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Estrada dos bravos, blog dos livres

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24
Jun09

Calendas e fracturas

Duarte Calvão

O João Távora, agora secundado pelo Pedro Quartin Graça, comenta o meu último post sobre a eventual fusão entre PSD e CDS dizendo que eu enviei a questão para as calendas e evitei as questões fracturantes. Apesar do peso dos opositores (apenas intelectual, bem entendido, porque são ambos elegantes e esbeltos, apesar de comerem imenso, como pude constatar no último jantar Risco Contínuo), não me deixo amedrontar e esclareço que se não desenvolvi os temas no post anterior, foi para ele não se tornar mais longo do que já era.

Sobre as "calendas", trata-se de uma constatação. Dificilmente as actuais direcções do PSD e do CDS arriscariam numa coligação pré-eleitoral. Logo, na fundada esperança que venham a formar Governo e que este corra sem desentendimentos entre os dois partidos da coligação, o que também é de esperar tendo em conta as experiências anteriores, creio que é natural que se chegue à conclusão de que não há razões suficientes para estarem separados.

Quanto às questões fracturantes, nomeadamente as que dizem respeito às posições defendidas pela Igreja Católica, parece-me claro que a esmagadora maioria dos militantes do PSD está normalmente bastante próxima delas. E lembro que quase todos os dirigentes do PSD, incluindo a actual presidente, foram católicos praticantes. E que Sá Carneiro, tal como vários elementos da Ala Liberal, sobretudo os do Porto, provinham das Equipas de Nossa Senhora. Ou seja, o respeito e a atenção pelos valores da Igreja foram sempre uma constante no PSD.

No entanto, e a meu ver muito bem, as direcções do PSD sempre deram "liberdade de consciência" aos deputados e militantes nas votações sobre as tais questões ditas fracturantes, com especial relevo para os dois referendos sobre a despenalização do aborto. Isso permitiu que pessoas extremamente válidas como Pacheco Pereira, Rui Rio ou Aguiar Branco (e já agora eu também...) pudessem votar "sim" nesses referendos sem sofrer qualquer tipo de represália e sem deixarem de se sentir à vontade no partido, mesmo sabendo que a grande maioria dos militantes e dos dirigentes tinham votado "não". É nesse sentido que digo que o PSD é mais "a Deus o que é de Deus e a César o que é de César".

Creio que esta posição de "liberdade de consciência" é compreendida pela maioria dos militantes do CDS, que certamente querem o Estado separado da Igreja, que não querem teocracias no Ocidente, que prezam a liberdade religiosa e o direito dos indivíduos a terem as suas próprias opiniões. Se eu estiver enganado, aí não há nada a fazer, porque partidos confessionais é que nunca.

De resto, não vejo que haja mais a separar PSD e CDS. Pode ser que, conjunturalmente, como, por exemplo, na questão da segurança, o CDS queira parecer mais "duro" para se distinguir do PSD ou que proclame mais ardorosamente o seu amor pela economia de mercado, mas nada disso é de molde a criar divisões sérias.

Quanto às dificuldades do próximo Governo perante a "opinião pública", confesso que não sei o que isso é. As últimas eleições vieram mostrar mais uma vez que uma coisa é o que se diz que é a "opinião" das pessoas e outra é a realidade. Quanto à Comunicação Social, há muito que defendo que qualquer direcção do PSD sabe que só pode contar com hostilidade por parte dela, com uma ou outra excepção. É um dos dados do problema, seja em que situação for, e tem que se saber lidar com ele. E certamente que a situação é difícil, mas é por isso que andamos aqui a tentar que os socialistas saiam do Governo e que Portugal tenha um melhor destino. Qual é a alternativa? Desistir, abster-nos e andar por aí a queixar-nos dos políticos?

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