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A minha opinião sobre o jornal i

por João Távora, em 22.05.09

...que acompanho desde o seu início, é de que este se parece com uma pequena “revista” diária, com uma qualidade acima da média e um grafismo requintado. Ora, acontece-me que a sua leitura, que considero agradável, me deixa "atravessado", não "mata" o meu desejo de procurar um periódico, digamos, “clássico”; com o tradicional noticiário de política, sociedade, local e desporto; com calendário, tabelas classificativas e o diabo a sete. De resto, gosto particularmente da edição de fim-de-semana, não só porque tenho então mais tempo para lê-lo, mas por causa da supimpa revista colecionável que traz - aguardo com curiosidade algum tema pelo qual eu nutra maior afinidade.
Após o célebre recrutamento on line de um ilustrador, o aspecto que mais me desiludiu foi a ausência de Banda Desenhada digna desse nome: no i, não encontramos nem um gag, nem uma tirazinha, nem uma caricatura, para além daquela inusitada rubrica ilustrada nas páginas centrais. Tanto espaço para tão pouco...
Para além de eu considerar esta forma de expressão artística tão ultrapassada quanto os próprios jornais, tenho para mim que são estes ainda o seu suporte por excelência, e que a Nona Arte, em conjunto com outros conteúdos gráficos, pode proporcionar cativantes momentos de puro entretenimento. Parece-me que a maior parte dos editores dos jornais não tem sensibilidade alguma para o assunto: quando publicam “bonecos” não importados, mesmo dirigidos aos mais pequenos são sempre estranhíssimos, meio impressionistas ou “alternativos” com pretensões intelectuais. Eu para puxar pelo intelecto vou ao Museu do Chiado e ando a ler o Em Busca do Tempo Perdido, que ainda não cheguei a meio. 
De resto esta é quanto a mim uma lacuna generalizada na imprensa portuguesa, que continua sem conseguir seduzir as gerações mais jovens e que se recusa entreter os mais velhos com coisas saudáveis. Que eu saiba em muitas casas ainda se consome histórias aos quadradinhos. Talvez não sejam exemplo, mas os meus miúdos ainda se divertem a ler um “patinhas”, um Tintim ou uma tira do Calvin, actividade que constitui uma salutar alternativa ao computador e à televisão.

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publicado às 17:18

Vasco Granja 1925 - 2009

por João Távora, em 05.05.09

Ainda chego a tempo de me juntar ao coro na homenagem a Vasco Granja: Recordo-o com saudade tanto da revista Tintim (uma instituição juvenil-urbana das décadas de 60 e 70) quanto dos programas “Cinema de Animação” dos anos 70 na RTP que eu seguia fascinado mesmo quando as fitas eram checoslovacas ou soviéticas (mas sempre na expectativa de um divertida amercanada).

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publicado às 19:32

Saudades de Segar

por José Abrantes, em 18.01.09

É minha leitura regular os vários álbuns - edições francesas - de Popeye, escritas e desenhadas pelo seu criados, Elsie Crisler Segar, seu criador. São muitas e muitas tiras com um inigualável humor, narrativa e personagens extremamente complexas e divertidas, em situações e "embrulhadas" dificilmente inextricáveis, onde o génio está permanentemente presente. O desenho - e as personagens - são intencionalmente feios, os diálogos e as relações entre eles são abomináveis, com quase ottal ausencia de afecto, a não ser entre o herói e swee' Pea, seu filho mais achado que adoptivo, ou com o seu pai, que o hostiliza em aberto e despudoradamente. Olive Oyl, sua eterna(?) namorada, é de um vazio moral e de uma frivolidade rasca, e aparentemente não há uma única personagem, masculina ou feminina que, pelo menos uma vez, não lhe tenha pregado uma murraça, merecida ou não. O único que parece ter laivos de inteligencia é J. R. Wellington Wimpy, o mais oportunista de todos. mesmo assim, é de realçar a total honestidade que é comum entre todos.

Popeye é um rústiquissimo marinheiro de poucos interesses e de "filosofia" básica, com uma força brutal natural, por vezes condimentada pela ingestão de espinafres. Surgiu pela primeira vez na série Thimble Theater, dez anos volvidos do seu inicio. No começo, era um medricas apavorado pela própria sombra, até descobrir a sua hercúlea força.

Morto Segar, com uma leucemia, com pouco mais de 40 anos, a série e o seu herói foram catapultados para um imenso sucesso por desenhos animados de qualidade irregular e muito discutivel e por outros artistas pouco inspirados e que pouco mais faziam que repetir até á exaustão uns poucos tópicos legados pelo autor original.

Popeye acaba de fazer 80 anos.

Para mais esclarecimentos sobre E. C. Segar recomendo uma visita  a este sítio.

 

Ilustração: segmento da tira onde Popeye surge pela primeira vez.

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publicado às 15:24
editado por João Távora às 16:46

Aqui vos deixo uma gracinha!

por José Abrantes, em 16.01.09

 

Como aqui já contei, tenho em curso, entre outros trabalhos, a escrita e o desenho de uma aventura de Homodonte - A Tribo do Leão Verde.

Aqui vos deixo uns estudos para uma vinheta. Não é nada demais, mas espero que gostem.

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publicado às 13:18
editado por João Távora às 15:09

Saudades de Coq

por José Abrantes, em 15.01.09

 

 

Nos idos de sessenta, muitos fins de semana e mesmo semanas de férias passei em casa da minha avó materna, rodeado por tudo o que era bom. As chatices da vida surgiram sobretudo depois de passada a minha infância. Uma das coisas que me deliciava nesse bom ambiente familiar eram as variadas leituras, entre as quais eu tinha uma preferência pelas revistas Jours de France, que era então adquirida regularmente. Essa fútil revista era antro de um grande cartoonista e banda-desenhista, que assinava simplesmente como Coq. Havia a sempre presente tira do cão Azor, sempre elegantes e muito bem humoradas, e as pranchas do Dr. Gaudéamus, cientista que se transformava em bebé, e que eram desenhadas sob o guião do grande Goscinny. Estas pranchas não as sabia ler, que eram em francês, mas quedava-me perante os desenhos, tentando adivinhar a acção, o que era quase impossível, visto Goscinny favorecer sobretudo o diálogo em detrimento da acção. mas não fazia mal. os desenhos faziam-me sonhar!

Pesquisando mais tarde sobre o autor, encontrei este simples mas esclarecedor texto, que aqui vos remeto, com gosto e saudade.

A ilustração no topo é de Coq, claro, mas infelizmente, por mais que pesquisasse, não encontrei imagem nenhuma do bravo e querido Azor que sei, mesmo assim, ter tido as honras de um álbum com mais de cem páginas... Provavelmente um integral das suas tiras...

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publicado às 22:22
editado por João Távora a 16/1/09 às 15:15

Tintim no país dos Sovietes

por José Abrantes, em 10.01.09

Comemoram-se agora precisamente 80 anos desde o inicio da publicação desta primeira aventura de Tintim, no Petit Vingtiéme, na Bélgica. Baseado muito livremente em Moscou sans Voiles, livro de um antigo diplomata que testemunhara algumas das barbáries soviiéticas e as passara para livro, esta primeira aventura de Tintim foi logo de inicio um sucesso retumbante.

E há razões para isso. Embora tenha sido muito mal tratado durante décadas, acusado de anticomunismo primário - já repararam que sempre que algo ou alguém é anticomunista, é logo por eles apodado de "primário"? - de leituras fácil e trabalho de principiante, esta obra tem ganho, cada vez mais, admiradores e estudiosos que de página a página vão descobrindo assuntos novos, qualidades reveladas, enfim, cada vez mais se torna num livro de culto!

Não é que nao o tenha sido desde o inicio! Rápidamente esgotado, a sua reedição tardou 50 anos a aparecer. E mesmo assim vai merecendo sucessivas novas edições, que se vão alegremente esgotando.

O que terá assim de tão bom? O desenho, sobretudo, que já se afirmava então como nítido, fluido e dotado de movimento. A denuncia - muito ingénua mas flagrante - de muitas injustiças sociais decorridas no País dos Sovietes! para os muito iniciados, caricaturas em personagens e em nomes de pessoas que frequentavam Hergé, os filhos da imperatriz Zita, etc! Também, naturalmente, o livro tem o mérito de sero  primeiro de uma obra que viria a ser muitas vezes pontuada de obras-primas.

O que terá de mau? A leitura. a história, feita num total improviso de semana a semana, é muito frouxa, o humor raramente nos permite esboçar um sorriso que não seja de condescendencia, e o facto de pouca acção se passar realmente na URSS.

Aconselho viva e entusiásticamente, mesmo assim, a sua leitura. As edições Verbo têm uma excelente edição da obra.

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publicado às 16:12
editado por João Távora às 18:56

Tintim - Aniversário à vista

por José Abrantes, em 05.01.09

Será neste próximo dia 10 de Janeiro que Tintim celebrará 80 - oitenta - anos! Ignoro ainda que celebrações o esperam, mas é previsivel os balanços biográficos do autor - sempre a sua questão "colaboracionista", oportunamente vinda ao de cima pela canalha da esquerda, o sucesso literário - quantos heróis da cultura humana foram tão apreciados e celebrados por tantas gerações seguidas!? - das Aventuras de Tintim, de Milu e dos seus restantes amigos e comparsas?

 

Recordo com doçura a correspondencia que tentei trocar com o Mestre, já no fim da sua vida, e das imagens que ele me enviou, e uma das quais aqui vos exibo orgulhosamente.

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publicado às 11:06
editado por João Távora às 16:00

A Tribo do Leão Verde

por José Abrantes, em 28.12.08

 

 

As tribos dos Porting, das Antas e os Aguiar costumam rivalizar para merecer as melhores atenções, do deus comum, o Grande Sport! Bola, a encarregada de cumprir umas heroicas etapas pelos Porting recorre ao auxílio de Enanenes que, por sua vez, pede ajuda a Homodonte e ao seu irmão, Táurio! Várias peripécias e gags recheiam esta narrativa, que já se encontra a meio, tanto da escrita como do desenho;

 

Trata-se do terceiro livro das Aventuras de Homodonte, série que assino há já muitos anos, mas que desde há uns 3 anos apenas comecei a editar me álbum. Como é costume nesta série específica, costumo partir para o desenho com um parco punhado de ideias soltas, trabalhando num improviso quase completo. É sempre como que um jogo, um desafio, ver como ou quando as pontas começam a juntar-se, a ter uma ordem lógica! Neste caso, esta aventura será a primeira que ocupará inteiramente um álbum, ao contrário dos anteriores que tinham várias histórias, cada um!

 

Os manos Homodonte e Táurio são dois jovens cavernícolas de uma época remota mas totalmente imprecisa, havendo uma quase total falta de documentação, à parte umas noções reconhecidamente limitadas sobre a pré-história! Qualquer animal, planta ou artefacto utilizados nesta série são vagamente aparentadas com algo que se conheça, quer em museus, livros ou documentários televisivos! A aventura que, como referi, já se encontra a meio da sua elaboração, ainda não tem editora.

 

Ilustração - Excerto da imagem da capa do livro.

 

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publicado às 22:30
editado por João Távora a 29/12/08 às 11:46

Auguri - Vittorio Giardino

por José Abrantes, em 23.12.08

Tornei-me amigo deste grande senhor da Bd italiana ( e mundial, evidentemente!) há uns quatro anos, aquando da sua visita ao Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora. Foram muitas as suas manifestações de amizade que me expressou e que nunca esquecerei. Mas já era de muito antes a cega admiração que nutro pela sua obra, sobretudo pelas séries Max Fridman, Jonas Fink e a complexa e imaginativa obra "Férias Fatais", parcialmente editada em português.

Partilho convosco a imagem de Boas-Festas que me enviou, via e-mail.

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publicado às 11:41
editado por João Távora às 12:46

Os Mistérios de O Enigma da Atlântida

por José Abrantes, em 27.11.08

O Enigma da Atlantida (L'Énigme de l'Atlantide) começou a sair na revista Tintin na Bélgica a 19 - 10 - 55 e teve a sua versão em álbum em 1957. Cá em Portugal, teve edições em álbum sucessivamente editadas pela Verbo, Bertrand, Meribérica e agora, finalmente, sai em suplemento no Público, em associação com a Asa. A não ser que seja o contrário.

A obra em si resulta de um trabalho algo desequilibrado - não é dos melhores do seu autor - talvez em desejo por este suceder de imediato à justamente famosa Marca Amarela. Aqui a aventura é algo mais ligeira, o traço mais elegante e menos pesado. Trata-se de uma space opera que ao mesmo tempo o não é, visto Jacobs, maniaco da perfeição como era, ter avolumado carradas de documentação, estudos e investigações (feitas por ele em boa parte!) e mesmo tendo feito uma visita à ilha de São Miguel para se documentar in loco, como era da sua preferência. Sobre essa visita, abro uma questão: jacobs terá dito a Vasco Granja, numa célebre entrevista que este lhe fez, que efectuou esta viagem. Ora há muitos livros que estudam a sua biografia e a sua intensa obra, e nenhum deles faz a menor menção a essa visita do autor aos Açores, ao contrário de outras viagens que efectuou, bem documentadas nessas obras... Fica assim, julgo eu, esta viagem como que numa aura de neblina, bem ao gosto do artista em questão.

Se entendo que o livro é "menor", apenas o afirmo em comparação com outros da sua autoria, e mesmo assim, muito a custo: muitas coisas há de absolutamente geniais na obra: as descidas às profundezas, as viagens labirtinticas pelas paisagens subterrâneas do heróis, criação de ambientes - e atmosferas - visualmente impressionantes, tanto no traço como na cor, sempre abafante e opressiva. Não era Jacobs, aliás, um fanático de cenas subterrâneas, tendo TODOS os seus livros sequencias aí passadas? Os recitativos, para algumas opiniões, desencorajadores à leitura e redundantes, como sempre provam não o ser, marcando como que uma banda sonora, por um lado, e por outro, uma marcação de ritmo obrigatória, impedindo o leitor de fazer uma leitura apressada do livro, perdendo assim muito do que não se encontrará numa leitura superficial e desatenta. Resumindo: eis uma obra desigual mas mas de qualidade muito elevada!

Inicialmente, Jacobs pretendia contar a história em dois livros, dedicando a primeira parte às incursões de Discos Voadores no mundo externo; foi no entanto avisado que outro autor da revista ia abordar o mesmo tema ao mesmo tempo e o artista, cavalheirescamente, "deu o lugar" ao seu colega, concentrando compactamente toda a narrativa num só livro. À distância, só se pode concordar que esta opção foi a melhor, dado que o tema dos Discos Voadores acaba por não ocupar sequer a acção em duas páginas, numa magistral lição de condensação que nos é dada!

Muito mais poderia ser anotado aqui sobre qualidades do livro, mas o tempo rareia e os leitores querem sem dúvida passar ao post seguinte. Por isso fico-me por mais duas observações: a primeira refere ao "modernismo" científico que E. P. Jacobs utiliza no livro, sublinho, em meados dos anos 50: se, por um lado, a abordagem dos Discos Voadores, armas de raios e palnadores soa já a algo de futurismo antigo, o que dizer de sensores de impressões digitais que permitem este ou aquele atravessarem passagens? Aí sim, a leitura mantém-se impressionatemente actual! E sabe-se lá  o que uma nova leitura da obra, por exemplo, daqui a 20 anos, nos trará?

A segunda questão refere-se à presente edição ASA/Público: Acompanhada sempre por um estudo incompetente e apressado por Carlos Pessoa, está esta colecção a sair à razão de um livro por semana. É estranho que esta edição, totalemente diferente das anteriores, tanto aqui como no estrangeiro, não mereça atenção nessa originalidade: a capa deste livro, por exemplo, é uma parcial reprodução da utilizada na primeira edição belga - estranha-se profundamente porque é que a cópia não é, nesse caso, integral! - e tem o aproveitamento de uma vinheta que só saiu na revista, aquando da pré-publicação, retomada pelo autor quando passou ele próprio a edição da sua obra: refiro-me à última imagem da página 18. Quando essa feroz cena das cabeças de pterodáctilos, numa dimensão onírico/dantesca surgiu no Tintin, o autor foi advertido que isso incomodadria sobremaneira os jovens leitores, "obrigando" o autor a substitui-la por uma bem mais inócua, o que por muitos anos prevaleceu nas edições da obra em álbum.

 

P. S. - Contnua-se a não entender porque é que o jornal Público insite em dizer que a lombada dos livros têm inscrições a doirado, quando não passa de um vulgar (mas oportuno!) amarelo.

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publicado às 13:29
editado por João Távora às 18:32





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