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Risco Contínuo

Estrada dos bravos, blog dos livres

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Estrada dos bravos, blog dos livres

01
Fev16

ASSASSINADOS... (1)

José Aníbal Marinho Gomes

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A sentença estava traçada há vários anos e tinha como objectivo a implantação da república em Portugal.

Por isso, no dia 1 de Fevereiro de 1908, há 108 anos, quando a Família Real, vinda de Vila Viçosa chegou a Lisboa e ia entrar para a Rua do Arsenal, ouviu-se um tiro. O possível sinal para o início da “chacina”. São assassinados a tiro, no Terreiro do Paço, Sua Majestade el-Rei D. Carlos e o Príncipe Real D. Luís Filipe.

A 21 de Maio de 1908, D. Manuel II descreveu a forma como viveu este trágico acontecimento, sob o título de “Notas absolutamente íntimas”: “Vi um homem de barba preta [...] abrir a capa e tirar uma carabina [...]. Quando [o] vi [...] apontar sobre a carruagem percebi bem, infelizmente, o que era. Meu Deus, que horror o que então se passou! Logo depois do Buíça ter feito fogo [...] começou uma perfeita fuzilada, como numa batida às feras! Aquele Terreiro do Paço estava deserto, nenhuma providência! Isso é que me custa mais a perdoar ao João Franco...”   

Magalhães Lima pronunciou a doutrina e o Grande Oriente Lusitano (obediência maçónica portuguesa), executou-a!

Para a concretização do plano, surge a Carbonária Portuguesa - maçonaria irregular, fundada em 1896 por Luz de Almeida, integrada na loja Montanha.

ban.JPGBandeira da Carbonária (veja-se a semelhança com a bandeira da república Portuguesa)

A Carbonária Portuguesa foi criada com uma única finalidade: derrubar a Monarquia, nem que para isso tivesse de recorrer ao assassínio. Era uma força armada e milícia maçónica, que mobilizava alguns milhares de elementos, fabricava bombas, fornecia armas e, clandestinamente, dava instrução militar aos seus membros, tendo sido ela a responsável pelo atentado contra o legítimo Chefe de Estado Português e Seu Augusto filho.

Este Crime Inqualificável é o culminar de alguns anos da feroz e mentirosa propaganda republicana, que culpava El-Rei D. Carlos por todos os males do país, afirmando, insistentemente, que o Rei estava desacreditado, quer no país quer no estrangeiro, bem como a Família Real. Afirmava também que D. Carlos era um Rei ignorante e inexperiente, sempre influenciado pela igreja, indiferente aos interesses de Portugal, entre tantas outras acusações, que ia publicando na imprensa nacional e internacional.

A máquina propagandística estava muitíssimo bem afinada!

Propaganda esta que teve como principal instigador o Grão-Mestre do Oriente Lusitano, Magalhães Lima, que ao longo dos anos foi colaborando e fundando alguns jornais, designadamente: “A Republica Portugueza”, “Comércio de Portugal”, “ O Século”, etc., onde desferiu os seus ferozes ataques à monarquia e ao Rei de Portugal, sendo, pois, ao invés de D. Carlos e da Monarquia, o principal responsável pela impopularidade do regime, através dos seus escritos intencionalmente direccionados e de falsos argumentos.

Para Magalhães Lima, D. Carlos era também o grande responsável pela permanente divisão partidária.

Contudo, nada pode ser mais falso.

Em primeiro lugar, o bipartidarismo resultava, não da vontade do Rei, mas dos resultados eleitorais. E a divisão partidária não acontecia na Monarquia, pois aqui, o Rei representa a Nação na sua plenitude e continuidade e, não sendo eleito, não fomenta qualquer disputa partidária, o que acontece, precisamente, na república, em virtude da eleição do chefe de estado, oriundo de um ou outro quadrante político e normalmente apoiado por forças partidárias.

Em segundo lugar, D. Carlos teve uma intensa actividade diplomática, que credibilizou imenso o país e a sua imagem no exterior. Visitou alguns países e recebeu em Portugal diversos Chefes de Estado, que o admiravam muito, entre os quais Alfonso XIII de Espanha, Guilherme II da Alemanha, Eduardo VII da Inglaterra, o presidente Loubet de França, o rei do Sião Chulalongkorn (Rama V).

Em terceiro lugar, D. Carlos era um Homem culto e avançado para época. Pintor notável e investigador no campo oceanográfico, sobretudo da biologia marítima, era também um ornitólogo, devendo-se a ele a publicação do “Catálogo Illustrado das Aves de Portugal”. El-Rei foi um cientista!

A trágica morte do Príncipe Real, D. Luís Filipe, barbaramente assassinado, privou Portugal de um jovem que teria todas as condições para ser um grande Rei, já que para isso vinha sendo preparado desde o seu nascimento.

fo 1.JPG

Mas a culpa não é só dos republicanos.

Alguns monárquicos contribuíram, também, para que se criasse um ambiente hostil ao Rei, designadamente os dirigentes do Partido Progressista, caso de José Luciano de Castro e do Partido Regenerador António de Serpa Pimentel.

Desde a Regeneração que o sistema político português se desgastava a olhos vistos, sobretudo devido à alternância de dois partidos no Poder: o Progressista e o Regenerador. A situação agravou-se com o aparecimento de novos partidos, que emergiram de dissidências internas, como foi o caso do Partido Regenerador Liberal, de João Franco, e da Dissidência Progressista de José Maria de Alpoim  sobre quem  recairam inúmeras suspeitas de envolvimento no regicídio.

Cerca de 32 meses após o Regicídio, a 5 de Outubro de 1910, a república é proclamada em Portugal. E logo surgem os “adesivos”, isto é, os monárquicos que se “tornaram” republicanos e vivem, confortavelmente, no regime.

“Adesivos”, ainda hoje os há, e pude constatá-lo recentemente nas eleições presidenciais!...

 

(1) Sobre o Regicídio já aqui escrevi três artigos: O Regicídio - “Lisbon’s shame!; Não, não esquecerei este hediondo crime!O Regicídio; Infames, infames!

(2) Lei Maçónica e Lei Civil. Sugestões para um Estudo, in Ensaios de Maçonaria. Lisboa, Quetzal Editores, 1988, pág. 54.

Oliveira Marques, foi professor universitário, historiador e Grão-Mestre Adjunto do Grande Oriente Lusitano (1984-1986) e Soberano Grande Comendador do Supremo Conselho do Grau 33 (1991-1994).

 

Por decisão pessoal, o autor do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico.

01
Fev15

"Infames, infames!" (1)

José Aníbal Marinho Gomes

De pé, a Rainha D. Amélia, “armada” com um ramo de flores e dilacerada pela dor, grita para os covardes assassinos do seu marido e do seu filho - "infames, infames!"

Após uma estadia em Vila Viçosa, El-Rei Dom Carlos, a Rainha D. Amélia e o Príncipe Real D. Luís Filipe, regressam a Lisboa no final da tarde de Sábado, do dia 1 de Fevereiro de 1908, tendo desembarcado, por volta das 17h00m, na Estação Fluvial Sul e Sueste, onde eram aguardados por vários membros do governo, além dos infantes D. Afonso (irmão de D. Carlos) e D. Manuel, (filho de D. Carlos), que havia regressado dias antes, por causa dos seus estudos.

Apesar do clima de grande tensão que existia, D. Carlos - ao contrário de muitos políticos atuais que se escondem no interior de carros blindados e rodeados de guarda-costas - optou por seguir em carruagem aberta, envergando o seu uniforme de Generalíssimo, resumindo-se a escolta apenas aos batedores protocolares e a um oficial a cavalo. 

No Terreiro do Paço, às 17h 20m ouve-se um tiro após o que se inicia um forte tiroteio. Um homem descrito como “de barbas e mau aspecto” – Manuel Buíça, tira uma carabina que trazia escondida sob a sua capa, põe o joelho no chão e dispara para a rectaguarda do landau régio. O tiro mata o Rei D. Carlos - trespassa-lhe o pescoço, provocando-lhe morte imediata. Dispara um segundo tiro na mesma direcção, altura em que Alfredo Costa, sobe para o estribo da carruagem e atira duas vezes nas costas de Sua Majestade. O Príncipe Real D. Luiz Filipe, levanta-se imediatamente e dispara sobre o Costa, mas fica na mira de Manuel Buíça, que o fere mortalmente. Entretanto surgem mais tiros de diversos pontos, pois há vários atiradores espalhados na Praça - o landau, que transportava a família Real, fica cravejado de balas, disparadas pelos assassinos. 

regicidio-01.jpgA carruagem, conduzida por Bento Caparica, atingido numa mão, segue, a toda a velocidade, para o Arsenal da Marinha.

Para aqui é chamada a mãe d’El-Rei D. Carlos, a Rainha D. Maria Pia, que ao encontrar-se com D. Amélia parece ter dito “Mataram-me o meu filho” ao que D. Amélia terá respondido: “E o meu também”.

Foi neste dia que mataram a esperança!

Os implicados no Regicídio são: Manuel Buíça e Alfredo Costa (que morrem no local), Domingos Ribeiro, José Maria Nunes, Adelino Marques, Fabrício de Lemos, Ximenes, Joaquim Monteiro, todos com ligações à Carbonária, braço armado da Maçonaria, alguns, provavelmente iniciados na loja maçónica "Montanha". Há também mais implicados, considerados como autores morais, como por exemplo Aquilino Ribeiro e José Maria Alpoim, entre outros.

O objectivo deste atentado era a proclamação da república! Pela força…

33 meses após este crime de 1 de Fevereiro de 2008 - e menos de dois meses depois das eleições de 28 de Agosto de 1910, onde, num total de 147 (cento e quarenta e sete) deputados, os republicanos tinham conseguido eleger 14 (catorze) - é implantado, na cidade de Lisboa, o regime republicano, tendo o resto do país tomado conhecimento deste facto, por telégrafo…

E quase 105 anos depois de ter logrado os seus objectivos de chegar ao poder, obtendo uma mudança por via revolucionária e não democrática pois os republicanos tinham resultados eleitorais insignificantes (e que, traduz, sem dúvida, a tão propagada “ética republicana”) o regime republicano (agora maquilhado de “3ª república”) vigora ainda hoje em Portugal sem nunca ter sido, sequer, referendado e encontrando-se blindado pois a forma republicana de governo é um dos aspectos que não podem ser alterados em sede de revisão da constituição (o que também diz muito sobre a dita “democracia da república”)…

A Europa ficou chocada e revoltada com o Regicídio, ou não fosse D. Carlos uma figura estimada pelos diversos Chefes de Estado europeus, sendo a imprensa europeia eco disso mesmo, atítulo de exemplo cito:

Berliner Tageblatt, Berlim, 3 de Fevereiro de 1908 - "Perante o absurdo atentado de Lisboa, só se podem proferir palavras de profundo horror: nenhuma palavra de desculpa, nenhuma frase céptica para embelezar os factos."

The Morning Post, Londres, 3 de Fevereiro de 1908 - "Foi cometido no sábado em Lisboa um crime que não tem paralelo no grau de horror que as notícias sobre ele irão provocar através do mundo civilizado."

Corriere della Sera, Roma, 3 de Fevereiro de 1908 - "Mas era um tirano o Rei que mataram? Tirano o jovem príncipe de 20 anos, exuberante primavera que só pode sorrir? Oh, retórica de Brutos, envenenados de frases, saturados de ódio imbecil. Mesmo se o Rei fosse culpado - e isso está longe de ser provado - e que o filho estivesse preparado para ser culpado arbitrariamente, as vossas pistolas e as vossas carabinas absolveram-nos."

Também hoje, eu declaro "infames, infames!" todos aqueles deputados - alguns dos quais ainda hoje se passeiam pelo parlamento - que no dia 1 de Fevereiro de 2008, precisamente um século após este bárbaro assassinato, rejeitaram o voto de pesar pela trágica morte de D. Carlos e do Príncipe Real D. Luís Filipe, proposto pelo deputado Miguel Pignatelli Queiroz. 

E esses deputados, sem qualquer pudor, coerência ou exame de consciência, defendem que a soberania reside no povo, que a exerce segunda as formas previstas na constituição (mas não se incomodam que o regime em vigor tenha sido imposto pela força e por meia dúzia, após o vil assassinato de um legítimo Chefe de Estado…), afirmam-se democratas (quando lhes convém, pois a república portuguesa que representam impôs-se fazendo, também, tábua rasa da vontade popular expressa em eleições…) e são acérrimos defensores dos direitos humanos (só para alguns casos, mas não para o bárbaro assassínio de um pai e de um filho, que seguiam num coche aberto, com a mulher daquele e mãe deste, armada com um ramo de flores…).

Para a história fica que os deputados do PS, do PCP, do BE e do PEV rejeitaram, em bloco, o voto de pesar sobre os cem anos da morte do Rei D. Carlos, que os grupos parlamentares das outras forças políticas concederam liberdade de voto e os deputados do CDS-PP e maioria dos deputados do PPD/PSD – com abstenção de sete deputados da bancada social-democrata, entre os quais, João Bosco Mota Amaral, Costa Neves, José Pedro Aguiar Branco, Emídio Guerreiro e Sérgio Vieira – votaram favoravelmente.

Para memória futura recorda-se algumas das, no mínimo lamentáveis, declarações proferidas pelos parlamentares, que não sufragaram o voto de pesar, pelo homicídio de um legítimo Chefe de Estado.

Alberto Martins, na altura líder da bancada do PS, afirmou que aprovar o documento seria dar «um voto contra a República» e que «Não nos cabe a nós julgar as pessoas na história, fazer qualquer juízo moral sobre a história ou reescrever a história».

Desde quando condenar um assassínio é um voto contra a república? E porque, na opinião deste deputado, não cabe aos representantes dos portugueses “fazer juízos morais” é que o país está como está…

Para Fernando Rosas, do Bloco de Esquerda, a Assembleia da República, não devia ter uma «posição oficial sobre o Rei D. Carlos ou sobre o Regicídio», pelo que recusava o voto de pesar, afirmando ainda que «Aprovar este voto seria vincular a Assembleia da República, fazer com que os órgãos do Estado tenham uma visão oficial sobre a história».

Mas a Assembleia da República aprovou um voto de pesar pelo falecimento, por exemplo, de Yasser Arafat (voto de pesar nº 220/IX de 18/11/2004) e de Hugo Chávez (voto de pesar nº 110/XII de 8/3/2013), assumindo, assim, uma posição a respeito de figura públicas – uma do Médio Oriente e outra de um país da América Latina - sobre as quais a história não é consensual nem pacífica…

António Filipe, do PCP, rejeitou o voto de pesar uma vez que recusava qualquer «tentativa de reescrever a história» ou de «ajustar contas com o passado» e que «Os factos históricos não podem ser objecto de julgamento político, que um século depois não faz qualquer sentido».

Sentir pesar pela morte de alguém é diferente de julgar e condenar nos tribunais os responsáveis por essa morte – isso sim, é que é ajustar contas com o passado…

Que El Rei D. Carlos e o Príncipe Real D. Luís Filipe descansem em Paz!...

Reis.PNG

 (1) Sobre este tema veja-se o que já escrevemos:

O Regicídio - “Lisbon’s shame!”

http://risco-continuo.blogs.sapo.pt/506715.html

Não, não esquecerei este hediondo crime! O Regicídio. 

http://risco-continuo.blogs.sapo.pt/nao-nao-esquecerei-este-hediondo-crime-570072

 

 

01
Fev14

Não, não esquecerei este hediondo crime! O Regicídio.

José Aníbal Marinho Gomes

«O horrível drama de Lisboa, página trágica da História, sangrento episódio da luta de um povo e dos seus governantes, desencadeou em todo o mundo civilizado uma reprovação unânime. Tais crimes não se podem desculpar pela paixão política, e aqueles que ao virar da esquina, atiram sobre um soberano não podem aspirar a ter outro nome que não o de assassinos.(...) Todo o comentário é, de resto, supérfluo quando se trata de semelhantes actos, tão bárbaros quanto inúteis, dado que o soberano desaparecido deixa, no próprio terreno, um sucessor

Le Petit Journal, Paris, 3 de Fevereiro de 1908

 

Faz hoje 106 anos que El-Rei D. Carlos e seu filho D. Luís Filipe, foram bárbara e covardemente assassinados, por dois criminosos, a soldo da República. Morreram pela Pátria!

Não, não esquecerei este hediondo crime!

Não é a primeira vez que escrevo sobre o tema, mas nunca é demais recordar, para que as novas gerações não se esqueçam que em pleno séc. XX, em Portugal se cometeu um CRIME, o assassínio de um Rei, legítimo chefe de Estado de Portugal e do jovem herdeiro da coroa, seu filho primogénito.

Foram emboscados e abatidos como se de presas de caça se tratassem, por dois infames assassinos, de acordo com um plano previamente estabelecido pelos cabecilhas republicanos e que teve o apoio de alguns dissidentes monárquicos.

Não, não esquecerei este hediondo crime!

O sistema político que vigorava desde a Regeneração estava desgastado (à semelhança do que acontece hoje em dia), pois resumia-se à alternância de dois partidos no Poder, o Partido Progressista e o Partido Regenerador (hoje em dia a alternância é entre o PS e o PSD-CDS).

Os Republicanos e os dissidentes monárquicos elegeram o Rei como alvo, atribuindo-lhe a culpa por toda a instabilidade que se vivia. Os primeiros porque queriam a mudança do regime, os segundos porque deixaram de ter influência política.

Não, não esquecerei este hediondo crime!

Como pode um regime ser considerado legítimo, quando na sua origem tem o sangue de um patriota, que amava como poucos o seu país e do seu filho, que estava preparado para ser o melhor Rei da Europa?

Não, não esquecerei este hediondo crime!

Com que direito se assassina um filho à frente de uma mãe, que apenas com um ramo de flores na mão enfrentou um dos matadores?

Não, não esquecerei este hediondo crime!

O Regicídio marcou o fim de uma tentativa de reforma da Monarquia Constitucional, que el-Rei pretendia levar a cabo, e precipitou a queda do regime. Logo como se pode considerar legítimo um regime que ascendeu ao poder por via criminosa e que nunca foi referendado?

A Europa ficou chocada e atónita, levando este criminoso acto a que diversos chefes de Estado e de Governo protestassem veemente, uma vez que D. Carlos era muito considerado.

Não, não esquecerei este hediondo crime!

Mas afinal o que trouxe a república de 1910 aos portugueses, senão uma nova escalada de violência na vida pública do País? Vitupérios e insinuações, ofensas ao Chefe de Estado, perseguição à imprensa com encerramento de jornais, o parlamento de partido único, caciquismo, burla, a depreciação da mulher, os presos políticos – enchente nas prisões desde 1910 – protestos na imprensa estrangeira – acusações de tortura e envenenamento dos presos políticos, os assassínios políticos, etc., sem esquecer o anti-jesuitismo e a perseguição á Igreja Católica, políticas levadas a cabo pelo biltre Afonso Costa que em 1910 afirmava que acabaria com a religião em duas ou três gerações.

Não, não esquecerei este hediondo crime!

Se a monarquia constitucional tivesse progredido e aperfeiçoado, e se em Portugal actualmente o regime fosse Monárquico, presumivelmente não teria existido o Estado Novo e 48 anos de ditadura salazarista (que os actuais dirigentes republicanos insistem em afirmar que não foram república mas, Monarquia é que não foi), e, consequentemente, o nosso país teria um grau de desenvolvimento semelhante ao dos restantes países monárquicos da Europa, que apresentam uma democracia muito mais forte e consolidada.

Mas não; não deixaram que isso acontecesse e o resultado está à vista nos nossos dias: Políticos incompetentes, compadrio e corrupção!

D. Carlos, numa carta a João Franco em 1907, escrevia «Não é homem de Estado, nem sabe servir o seu País aquele que, julgando ter afirmado um erro, se não penitencie dele e não esteja pronto, reconhecendo-o, a seguir caminho diverso que julgue mais oportuno e conveniente».

Mas, os políticos portugueses persistem no sistema….

Não, não esquecerei este hediondo crime!

Morreram Pela Pátria. Que descansem em paz!

Viva o Rei!

«Mas era um tirano o rei que mataram? Tirano o jovem príncipe de 20 anos, exuberante primavera que só pode sorrir? Oh, retórica de Brutos, envenenados de frases, saturados de ódio imbecil. Mesmo se o rei fosse culpado - e isso está longe de ser provado - e que o filho estivesse preparado para ser culpado arbitrariamente, as vossas pistolas e as vossas carabinas absolveram-nos

Corriere della Sera,  Roma, 3 de Fevereiro de 1908

 «Se algum dia mandarem embora os reis vão ter de voltar a chamá-los»

Alexandre Herculano

15
Abr13

Graça Franco e a "Piolheira"

José Aníbal Marinho Gomes

 

Acabei de ouvir na RTP informação no programa "Termómetro da política portuguesa" apresentado por Carlos Daniel, a "jornalista" Graça Franco tecer algumas considerações sobre El-Rei D. Carlos que me deixaram algo perplexo.

Afirmar-se a propósito do título da entrevista do Dr. Mário Soares ao Jornal i "O Presidente Cavaco Silva devia lembrar-se da história do século xx. Por muito menos que isto foi morto D. Carlos", que a situação do actual PR não era comparável à do Rei D. Carlos, uma vez que este monarca para além de viver alheado da realidade era odiado pelo povo, a quem tratava como “piolheira”, é no mínimo leviana e demonstra total desconhecimento da história de Portugal, pelo que sugiro à Dr.ª Graça Franco que se fique pela sua área académica (economia) ou mesmo pelas Ciências da Informação área onde é pós graduada, deixando de lado este tipo de comentários que em nada dignificam a classe a que pertence...

Assim, aconselho vivamente a Dr. Graça Franco a ler a biografia de D. Carlos I da autoria do Prof. Dr. Rui Ramos, mas se os seus tiques de republicanismo primário a impedirem de realizar tal tarefa, recomendo pelo menos a leitura do artigo “Breve história da «Piolheira»” da autoria de Nuno Resende.  

Alguns meses antes do atentado D. Carlos sabia perfeitamente a situação do país e os riscos que corria, mesmo assim não se escondia como fazem hoje em dia os nossos políticos. Atente-se no desabafo ao seu ajudante de campo, tenente-coronel José Lobo de Vasconcelos: «Tu julgas que eu ignoro o perigo em que ando? No estado de excitação em que se acham os ânimos, qualquer dia matam-me à esquina de uma rua. Mas, que queres tu que eu faça? Se me metesse em casa, se não saísse, provocaria um grande descalabro. Seria a bancarrota. E que ideia fariam de mim os estrangeiros, se vissem o rei impedido de sair? Seria o descrédito. Eu, fazendo o que faço, mostro que há sossego no País e que têm respeito pela minha pessoa. Cumpro o meu dever. Os outros que cumpram o seu.».

Que Palavras sábias proferidas por um grande estadista!

 

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