Pedro Marques Lopes

 

“Eu tinha 8 anos nessa data, era muito novo, mas a sensação que eu tive foi que estava a acontecer uma coisa fantástica. Que se tinha aberto uma janela qualquer, existia a sensação de que tudo poderia ser possível. Eu tenho um acontecimento que é muito marcante nesse dia. Eu vivia num terceiro andar e a minha família tinha uns amigos que eram nossos vizinhos. -relembra Pedro Marques Lopes- Infelizmente, a pessoa de quem vou falar já morreu. Esse homem estava exilado na Argélia. Era um homem ligado ao partido comunista português, nada mais distante do que a minha família era e do que hoje sou. Quando se deu o 25 de Abril eu lembro-me que a Isabel que era a mulher do Zé António que já morreu chegou a minha casa a chorar e a dizer: “O Zé António já pode regressar!”. E aquilo marcou-me, era o sinal que algo novo estava a acontecer.”
 

Adolfo Mesquita Nunes

 

“A desilusão com a democracia não constitui qualquer problema enquanto não corresponder à vontade de substituição da democracia por qualquer outro sistema que mitigue ainda mais as liberdades individuais. O que me parece mais preocupante é que os actores políticos tendam a reduzir o conceito de democracia ao socialismo mais ou menos evidente, afastando para as margens qualquer tentativa de superação desta crise que não passe pelo reforço dos poderes estaduais – os mesmos que falharam clamorosamente nos últimos anos.” – afirma Adolfo Mesquita Nunes acrescentando ainda a sua opinião sobre a necessidade de um novo Abril e de uma nova arma que não os cravos – “Existe sempre necessidade de intensificar a protecção das liberdades individuais sobretudo num tempo em que a sua mitigação ironicamente se faz em nome da democracia. E os cravos, ou qualquer outra flor, só não serão suficientes para essa intensificação se a classe política se esquecer do residual papel que lhe deve estar confiado.”

18
Abr09

Conseguirá Monteiro ser eleito deputado?

João Gomes de Almeida

 

Quando todo o meio político fala das Europeias de 2009, há quem já ande a preparar, faz vários meses, as Legislativas de 2009. Manuel Monteiro já não é presidente do PND (Nova Democracia), tendo passado o seu lugar a Maria Augusta Montes sua antiga secretária-geral. Após o último congresso, o PND parece ter mudado de estratégia, fez um refresh ao seu logótipo original e substitui a andorinha por um coração - mas mais importante do que isso, concertou esforços na região da Madeira, onde tem um deputado eleito na Assembleia Regional em lista prórpia e em Braga, onde Manuel Monteiro tem lutado diáriamente pela sua eleição como deputado nas Legislativas de 2009.

 

Se consultarmos o site do movimento "Missão Minho", que serve de plataforma a esta candidatura, vemos como Manuel Monteiro se tem empenhado nesta pré-campanha, com uma forte cobertura por parte dos media locais e com uma agenda de actividades que supera em muito qualquer dos outros partidos políticos presentes em Braga. Ao que parece, o ex-presidente do CDS/PP aposta em inventar uma espécie de círculo uninominal para o distrito de Braga, falando apenas dos problemas do distrito, visitanto cada cidade, aldeia e local do mesmo e apostando tudo na zona de onde é natural.

 

O PND foi, na minha modesta opinião, um projecto falhado que teve tudo para correr bem. Quando o PND nasceu tinha nomes, muitos deles bons, como o Jorge Ferreira, o Professor Adelino Maltez, o jurista Paulo Otero, entre outros. Conseguiu numa primeira fase ter protagonismo e actividade em zonas como a Madeira, Aveiro, Braga e Porto, no entanto, esqueceu-se de fazer uma forte aposta na capital - não nos podemos esquecer que o círculo eleitoral de Lisboa é por motivos óbvios o mais fácil para um pequeno partido conseguir benificiar do método das contablidades eleitorais e meter um deputado na Assembleia da República. Assim foi com a primeira representação parlamentar do Bloco de Esquerda, por exemplo.

 

Voltando à fundação do PND. Este partido tinha um líder com voz na imprensa, o que era um princípio base para o sucesso do mesmo e aparentemente tinha dinheiro, visto ter lançado uma interessante campanha de marketing e um razoável número de outdoors por várias cidades do páis. Também tinha um programa e tinha uma bandeira forte que mais nenhum partido português assumia com frontalidade: a alteração da Constituição da República Portuguesa. Então e o que é que falhou?

 

Falhou a aposta na comunicação, falhou a estratégia de divulgação deste novo projecto - no fundo, falhou a irreverência que era necessária para o seu sucesso. Essa irreverência foi tentada na Madeira e deu frutos, tardiamente foi trazida para as intercalares da CML e não produziu quaisquer resultados. Pensemos novamente na irreverência inicial do BE.

 

Monteiro é inteligente e tem experiência política, sabe que o PND se econtra em estado vegetativo. Qual a única opção? Conseguir de uma forma inteligente chegar ao parlamento, concentrando todos os esforços num único distrito, Braga. Chegando à A.R. ganhará novamente voz nos media e poderá tentar fazer oposição ao PS. Estando em Lisboa, conseguirá posteriormente relançar o partido para o resto do país. 

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