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Real Gazeta do Alto Minho, n.º 8

por José Aníbal Marinho Gomes, em 06.07.16
 

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publicado às 14:25

Esta Europa? Não, obrigado!

por José Aníbal Marinho Gomes, em 24.06.16

A propósito do Brexit e da resposta que o povo britânico deu a uma europa caduca e germano-dependente, veio-nos à memória um artigo de opinião que publicamos no dia 14 de Maio de 1994, na página 40 do Jornal "O Primeiro de Janeiro" intitulado "Esta Europa? Não, obrigado!".

Volvidos 22 anos, não retiramos uma única palavra ao que então foi escrito. O artigo parece-nos perene de actualidade e se pretendessemos escrevê-lo de novo, apenas fariamos alguns retoques em função do Tratado de Lisboa. Quanto à criação de uma Comunidade Luso-Afro-Brasileira, que na altura proposemos, a actual Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) fica aquém daquilo que defendemos.

Contrariamente a alguns comentários, que ao longo do dia de hoje, temos ouvido da boca de alguns politiqueiros da nossa praça, que atribuem a vitória do sim à "extrema-direita britânica", importa refutar esta afirmação, uma vez foram os britânicos no seu todo que bateram o pé a esta europa totalitária e refém do défict e que directa ou indirectamente chantageou todo um povo, muito ciente da sua soberania. Não se pode esquecer que muitos dos apoiantes do Brexit eram do Labour Party.

Não sabemos o que irá acontecer ao Reino Unido, contrariamente a alguns "euro-videntes" da desgraça, que profetizam o seu desmembramento, começando pela independência da Escócia, a fazer fé nas palavras da Primeira-Ministra deste país, que ameaçou com a convocação de um novo referendo. Mas será que Nicola Sturgeon se esqueceu que a competência para convocar referendos é do Parlamento da Grã-Bretanha e não sua ou do Parlamento Escocês?

Além disso, de acordo com os Tratados, para que um novo Estado possa entrar na União Europeia, tem de ter a aprovação unânime de todos os seus membros, começando logo aqui o grande problema para uma Escócia independente. Se por um lado a Inglaterra lembrará a Portugal a existência da secular aliança entre os dois países. Por outro lado, não se nos afigura que a Espanha aprove a entrada da Escócia na União Europeia, o que poderia significar a breve trecho um grave problema interno ao nosso vizinho, de difícil resolução e com consequências imprevisíveis. A independência da Catalunha!

Apesar de tudo, podemos afirmar que a vontade soberana de um Povo triunfou e a democracia venceu!

Mas, pelos vistos, os lideres europeus nada aprenderam com o resultado do referendo inglês, pois está agendada uma reunião já para amanhã, dos 6 paises fundadores numa europa de 28 estados membros. Ou a Europa muda ou cai de vez. 

brexit-3.jpgConvém relembrar que em 2016 completam-se 630 anos da aliança Luso-britânica, a mais velha aliança do mundo celebrada entre dois países. Conheceu altos e baixos, mas foi-se mantendo ao longo dos séculos, desde a crise do séc. XIV, passando pela restauração da independência no séc. XVII, o Tratado de Methuen no séc. XVIII, sem esquecermos a expulsão dos franceses no séc. XIX. Na Primeira Guerra Mundial, tropas portuguesas participaram na Campanha de França, após a solicitação da Grã-Bretanha. Apesar da neutralidade portuguesa, na Segunda Guerra Mundial, a aliança foi invocada para o estabelecimento de bases militares britânicas nos Açores. Durante a Guerra das Malvinas, em 1982, as bases militares nos Açores foram disponibilizadas para a Royal Navy.

O período mais difícil nas relações entre os dois países ocorreu no final do século XIX, quando se deu o episódio que ficou conhecido como o Mapa Cor-de-Rosa. Também durante a ocupação da Índia Portuguesa pela União Indiana, o Reino Unido limitou-se apenas, a mediar o conflito, o que irritou Salazar e o levar a considerar que a aliança estava a atravessar uma crise insanável.

Ao longo dos séculos e apesar da crispação que aconteceu nos séculos XIX e XX, parece-nos que o balanço é positivo para Portugal, que vai continuar as respeitar os acordos celebrados com o país de Sua Majestade Britânica, pelo que nada devemos temer após o Brexit.

Escreviamos então:

Esta Europa? Não, obrigado!

A assinatura do Tratado de Maastricht – acto demasiado importante para todos nós e que, covardemente, foi realizado sem auscultação do povo português – pôs em causa o direito á mais fundamental das nossas liberdades: o direito de decidir o nosso próprio destino.

A União Europeia não pode ser a Uniformização Europeia. Só a diversidade das várias culturas europeias é que define a Unidade da Europa. Esta Cultura terá de assentar na afirmação das comunidades históricas que formam a Europa. Para manter a sua sobrevivência como Nação, Portugal tem de continuar a ser um Estado periférico, além de ibérico, atlântico e universal.

Portugal não pode permanecer insensível ao desaparecimento gradual da sua Cultura e Civilização, integrado como ficará numa região ibérica, como não pode deixar de ser atlântico e marítimo o povo que mais cedo tornou possível a actual Universalidade de Nações e Povos.

O projecto federalista (sistema de governo onde há uma sucessiva transferência de soberania de um Estado Nação para uma entidade supranacional) para o qual aponta o Tratado de Maastricht e no qual têm colaborado as grandes famílias europeias e os seus seguidores em Portugal – PSD e PS – tem antecedentes muito perigosos de Carlos Magno a Hitler, de Filipe II e Napoleão a Estaline.

A União Europeia, tal como vem sendo desenhada pelos eurocratas, põe em causa as nossas liberdades e prerrogativas históricas.

Uma coisa é a interdependência económica, outra a independência – a soberania nacional – sem a qual não poderíamos existir como verdadeiros portugueses. Por isso, não poderemos aceitar uma política que implique transferências da nossa soberania, designadamente nos domínios da Política Económica e Monetária, Defesa Nacional, Justiça e Administração Interna e Negócios Estrangeiros.

Portugal corre o sério risco de perder a sua identidade como nação de oito séculos, e de povo primário e principal descobridor do mundo, a troco de uns quilómetros de auto-estradas, de umas Expos ou Capitais de Cultura, de uns milhares de ECU que vão corrompendo a alma lusitana ameaçada pelo moderno europeísmo e outras continentalidades.

A nossa permanência na União Europeia leva-nos cada vez mais á defesa da nossa independência. A nossa liberdade e a consequente vontade de ser português, corre perigo. É necessário defender a pátria portuguesa! É preciso lutar, lutar só ou acompanhado, lutar pelos filhos e pelos avós, lutar com palavras e actos, mas lutar por amor a Portugal!

Só a restauração da Monarquia impedirá a absorção de Portugal pela Europa, pois apenas o Rei dos Portugueses, que não está dependente de interesses político-partidários subjacentes às decisões levianas que têm permitido a venda da nossa pátria, defende realmente a nossa independência e identidade. A restauração da instituição real, porque é o único regime que melhor interpreta o passado e leva à construção de um verdadeiro futuro à altura do nosso país, é um dever que compete à nossa geração, permitindo enfrentar, de igual para igual, os gigantes europeus.

O modelo federalista consubstanciado no Tratado de Maastricht, é repudiado por cerca de 80% dos portugueses. A Nação, onde reside a soberania, não foi consultada. Logo, a aprovação deste tratado não está legitimada, por faltar, aos órgãos que a fizeram, competência para tal. O mesmo erro, não se pode repetir aquando da sua revisão: esta tem de ser referendada.

1_ Esta Europa não Obrigado!.jpg

Se não queremos esta Europa como é a Europa que desejamos? Aquela que consagre estes princípios fundamentais:

1.º - Em termos políticos, que garanta o núcleo básico da soberania. Deve existir o mais possível a regra da unanimidade; e o menos possível a regra da maioria. Quando há decisões por maioria, há sempre países a mandar e outros a obedecer. Deveria consagrar-se o «Princípio da Igualdade dos Estados»: um voto, um país. Por exemplo: a política de controlo de território, que é uma das formas de exercer soberania, passa a ser definida por maioria, como é o caso da política de vistos em relação a estados terceiros.

Também que negue a cidadania europeia. Ser cidadão é ser cidadão de um país, de uma nação. Se há cidadania europeia presume-se que há uma nação europeia, o que não é verdade.

Depois que permita à Assembleia da República o direito de apreciar todos os projectos de regulamentos e directivas comunitárias pois, em cada dez leis portuguesas, nove vêm de Bruxelas. Quem as discutiu? Quem sabe o que dizem?

2.º - Em termos económicos, que respeite o gradualismo: Portugal não pode ter a veleidade de querer adoptar imediatamente todas as decisões comunitárias quando a nossa economia está separada das dos outros países europeus cerca de 40 anos. Além disso, Portugal não deve deixar de ter moeda própria por uma decisão da maioria: uma coisa é ter políticas cambiais por maioria, outra é abdicar de uma das partes integrantes da nossa soberania: cunhar moeda. Um país não é soberano sem moeda própria. Não existe nenhum velho Estado Nação sem moeda própria.

3.º - Em termos institucionais que defina o verdadeiro estatuto da Comissão Europeia, pois se esta é um órgão técnico, tem poderes a mais. Deviam reduzir-se as suas atribuições e competências: nomeadamente retirar-se o poder de iniciativa legislativa e definir os mais estreitos possíveis os seus poderes regulamentares e, no mínimo, o Conselho deveria ter o poder de demitir, o que não pode. Se é um órgão político, então que se submeta às regras democráticas que passam pela sua eleição.

4.º - Em termos estratégicos, que garanta uma mais estreita ligação á América que sempre nos garantiu a paz. Durante cerca de 40 anos a paz na Europa foi assegurada pelos Estados Unidos. Se se avançar com o projecto de um exército europeu, a defesa da Europa ficará entregue à Alemanha, país que ao longo dos séculos nunca foi uma fonte de paz e estabilidade na Europa, antes pelo contrário. A criação de uma brigada franco-alemã a concretizar-se (não está no Tratado de Maastricht, mas poderá evoluir nesse sentido) é um projecto de defesa continental, que nada convém a um país atlântico e periférico como o nosso.

Se Portugal não deve sair da Europa, também não se pode circunscrever nela. Temos de restaurar a nossa dignidade e reassumir a nossa vocação universal. Por isso propomos a criação de uma Comunidade Luso-Afro-Brasileira, que envolva políticas comuns, nos domínios económico e cultural.

 in «O Primeiro de Janeiro» de 14 de Maio de 1994, pág. 40.

 

 

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publicado às 22:15

O maior valor da guitarra portuguesa da actualidade

por Pedro Quartin Graça, em 16.06.16

 

Terra” é a primeira amostra a ser conhecida do álbum de estreia de Marta Pereira da Costa, a primeira e única guitarrista profissional de Fado a nível Mundial e autora do primeiro CD da história do Fado em que a Guitarra Portuguesa é tocada em exclusivo por uma mulher! 

 

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publicado às 10:21

ASSASSINADOS... (1)

por José Aníbal Marinho Gomes, em 01.02.16

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A sentença estava traçada há vários anos e tinha como objectivo a implantação da república em Portugal.

Por isso, no dia 1 de Fevereiro de 1908, há 108 anos, quando a Família Real, vinda de Vila Viçosa chegou a Lisboa e ia entrar para a Rua do Arsenal, ouviu-se um tiro. O possível sinal para o início da “chacina”. São assassinados a tiro, no Terreiro do Paço, Sua Majestade el-Rei D. Carlos e o Príncipe Real D. Luís Filipe.

A 21 de Maio de 1908, D. Manuel II descreveu a forma como viveu este trágico acontecimento, sob o título de “Notas absolutamente íntimas”: “Vi um homem de barba preta [...] abrir a capa e tirar uma carabina [...]. Quando [o] vi [...] apontar sobre a carruagem percebi bem, infelizmente, o que era. Meu Deus, que horror o que então se passou! Logo depois do Buíça ter feito fogo [...] começou uma perfeita fuzilada, como numa batida às feras! Aquele Terreiro do Paço estava deserto, nenhuma providência! Isso é que me custa mais a perdoar ao João Franco...”   

Magalhães Lima pronunciou a doutrina e o Grande Oriente Lusitano (obediência maçónica portuguesa), executou-a!

Para a concretização do plano, surge a Carbonária Portuguesa - maçonaria irregular, fundada em 1896 por Luz de Almeida, integrada na loja Montanha.

ban.JPGBandeira da Carbonária (veja-se a semelhança com a bandeira da república Portuguesa)

A Carbonária Portuguesa foi criada com uma única finalidade: derrubar a Monarquia, nem que para isso tivesse de recorrer ao assassínio. Era uma força armada e milícia maçónica, que mobilizava alguns milhares de elementos, fabricava bombas, fornecia armas e, clandestinamente, dava instrução militar aos seus membros, tendo sido ela a responsável pelo atentado contra o legítimo Chefe de Estado Português e Seu Augusto filho.

Este Crime Inqualificável é o culminar de alguns anos da feroz e mentirosa propaganda republicana, que culpava El-Rei D. Carlos por todos os males do país, afirmando, insistentemente, que o Rei estava desacreditado, quer no país quer no estrangeiro, bem como a Família Real. Afirmava também que D. Carlos era um Rei ignorante e inexperiente, sempre influenciado pela igreja, indiferente aos interesses de Portugal, entre tantas outras acusações, que ia publicando na imprensa nacional e internacional.

A máquina propagandística estava muitíssimo bem afinada!

Propaganda esta que teve como principal instigador o Grão-Mestre do Oriente Lusitano, Magalhães Lima, que ao longo dos anos foi colaborando e fundando alguns jornais, designadamente: “A Republica Portugueza”, “Comércio de Portugal”, “ O Século”, etc., onde desferiu os seus ferozes ataques à monarquia e ao Rei de Portugal, sendo, pois, ao invés de D. Carlos e da Monarquia, o principal responsável pela impopularidade do regime, através dos seus escritos intencionalmente direccionados e de falsos argumentos.

Para Magalhães Lima, D. Carlos era também o grande responsável pela permanente divisão partidária.

Contudo, nada pode ser mais falso.

Em primeiro lugar, o bipartidarismo resultava, não da vontade do Rei, mas dos resultados eleitorais. E a divisão partidária não acontecia na Monarquia, pois aqui, o Rei representa a Nação na sua plenitude e continuidade e, não sendo eleito, não fomenta qualquer disputa partidária, o que acontece, precisamente, na república, em virtude da eleição do chefe de estado, oriundo de um ou outro quadrante político e normalmente apoiado por forças partidárias.

Em segundo lugar, D. Carlos teve uma intensa actividade diplomática, que credibilizou imenso o país e a sua imagem no exterior. Visitou alguns países e recebeu em Portugal diversos Chefes de Estado, que o admiravam muito, entre os quais Alfonso XIII de Espanha, Guilherme II da Alemanha, Eduardo VII da Inglaterra, o presidente Loubet de França, o rei do Sião Chulalongkorn (Rama V).

Em terceiro lugar, D. Carlos era um Homem culto e avançado para época. Pintor notável e investigador no campo oceanográfico, sobretudo da biologia marítima, era também um ornitólogo, devendo-se a ele a publicação do “Catálogo Illustrado das Aves de Portugal”. El-Rei foi um cientista!

A trágica morte do Príncipe Real, D. Luís Filipe, barbaramente assassinado, privou Portugal de um jovem que teria todas as condições para ser um grande Rei, já que para isso vinha sendo preparado desde o seu nascimento.

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Mas a culpa não é só dos republicanos.

Alguns monárquicos contribuíram, também, para que se criasse um ambiente hostil ao Rei, designadamente os dirigentes do Partido Progressista, caso de José Luciano de Castro e do Partido Regenerador António de Serpa Pimentel.

Desde a Regeneração que o sistema político português se desgastava a olhos vistos, sobretudo devido à alternância de dois partidos no Poder: o Progressista e o Regenerador. A situação agravou-se com o aparecimento de novos partidos, que emergiram de dissidências internas, como foi o caso do Partido Regenerador Liberal, de João Franco, e da Dissidência Progressista de José Maria de Alpoim  sobre quem  recairam inúmeras suspeitas de envolvimento no regicídio.

Cerca de 32 meses após o Regicídio, a 5 de Outubro de 1910, a república é proclamada em Portugal. E logo surgem os “adesivos”, isto é, os monárquicos que se “tornaram” republicanos e vivem, confortavelmente, no regime.

“Adesivos”, ainda hoje os há, e pude constatá-lo recentemente nas eleições presidenciais!...

 

(1) Sobre o Regicídio já aqui escrevi três artigos: O Regicídio - “Lisbon’s shame!; Não, não esquecerei este hediondo crime!O Regicídio; Infames, infames!

(2) Lei Maçónica e Lei Civil. Sugestões para um Estudo, in Ensaios de Maçonaria. Lisboa, Quetzal Editores, 1988, pág. 54.

Oliveira Marques, foi professor universitário, historiador e Grão-Mestre Adjunto do Grande Oriente Lusitano (1984-1986) e Soberano Grande Comendador do Supremo Conselho do Grau 33 (1991-1994).

 

Por decisão pessoal, o autor do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico.

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publicado às 23:33

Efeméride

por Júlio Reis Silva, em 27.01.16

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Nascimento de Wolfgang Amadeus Mozart, em Salzburgo - 27 de Janeiro de 1756.

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publicado às 12:09

Dr. Gonçalo Reis Torgal, Um Monárquico que nos deixa!

por José Aníbal Marinho Gomes, em 15.01.16

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Faleceu ontem o Dr. Gonçalo Reis Torgal, com 84 anos, vítima de doença súbita, cerca das 23h30, quando conduzia na auto-estrada A41.

Conheci o Dr. Reis Torgal por volta dos anos 79/80, do século passado no Partido Popular Monárquico (PPM), partido que eu na altura também militava.

O nosso convívio foi-se estreitando, sobretudo na década de oitenta quando frequentava a Universidade no Porto. Gonçalo Reis Torgal era um Homem divertido!

Ao Gonçalo Reis Torgal, conheci-lhe três paixões: A Monarquia, A Gastronomia e a Académica de Coimbra, a sua Académica, da qual era Vice-Presidente da Direcção e sócio n.º 7. Poderia ter outras, mas estas representavam muito para si.

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Recordo com saudade as diversas reuniões que frequentemente ocorriam na Rua do Almada, na altura era eu Membro da Comissão Política Nacional da Juventude Monárquica, e as suas sempre oportunas intervenções e a constante preocupação em aconselhar os mais jovens. Também nos Congressos Nacionais, marcava a sua posição, ou não tivesse Reis Torgal o dom da palavra.  

Gonçalo Reis Torgal, era um “bom garfo”, como se costuma dizer, ou não fosse ele um dos grandes estudiosos da nossa gastronomia.

Apreciava e lia com muita atenção os seus artigos sobre gastronomia na imprensa escrita, bem como os de carácter político que ainda recentemente escreveu.

Há cerca de um mês, publicou um livro "Coimbra à Mesa – Tu é que foste à Praça, Menino?", cujo lançamento decorreu na Casa da Cultura de Coimbra.

Era licenciado em Ciências Histórico-Filosóficas e mestre em História da Alimentação pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e foi professor nas escolas Egas Moniz e na Escola Industrial e Comercial de Guimarães, actual Escola Francisco de Holanda, onde residia, apesar de ser natural de Coimbra.

Desde 1986 era Mordomo-Mor da Confraria Gastronómica da Panela ao Lume, da qual foi membro fundador.

Como Homem de causas, Reis Torgal nunca deixou de exercer a sua cidadania e criticava sempre que entendia ser necessário fazê-lo, e fazia-o frontalmente e sem quaisquer rodeios, chamando os "bois pelos nomes", exemplo disso é o artigo de opinião que publicou em Setembro de 2015, no Jornal Diário das Beiras,  intitulado  "Este país não é para velhos: é livro e filme", do qual com a devida vénia transcrevo:  (...) Cá, um Governo que desprezou e roubou os “velhos” a eleiçoeiramente legislar contra os que os maltratam ou abandonam. Seria ele o primeiro prevaricador e consequentemente o primeiro a ser punido, se houvesse Justiça, que falta, talvez, porque tutelada por uma ministra prepotente e ignorante que a avilta e dificulta, e a um tempo desertifica o país.

Desampara as crianças faltando-lhes com o apoio social, obrigando a família a novos manuais, enricando as editoras. Persegue a APPACM de Viana, que procura superar a incapacidade do governo face aos desamparados.

Mente sobre as melhorias na saúde. Fecha sete unidades de saúde familiar em Oliveira do Hospital. Filas de espera (SIC) desde as 6 da manhã, onde mais de metade não arranja consulta e é convidada para igual inferno 3 meses mais tarde. Piora o SNS.

Prossegue no assalto aos pensionistas e reformados ameaçados de um corte, garantido a Bruxelas, de mais 600 M/€.

Ataca a tradição, com a ASAE, proibindo na Romaria/Feira de Porto de Ave, os celebrados Bifes de Porto de Ave, há séculos, sem algo que indicie perigo alimentar,.

No plano educativo ataca encarniçado uma pedagogia séria, com o crescente aumento dos centros educativos, negando rudimentares princípios pedagógicos que de Radice à nossa conceituada Maria Borges de Medeiros, deram métodos de reconhecido valor, (João de Deus) e místicos da Educação como Sebastião da Gama, hoje sem lugar, nesta mixórdia que dizem Educação, como não teria o dedicado Homem da Educação (saneado na insensatez do PREC), Calvet de Magalhães, bem assim como destroi o Ensino Artístico.

Na economia uma dívida impagável, impagável que quer calado para enganar os mercados, como se estes, que já mamaram nas tetas até secarem, fossem tão tolos, como são alguns portugueses, enrolados nas mentiras do “patranheiro mor” Coelho Passos Pedro (CPP). E sigo a ver os burlados do BES, feito Novo Banco, cuja venda mais faz parecer Carlos Costa um taberneiro a vender mau vinho, que Presidente do BdP. Venda com mais roubo ao contribuinte. Isto apesar da mentira com que CPP pretende enganar os “pacíficos revoltados”, indo de mentira em mentira até à mentira final, quando voltará a haver “choro e ranger de dentes” e inútil: “se eu soubera…”

Objectivemos.

Que país é este que CPP nos projecta paradisíaco?

Semi-protectorado empobrecido; um povo com fome, sem educação capaz; sem acesso à justiça; precário acesso à Saúde; vivendo na maior austeridade, onde os ricos, corruptos ou não, tiram todo o proveito do que aos “pobres” é roubado; ataque por acção ou omissão aos “velhos” e às crianças, sendo que uma em cada 3 crianças é subalimentada; PPP, Parque Escolar, A.E., gritando roubalheira e compadrio; bandalheira no proceder bancário com a Tutela desatenta, desinteressada ou cúmplice; país vendido ao desbarato (foram-se anéis e dedos), entregando a chineses e à cleptocracia nepotista de Angola as fontes de produção; despovoamento do interior; política de estrangeiros acompanhando o que de mais desumano tem a política europeia.

A partir de amanhã o seu corpo estará em Câmara ardente no Pavilhão Gimnodesportivo da Associação Académica de Coimbra (Jorge Anjinho) e o seu funeral será no Domingo, dia 17, às 11h00m.

Que Descanse em Paz!

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publicado às 18:17

Concursos sobre o “O PRIMEIRO DE DEZEMBRO DE 1640 – A Restauração da Independência de Portugal”.

por José Aníbal Marinho Gomes, em 08.12.15

D. João IV (3).jpgNo dia 1 de Dezembro de 2015 a Real Associação de Viana do Castelo arrancou com três concursos a nível escolar, previstos no plano de actividades para 2015, destinados aos alunos do 1.º, 2.º e 3.º Ciclos de escolaridade, e professores do "Distrito de Viana do Castelo", cujo tema central é "O PRIMEIRO DE DEZEMBRO DE 1640 – A Restauração da Independência de Portugal” 

 
Para o 1.º Ciclo o concurso intitula-se "Viagem no Tempo" -“O PRIMEIRO DE DEZEMBRO DE 1640 – A Restauração da Independência de Portugal”.
 
No 2.º e 3.º ciclos o concurso chama-se "Um Concurso Para Ti" -“O PRIMEIRO DE DEZEMBRO DE 1640 – A Restauração da Independência de Portugal”.
 
Para os professores do ensino básico e secundário foi aberto um concurso sobre o tema "Reflexões sobre...-“O PRIMEIRO DE DEZEMBRO DE 1640 – A Restauração da Independência de Portugal”.
 
O Regulamento dos concursos pode ser consultado seguindo os endereços de cada um.
 
 

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publicado às 22:33

Feliz 100.º Aniversário Madalena Sá e Costa

por José Aníbal Marinho Gomes, em 20.11.15

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Senhor Presidente da República, tinha Vossa Excelência a obrigação de ter condecorado esta brilhante e distinta violoncelista e pedagoga portuense. Mas não o fez. Ao invés no dia 10 de Junho preferiu condecorar o costureiro da sua Maria, e outros que tais...Ainda se pensou que a condecoração pudesse acontecer na altura do seu centésimo aniversário, mas tal não ocorreu.

Como dizia nosso avô Aníbal Marinho: “Sempre entendemos que a quantos no decorrer da sua existência revelam virtudes excepcionais, mormente no que se refere aos domínios da Arte, merecem ser homenageados durante a sua vida e não como quase sempre acontece, depois do seu decesso, para assim poderem sentir o prazer espiritual de que seu esforço criador teve o devido eco na alma popular”.

As ocupações com as coisas do país e da governança foram imensas….primeiro o estudo dos possíveis cenários pós-eleitorais, que o impediu de participar nalguns eventos públicos, pois a situação requeria muita concentração, mas felizmente os cenários estavam todos estudados…, chegou a vez das bananas e cagarras, e por estes dias era preciso ouvir os "Tio Patinhas", os Sopranos, os Simpsons e outras individualidades. Ah! Esqueci-me que também ouviu o “emplastro”.

Mas como esta atitude vem de alguém que nunca se engana e raramente tem dúvidas, demonstra na realidade o que representa a cultura para a Presidência da Republica, com tantos assessores que para lá andam….

Como deve desconhecer quem foi esta grande figura da música portuguesa aqui vão algumas pequenas achegas.

Madalena Moreira de Sá e Costa nasceu no Porto a 20 de Novembro de 1915. Neta de Bernardo Valentim Moreira de Sá, fundador do Conservatório de Música do Porto e do Orpheon Portuense, filha da pianista Leonilda Moreira de Sá e Costa e do pianista e compositor Luís Ferreira da Costa.

Foi discípula de Guilhermina Suggia — e como herdeira do seu legado musical deu no nosso país, continuidade suas lições — e do seu pai Augusto Suggia. Conclui o curso no Conservatório Nacional em 1940, sob a tutela de Isaura Pavia de Magalhães, após o que completa a sua formação com Paul Grümmer, Sandor Végh e Pablo Casals, entre muitos outros.

Ganhou os prémios Orpheon Portuense (1939), Emissora Nacional (1943), Morrisson da Fundação Harriet Cohen (1958), Guilhermina Suggia, SNI (ex-aequo, 1966. Com a sua irmã Helena Sá e Costa manteve um duo durante 50 anos, tendo actuado um pouco por toda a Europa. Ainda com a sua irmã e com o violinista Henri Mouton formou o “Trio Portugália” a quem o País deve a audição de um grande reportório musical, passando posteriormente a quarteto com a participação do violetista belga François Broos.

Tocou em orquestras sob a direcção de Maestros como Pedro de Freitas Branco, Frederico de Freitas, Ivo Cruz, Fritz Riegger, Jacques Pernood, Gunther Arglebe, Ferreira Lobo, Pedro Blanch e Silva Pereira e integrou a Orquestra Sinfónica da Emissora Nacional (1966-84), Instrumentista de Câmara da Orquestra Sinfónica do Porto (1970) e a Camerata Musical do Porto que fundou (1979-89).

Possuidora de um curriculum riquíssimo, Madalena Sá e Costa desenvolveu também notável acção pedagógica no Conservatório de Música do Porto e no Conservatório de Música Calouste Gulbenkian em Braga. Em Guimarães, participou em vários recitais e concertos, alguns dos quais relaizados na Sociedade Martins Sarmento.

Em 2008 publicou o livro “Memórias e Recordações”.

Faço votos para que Madalena Sá Costa celebre em 2016 o seu 101.º Aniversário, altura em que haverá um novo Presidente, de certeza bem mais sensível às questões culturais.

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publicado às 23:14

bleu blanc rouge

por Sofia de Landerset, em 17.11.15

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Ainda mal compreendíamos o que se passara em Paris, e já o facebook se enchia de imagens que reflectiam a solidariedade com as vítimas do massacre.

Bandeiras francesas, símbolos da paz com a Torre Eiffel, uma Marianne em lágrimas. Muitos escolheram tingir as suas fotos de perfil em bleu-blanc-rouge.

E tão célere quanto a reacção de solidariedade foi o apontar dos dedos da brigada do politicamente correcto.

“Porque valem menos os mortos de Beirute?” ou “morrem todos os dias inocentes na Síria mas o Ocidente não se comove” são os exemplos mais suaves das acusações de hipocrisia, humanismo selectivo e ignorância mais ou menos deliberada de todos os males do mundo.

A discussão sobre esta alegada solidariedade de sofá tem ocupado, nos últimos dias, tanto espaço nas redes sociais que quase ofusca o facto de mais de 130 seres humanos terem sido barbaramente assassinados, num ataque à nossa liberdade.

Já o havíamos visto aquando dos crimes perpetrados contra os jornalistas do Charlie Hebdo, e este verão, quando tantas fotos de perfil se coloriram com as cores do arco-íris, numa expressão de alegria pela legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo nos EUA.

Quer expressemos dor, quer alegria, há-de haver sempre alguém que, em vez de discutir o tema em causa, vem discutir a forma como nos expressamos, tentando fazer-nos sentir culpados por apoiarmos isto e não aquilo, por lamentarmos este incidente e não aquele. Não é sequer raro sermos ridicularizados por supostamente estarmos a ser alvo de uma manipulação qualquer vinda de uma organização tão sinistra quanto misteriosa.

E no entanto, parece-me perfeitamente humano que um empregado de mesa em Coimbra ou uma cabeleireira em Évora se sintam mais próximos dos mortos de Paris do que dos mortos em Beirute. Isso não retira valor nem diminui o horror dos mortos em Beirute: significa apenas que nos identificamos mais com quem nos está mais próximo. Pode ser injusto e imperfeito, mas é mesmo assim. 

Deixem-nos colorir as nossas fotos de perfil com as cores que desejarmos. Deixem-nos expressar os nossos sentimentos da forma que quisermos, quando quisermos. E deixem de tentar fazer-nos sentir culpados por isso.

Prefiro mil vezes ver um mar de bandeiras francesas no meu mural do que os vossos dedos em riste disparando balas de superioridade moral e intelectual.

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publicado às 09:27

O "Peregrino" da água esteve em Ponte de Lima.

por José Aníbal Marinho Gomes, em 30.10.15

DSC_0007.jpgOntem, alertado pela minha filha, fiquei sensível à causa de Charlie Uldahldeste, jovem dinamarquês, que caminha desde a Dinamarca até à Tanzânia, para conseguir água para o povo masai. Convidei-o para jantar, e ofereci-lhe também dormida em minha casa.

DSC_0013.jpgCom 5 meses e cerca de 3000 km nas pernas, desde o dia 18 de Maio, dia do seu aniversário, que abandonou o jornal dinamarquês onde trabalhava, para empreender uma viagem que ainda vai durar 2 anos, completando 18.000 km a pé e atravessando 28 países.

Charlie Uldahl é o fundador do "Walking for Water" uma organização filantrópica pela qual está a fazer a viagem. Com esta inicitaiva espera conseguir 362.000 €, montante necessário para construir um sistema de abastecimento de água na Tanzânia, onde cerca de 18.000 Masai tem que andar cerca de 38 km para levar água para suas casas.

Masai01.jpgFiquei admirado com o desinteresse demonstrado pelos órgãos de comunicação social locais, regionais e nacionais. Contactei o JN, a RTP, o Porto Canal, para além de rádios e jornais locais e nenhum demonstrou interesse no assunto. Em Espanha, pelo contrário, o Jornal Faro de Vigo, fez uma reportagem, intitulada "El "peregrino del agua" hace parada en Vigo", e também a TV Galiza aproveitou a sua passagem para uma reportagem.

DSC_0011.jpgTudo pode ser visionado na página "walking for water" e no Facebook.

Neste preciso momento, após uma passagem pela vila de Ponte de Lima, onde lhe pedi que fizesse alguns registos fotográficos, está a caminho de Braga, cidade na qual espero que encontre alguém que lhe disponibilize um tecto para dormir.

Vai percorrer Portugal até ao Sul, onde atravessará de novo para Espanha, rumo a Ceuta, (o percurso de Algeciras a Ceuta, será o único que realizará sem ser a pé).

Se alguém o pretender contactar poderá fazê-lo através de mensagem no Facebook.

 

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publicado às 16:17





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